Suspeita de favorecimento coloca concurso da Câmara de Goiânia sob risco de suspensão
Órgão de controle recomenda barrar resultado para administrador após indícios de ligação entre aprovado em 1º lugar e banca organizadora
A lisura de um dos concursos mais disputados do ano em Goiânia entrou na mira dos órgãos de fiscalização. A Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas dos Municípios recomendou a suspensão parcial do certame da Câmara Municipal, especificamente para o cargo de administrador, após indícios de possível conflito de interesses envolvendo o candidato classificado em primeiro lugar.
O caso envolve um servidor da Universidade Federal de Goiás que, segundo apuração técnica, manteve vínculo recente com o Instituto responsável pela organização da prova. Registros indicam que ele teria participado de atividades ligadas à instituição poucos dias antes da aplicação do exame, o que levanta dúvidas sobre a imparcialidade do processo.
A situação avançou para além da análise do tribunal de contas. O Ministério Público de Goiás abriu investigação para apurar se houve benefício indevido, não apenas neste caso, mas também em relação a outros candidatos que possam ter tido relação direta com a banca organizadora. Caso as irregularidades sejam confirmadas, há possibilidade de anulação da prova para o cargo sob suspeita.
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Realizado em março, o concurso ofertou dezenas de vagas com salários que ultrapassam R$ 10 mil, atraindo mais de 30 mil inscritos. Apesar da recomendação de suspensão atingir apenas uma função, o episódio lança questionamentos sobre a credibilidade do processo seletivo como um todo.
Em manifestação preliminar, a banca organizadora afirmou que o candidato teria comunicado previamente o possível conflito e, por isso, teria sido afastado de atividades estratégicas e impedido de acessar sistemas internos. Ainda assim, os técnicos do tribunal avaliam que as medidas adotadas podem não ter sido suficientes para assegurar igualdade entre os concorrentes.
A decisão final sobre a suspensão depende agora da análise do conselheiro relator do caso. Enquanto isso, o restante do concurso segue válido, mas sob forte escrutínio.