Vício em bets? Saiba como conseguir ajuda de graça
Serviço do SUS oferece consultas gratuitas e confidenciais por vídeo para pessoas com compulsão por apostas, familiares e integrantes da rede de apoio
Pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas eletrônicas podem receber atendimento gratuito e confidencial pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço funciona por videochamada e atende maiores de 18 anos com sinais de compulsão, além de familiares e integrantes da rede de apoio.
Oferecido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, o teleatendimento faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). A expectativa do Ministério da Saúde é ampliar gradualmente a capacidade do serviço até alcançar 100 mil atendimentos mensais.
As consultas duram, em média, 45 minutos. O tratamento pode incluir até 13 sessões por paciente, realizadas individualmente ou em grupo com pessoas da rede de apoio. As equipes são formadas por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com acompanhamento de médico psiquiatra quando necessário.
O atendimento também pode ser articulado com profissionais da assistência social, da medicina de família e de serviços de saúde próximos da residência do paciente.
Como pedir ajuda pelo SUS
O primeiro passo para solicitar o atendimento é acessar o aplicativo ou a versão on-line do Meu SUS Digital. O usuário precisa entrar na plataforma utilizando uma conta gov.br.
Na página inicial, deve selecionar a seção “Miniapps” e, depois, clicar na opção “Problemas com jogos de apostas?”. A plataforma apresentará um autoteste elaborado para identificar possíveis sinais de risco relacionados aos jogos.
Quando o resultado aponta risco moderado ou elevado, o usuário é encaminhado automaticamente ao teleatendimento. Nos casos considerados de menor risco, o sistema apresenta orientações e recomenda que a pessoa procure a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), formada por serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
O Meu SUS Digital também disponibiliza informações sobre sinais de alerta, formas de prevenção e consequências das apostas para a saúde mental.
Atendimento pelo telefone 136
Quem tiver dúvidas sobre o serviço também pode procurar a Ouvidoria do SUS pelo telefone 136. As orientações são oferecidas ainda por formulário eletrônico, WhatsApp, chatbot e outros canais disponibilizados pelo Ministério da Saúde.
Segundo a pasta, os dados dos pacientes e as informações fornecidas durante o atendimento são protegidos pelas regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O programa busca facilitar a procura por ajuda, especialmente porque pessoas com compulsão por apostas podem sentir vergonha, medo de julgamento ou dificuldade para reconhecer que perderam o controle sobre os jogos.
Bloqueio do acesso às bets
Além do acompanhamento em saúde mental, o governo federal disponibiliza a Plataforma de Autoexclusão Centralizada. A ferramenta permite que a própria pessoa solicite o bloqueio do CPF nos sites de apostas autorizados e impeça a criação de novos cadastros.
O usuário também deixa de receber publicidade e promoções enviadas pelas empresas de apostas durante o período escolhido. O bloqueio pode valer por dois meses, seis meses ou por prazo indeterminado.
Para solicitar a autoexclusão, é necessário acessar o endereço gov.br/autoexclusaoapostas e entrar com uma conta gov.br de nível prata ou ouro.
De acordo com o Ministério da Saúde, o teleatendimento integra uma estratégia nacional para prevenir e tratar os danos associados às apostas, que podem provocar sofrimento emocional, endividamento e conflitos familiares.
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