sábado, 17 de outubro de 2026
Saúde em alerta

SRAGs avançam e Goiás decreta emergência em saúde pública

Com mais de 2,5 mil registros em 2026 e cenário nacional em alerta, Estado amplia medidas e aposta na vacinação para conter agravamento da doença

Renata Ferrazpor em
SRAG
Foto: Tony Winston/Agência Brasília

O aumento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) levou o Governo de Goiás a decretar situação de emergência em saúde pública. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 10.895, publicado no Diário Oficial do Estado na quarta-feira (15), e tem validade de 180 dias. O objetivo é ampliar a capacidade de resposta da rede de saúde diante da crescente demanda por atendimentos e internações.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), Goiás já contabiliza 2.560 casos de SRAG em 2026. Desse total, 126 foram causados por Influenza, 49 por Covid-19, 987 por outros vírus respiratórios e 922 ainda não tiveram a causa especificada. Além disso, o Estado já registra 115 mortes relacionadas à síndrome, o que reforça o cenário de alerta e a necessidade de medidas emergenciais.

Diante desse quadro, o decreto autoriza uma série de ações imediatas, como a contratação temporária de profissionais, a ampliação de leitos hospitalares, especialmente de UTI e suporte ventilatório, aquisição de insumos e até a dispensa de licitação para agilizar processos. Também foi criado o Centro de Operações de Emergências em Saúde (COE-SRAG), que passa a coordenar as estratégias de enfrentamento em todo o Estado.

Ao analisar os dados, especialistas destacam que a doença tem atingido principalmente os extremos de idade. No total de 115 óbitos registrados até agora, 82 ocorreram entre idosos com mais de 60 anos, enquanto nove foram de crianças menores de 2 anos. Outros oito óbitos foram registrados entre pessoas de 50 a 59 anos e quatro entre 40 e 49 anos.

A SRAG é caracterizada por um quadro respiratório grave, que pode evoluir rapidamente e exigir internação. Inicialmente, os sintomas podem se confundir com uma gripe comum, incluindo febre, tosse, dor de garganta e dores no corpo. No entanto, quando há piora, com dificuldade para respirar, queda na saturação de oxigênio e desconforto torácico, o quadro passa a ser considerado grave.

O infectologista Marcelo Daher explica que a síndrome não tem uma única causa. “A SRAG não é provocada por um único vírus. Ela pode ser causada por diferentes agentes, como o vírus sincicial respiratório, o rinovírus e a influenza, que hoje também tem sido uma causa importante de internação e até de óbitos”, destaca.

Segundo o especialista, o cenário atual indica uma antecipação da sazonalidade das doenças respiratórias. “O que a gente esperaria para o final de maio ou início de junho já começou a acontecer agora. Isso acende um alerta importante e justifica medidas mais rápidas por parte do poder público”, explica.

Daher ainda chama atenção para os grupos mais vulneráveis. “Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades são os que têm maior risco de evoluir para quadros graves. Por isso, a vacinação e o diagnóstico precoce são fundamentais”, reforça.

Além do cenário atual, dados recentes mostram que o avanço da síndrome já vinha sendo observado anteriormente. Em maio de 2025, Goiás acumulava 3.218 notificações de SRAG, número que representava um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2024. Na época, o crescimento já atingia principalmente crianças pequenas, grupo que segue como o mais vulnerável diante da circulação de vírus respiratórios.

Leia mais: Goiás decreta emergência em saúde por alta de casos de síndrome respiratória grave

Cenário nacional reforça estado de alerta

O avanço da SRAG em Goiás acompanha uma tendência nacional. Dados do boletim InfoGripe, da Fiocruz, apontam que o Brasil vive um cenário de alerta em 2026, com aumento de casos, especialmente entre crianças menores de 2 anos. Entre janeiro e março, mais de 9,4 mil internações por SRAG foram registradas em 21 Estados e no Distrito Federal.

O levantamento também indica que 14 Estados, incluindo Goiás, apresentam níveis de incidência considerados de alerta, risco ou alto risco, com crescimento sustentado nas últimas semanas. O principal responsável pelo aumento das hospitalizações em crianças é o vírus sincicial respiratório (VSR), seguido por Influenza e SARS-CoV-2.

Ainda segundo a Fiocruz, nas últimas semanas epidemiológicas, a incidência de SRAG tem sido maior entre crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente entre idosos, padrão semelhante ao observado em Goiás. Entre os vírus identificados no País, o rinovírus, a influenza A e o VSR aparecem como os mais frequentes nos casos positivos.

Medidas emergenciais e resposta do Estado

Diante do cenário, o decreto autoriza uma série de ações para conter o avanço da doença. Entre elas, estão a criação do Centro de Operações de Emergências em Saúde (COE-SRAG), coordenado pela SES, além da possibilidade de contratação emergencial de profissionais, aquisição de insumos sem licitação e abertura de novos leitos hospitalares.

Além disso, o governo também poderá requisitar bens e serviços, caso necessário, para garantir o atendimento à população. Os processos administrativos relacionados ao enfrentamento da SRAG passam a tramitar em regime de urgência.

Outro ponto importante é o reforço na vigilância epidemiológica, com ampliação da testagem, notificação rápida dos casos e monitoramento constante dos indicadores de saúde.

Vacinação ainda é desafio em Goiás

Enquanto o número de casos cresce, a vacinação segue como principal estratégia de prevenção, mas ainda enfrenta baixa adesão. A campanha contra a Influenza começou em 28 de março e é voltada para grupos prioritários, como idosos, gestantes e crianças.

Até o momento, Goiás recebeu 436 mil doses enviadas pelo Ministério da Saúde. No entanto, apenas 388.179 foram aplicadas, o que representa uma cobertura vacinal de 16,19%, considerada abaixo do ideal. Em cidades como Caldas Novas, ações específicas já foram realizadas, como o “Dia D” de vacinação. Outros municípios também têm intensificado campanhas para ampliar a cobertura.

Além disso, a circulação de variantes, como o subclado K da Influenza A (H3N2), já identificado em cidades goianas, reforça a necessidade de vigilância constante, mesmo diante de casos inicialmente leves.

Diante desse cenário, autoridades de saúde reforçam que a combinação entre vacinação, diagnóstico precoce e medidas emergenciais será fundamental para conter o avanço da SRAG. 

Sobre isso, Marcelo Daher também alerta para a importância da prevenção. “Hoje nós temos ferramentas importantes, como a vacinação contra a influenza e estratégias específicas para o vírus sincicial respiratório. No caso das gestantes, por exemplo, a vacinação ajuda a proteger os bebês nos primeiros meses de vida”, explica.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Bombeiros encontram corpo de homem em lago da Saneago, em Goiânia

Mistério

Bombeiros encontram corpo de homem em lago da Saneago, em Goiânia

Vítima, de aproximadamente 30 anos, foi localizada submersa a cerca de três metros de profundidade...
Cirurgião depõe sobre morte de empresária após cirurgia plástica em Goiânia

INVESTIGAÇÃO

Cirurgião depõe sobre morte de empresária após cirurgia plástica em Goiânia

Lessandro Martins ficou cerca de três horas no 4º DP. Polícia aguarda laudo da exumação para es...
Bebê de 23 dias é morto com mais de 20 facadas; pais são presos na Paraíba

Crime Bárbaro

Bebê de 23 dias é morto com mais de 20 facadas; pais são presos na Paraíba

Casal de 19 anos apresentou versões conflitantes sobre o crime; Polícia Civil investiga a particip...
Homem fica gravemente ferido após cair de telhado no Setor Finsocial, em Goiânia

Acidente

Homem fica gravemente ferido após cair de telhado no Setor Finsocial, em Goiânia

Vítima foi encontrada inconsciente e com sangramento intenso na cabeça, no Setor Finsocial, e enca...
Goiás registra alta de dengue e chikungunya e reforça combate ao mosquito

Atenção na saúde

Goiás registra alta de dengue e chikungunya e reforça combate ao mosquito

Estado confirma mais de 108 mil casos de dengue e 11 mil de chikungunya em 2026; ações incluem nov...
PCDF prende dois suspeitos de tráfico de drogas na Estrutural em Brasília

Tráfico de drogas

PCDF prende dois suspeitos de tráfico de drogas na Estrutural em Brasília

Um dos detidos é um homem de 36 anos que estava foragido e usava documentos falsos para esconder a ...
Polícia Civil identifica suspeito de 14 furtos a residências no Park Way (DF)

série de furtos no DF

Polícia Civil identifica suspeito de 14 furtos a residências no Park Way (DF)

Investigação durou cerca de um ano e aponta prejuízo superior a R$ 1 milhão; segundo a polícia,...
Consórcio ou financiamento em 2026: qual a melhor opção para a compra do primeiro imóvel?

publieditorial

Consórcio ou financiamento em 2026: qual a melhor opção para a compra do primeiro imóvel?

Descubra as principais diferenças entre consórcio e avalie taxas, prazos e urgência, garantindo a...