Sete das dez melhores universidades do país são federais; saiba quais instituições lideram o ranking de 2026
Entre as 20 primeiras colocadas, 17 são federais; no Centro-Oeste, UFG fica atrás apenas da UnB, nona no ranking nacional
As universidades federais ocupam sete das dez primeiras posições do Ranking Universitário Folha (RUF) 2026. Divulgado na última semana, o levantamento revela que o desempenho dessas instituições não se limita ao topo da lista: entre as 50 universidades mais bem avaliadas do país, 37 são federais. O resultado evidencia a presença do ensino público na formação de profissionais e na produção científica brasileira, em uma classificação que considera ensino, pesquisa, inovação, mercado de trabalho e internacionalização.
Entre as 20 primeiras colocadas, 17 são universidades federais. Das 69 instituições da rede em atividade, 51 aparecem entre as cem melhores. Ao todo, o RUF avaliou 205 universidades públicas e privadas, reunindo indicadores que permitem comparar diferentes aspectos de sua atuação acadêmica.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) alcançou a terceira posição nacional, com 97,22 pontos, atrás apenas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ambas estaduais. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aparece em quarto lugar, seguida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em quinto lugar. Também integram as dez primeiras as federais de Santa Catarina (UFSC), Paraná (UFPR) e São Carlos (UFSCar), além da Universidade de Brasília (UnB).
Ensino e pesquisa entre os destaques
A presença das federais nas primeiras posições se repete quando os critérios são examinados separadamente. Em Ensino, a UFMG ocupa o terceiro lugar, seguida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em quarto, e pela UFRGS, em quinto. Na avaliação de Pesquisa, a UFRGS alcança a terceira colocação, enquanto UFMG e Unifesp aparecem na quarta e na quinta posições.
A relação entre essas duas áreas faz parte da formação oferecida pelas universidades. Além das aulas, os estudantes podem participar de projetos de iniciação científica, atividades de extensão e investigações desenvolvidas em laboratórios. Essas experiências permitem contato com a produção de conhecimento ainda durante a graduação e ampliam as possibilidades de formação acadêmica e profissional.
Em Inovação, a UFRGS divide a liderança nacional com a Unicamp, ambas com 3,87 pontos. A UFRJ ocupa a terceira posição, enquanto a UFMG aparece em quinto lugar. Na Internacionalização, a Universidade Federal do ABC (UFABC) lidera a classificação brasileira.
O levantamento também considera a percepção dos empregadores sobre as instituições. Nesse indicador, a UFMG ficou em segundo lugar, com 17,91 pontos, e a UFRJ, em quarto. O resultado oferece uma perspectiva sobre o reconhecimento das universidades no mercado, embora não corresponda diretamente às chances de contratação de cada estudante.
UFG é a segunda melhor do Centro-Oeste
No Centro-Oeste, a Universidade Federal de Goiás (UFG) aparece em segundo lugar no RUF 2026, atrás da UnB, nona colocada na classificação nacional.
O resultado se soma ao reconhecimento internacional da instituição. Em junho, o Center for World University Rankings (CWUR) colocou a UFG entre as 5,4% das melhores universidades do mundo, em uma avaliação que considerou mais de 21 mil instituições. A universidade também alcançou a 24ª posição no Brasil e a 41ª na América Latina.
Fora das classificações, a contribuição da UFG aparece na formação de professores para comunidades indígenas e rurais, nas pesquisas sobre questões socioambientais da região e no atendimento oferecido pelo Hospital das Clínicas. Segundo dados divulgados pela universidade, a unidade hospitalar registra mais de 129 mil consultas médicas e quase 5 mil cirurgias por ano.
Nas demais regiões, as federais também ocupam posições de destaque. No Norte, a Universidade Federal do Pará (UFPA) lidera a classificação regional. No Nordeste, a primeira colocação pertence à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), enquanto, no Sul, a UFRGS aparece à frente das demais instituições.
O alcance da pesquisa universitária
Uma novidade do RUF 2026 foi a inclusão de referências a pesquisas universitárias em documentos de políticas públicas. O indicador procura identificar como a produção científica contribui para decisões fora do ambiente acadêmico, especialmente em áreas como saúde, educação e meio ambiente. Essa relação também se manifesta nos projetos de extensão, que aproximam professores e estudantes das demandas da população.
O reconhecimento acadêmico, entretanto, não elimina as dificuldades enfrentadas por quem busca uma formação superior. Conquistar uma vaga é apenas parte do caminho. Despesas com transporte, alimentação, moradia e materiais acadêmicos, além da necessidade de conciliar trabalho e estudo, continuam interferindo nas condições de permanência e conclusão da graduação.
O RUF 2026 oferece, assim, um retrato do desempenho acadêmico das universidades brasileiras, sem esgotar a discussão sobre a qualidade da educação superior. As sete federais entre as dez primeiras demonstram a força da rede pública nos indicadores avaliados. Para além das posições, permanece o desafio de fazer com que essa capacidade de formação e pesquisa seja acompanhada de condições para que mais brasileiros possam ingressar, permanecer e concluir seus estudos.
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