segunda-feira, 27 de abril de 2026
Saúde

Pressão alta atinge quase 28% dos adultos brasileiros e avança entre os jovens; entenda

Cardiologista alerta que cigarro eletrônico, energéticos e sedentarismo ampliam o risco entre pessoas de 18 a 44 anos

Luana Avelarpor Luana Avelar em 27 de abril de 2026
pressão alta 
Foto: divulgação

A hipertensão arterial não é mais um problema restrito à terceira idade. No Brasil, a doença já atinge cerca de 27,9% da população adulta, segundo o sistema de vigilância epidemiológica do Ministério da Saúde, e os números revelam um avanço preocupante entre os mais jovens: 5,8% das pessoas entre 18 e 24 anos vivem com pressão alta, proporção que salta para 19,5% na faixa dos 35 aos 44 anos.

O cenário acompanha uma tendência global. Segundo o Relatório Global sobre Hipertensão da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2023, a doença afeta 1 em cada 3 adultos no mundo e o número de pessoas com a condição dobrou nas últimas três décadas, chegando a 1,3 bilhão. O mesmo relatório estima que quase metade dos hipertensos no mundo desconhece a própria condição.

Leia mais: Pressão alta atinge quase 3 em cada 10 brasileiros

Jovens no radar

O cardiologista Arthur Pipolo, observa esse avanço com atenção. “Hoje vemos mais jovens com pressão alta do que antes. Isso tem relação com ganho de peso, sedentarismo, alimentação ruim, estresse, sono de má qualidade e também com o uso de cigarro eletrônico e energéticos”, explica.

Para o médico, a popularização dos cigarros eletrônicos e das bebidas energéticas entre adolescentes e jovens adultos representa um risco concreto, não abstrato. “Energéticos, cigarro eletrônico e estresse podem elevar a pressão e sobrecarregar o coração. Todos esses hábitos podem aumentar a pressão”, reforça.

O silêncio que engana

A hipertensão é chamada de doença silenciosa por uma razão precisa: raramente apresenta sintomas. A pessoa pode conviver com a pressão elevada por anos sem perceber, enquanto o organismo acumula danos progressivos. “A pessoa pode achar que está tudo bem, enquanto a pressão alta vai agredindo o coração, o cérebro, os rins e os vasos sanguíneos”, alerta Arthur.

Como prevenir pressão alta 

A orientação do especialista é direta: medir a pressão deve fazer parte da rotina desde o início da vida adulta, independentemente de sintomas ou histórico familiar. “Medir a pressão deve fazer parte da rotina de saúde desde o início da vida adulta. Mesmo jovens e pessoas sem sintomas podem ter pressão alta e não saber”, orienta.

Praticar atividade física, controlar o peso, reduzir o sal e os ultraprocessados, dormir bem, gerenciar o estresse e evitar cigarro, vape e excesso de energéticos são as principais medidas preventivas indicadas. “Pequenas mudanças no dia a dia fazem grande diferença no futuro”, conclui.

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