segunda-feira, 11 de maio de 2026
Preferência

Livros físicos ainda são a preferência dos leitores?

Pesquisas no Brasil e no exterior mostram crescimento do interesse pelos exemplares impressos, principalmente após a pandemia

Nívia Menegatpor Nívia Menegat em 11 de maio de 2026
Livros
Livros físicos ainda vencem os online na preferência dos leitores?. Foto: Reprodução

Uma pesquisa internacional mostrou que os livros físicos continuam sendo os favoritos entre os leitores. O levantamento, realizado com 2.400 pessoas nos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, revelou que 65% preferem livros impressos, enquanto 21% optam pelos e-books e 14% pelos audiolivros. Entre os principais motivos citados estão a aparência, a sensação ao toque e até o cheiro do papel.

O estudo foi encomendado pela fabricante de papel Stora Enso e apontou que os franceses lideram a preferência pelos exemplares impressos. A maior parte dos entrevistados afirmou consumir livros de ficção como forma de entretenimento e momento de relaxamento.

Segundo Jonathan Bakewell, vice-presidente da Stora Enso, os resultados reforçam a força do mercado editorial impresso. Um dos dados que mais chamou atenção foi o comportamento dos jovens entre 16 e 24 anos: 70% deles disseram preferir livros físicos aos digitais.

A pandemia também influenciou o hábito de leitura. Muitas pessoas passaram o dia inteiro diante de telas para trabalhar ou estudar e buscaram os livros impressos como alternativa para descansar. Cerca de 63% dos entrevistados afirmaram ter lido mais durante a Covid-19. Entre os jovens, o índice chegou a 64%, com destaque para Estados Unidos e Reino Unido.

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Livros físicos ainda vencem os online na preferência dos leitores?. Foto: Reprodução

Livros físicos ou online

Além da experiência sensorial, muitos leitores disseram que o livro físico proporciona maior sensação de conforto e concentração. Alguns relataram que o cheiro das páginas desperta memórias afetivas.

Apesar da preferência pelo papel, a pesquisa mostra que os três formatos convivem entre si. E-books e audiolivros são vistos como opções práticas e fáceis de transportar, especialmente em viagens ou deslocamentos. Já os audiolivros competem diretamente com podcasts, rádios e plataformas de música.

Outro ponto abordado foi a questão ambiental. Os livros impressos foram apontados como produtos renováveis e recicláveis. Entre os entrevistados, 42% disseram guardar os livros após a leitura, enquanto 26% costumam emprestar ou doar. Outros 26% revendem as obras e apenas 5% descartam ou reciclam.

O estudo também mostrou preocupação crescente com sustentabilidade. Cerca de 61% dos participantes afirmaram que pagariam mais por livros produzidos com neutralidade de carbono. Entre os jovens, o índice sobe para 70%.

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No Brasil, a preferência pelos livros impressos também cresceu nos últimos anos. A pesquisa “Trend Tracker Survey 2023”, realizada pela Two Sides com mil brasileiros, revelou que 64% dos entrevistados preferem livros físicos. Em 2021, esse número era de 37%. Já os livros digitais foram escolhidos por 29% dos participantes, enquanto 7% disseram não ter preferência.

De acordo com Fábio Mortara, presidente da Two Sides Brasil e América Latina, a procura pelos livros em papel aumentou mais de 70% após a pandemia. Ele destaca que, diferente do que aconteceu com jornais e revistas, os leitores brasileiros ainda demonstram forte apego ao formato impresso.

Dados da pesquisa Panorama do Consumo de Livros, divulgada em 2025 pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, também reforçam essa tendência. Entre os brasileiros que compraram livros nos últimos 12 meses, 56% adquiriram apenas exemplares físicos. Outros 30% compraram tanto livros físicos quanto digitais, enquanto 14% optaram apenas pelos e-books.

O levantamento ainda aponta diferenças entre as faixas etárias. O consumo exclusivo de livros digitais é maior entre jovens de 18 a 24 anos, representando 18% do público dessa idade, e diminui conforme a idade avança.

Os livros também aparecem entre as atividades culturais mais consumidas pelos brasileiros. Segundo a pesquisa, eles ocupam a segunda posição no ranking de consumo cultural, atrás apenas do cinema. Entre os entrevistados, 16% disseram ter comprado livros no último ano, enquanto 19% citaram ingressos de cinema.

A maioria dos leitores brasileiros adquiriu entre três e cinco livros nos últimos 12 meses. Já em relação ao tipo de obra, 52% compraram apenas livros não didáticos, 34% adquiriram livros didáticos e não didáticos, e 14% consumiram exclusivamente materiais escolares.

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