segunda-feira, 26 de outubro de 2026
CRISE NO MERCADO

Emirados Árabes Unidos anunciam saída da Opep em 1° maio

Decisão de deixar o cartel pressiona o mercado e eleva preços do petróleo em um cenário global já instável

Lalice Fernandespor em
emirados
Anúncio marca o fim de quase seis décadas de participação na Organização de Exportadores de Petróleo (Foto: Reprodução/ @HESuhail)

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+, em decisão que passa a valer a partir de 1º de maio e pode alterar o equilíbrio do mercado global de energia. O movimento ocorre em meio a tensões geopolíticas e a um cenário de alta recente nos preços do petróleo.

A confirmação foi feita pelo ministro da Energia e Infraestrutura do país, Suhail Mohamed Al Mazrouei, que associou a decisão a uma mudança estratégica de longo prazo. “A decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair da Opep reflete uma evolução orientada por políticas, alinhada aos fundamentos de mercado de longo prazo”, afirmou em publicação.

O ministro também destacou o histórico de cooperação com o grupo e acrescentou: “Agradecemos à Opep e aos seus países membros por décadas de cooperação construtiva”. Segundo ele, o país seguirá comprometido com o abastecimento global. “Permanecemos comprometidos com a segurança energética, fornecendo suprimentos confiáveis, responsáveis e de menor emissão de carbono, ao mesmo tempo em que apoiamos mercados globais estáveis”, escreveu.

A agência estatal WAM informou que a decisão está ligada ao planejamento econômico do país e ao desenvolvimento do setor energético. “Esta decisão está alinhada com a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e com o desenvolvimento de seu setor energético, incluindo a aceleração do investimento na produção doméstica de energia”, destacou o comunicado.

 

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Organização dos Países Exportadores de Petróleo

A Opep foi criada em 1960 por Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela, com o objetivo de coordenar a produção de petróleo entre grandes exportadores e influenciar os preços no mercado internacional. Ao longo dos anos, outros países passaram a integrar o grupo, entre eles os Emirados Árabes Unidos, que aderiram em 1967. Atualmente, a organização reúne nações responsáveis por cerca de 36% da produção mundial de petróleo e por quase 80% das reservas comprovadas.

A saída dos Emirados ocorre após um período de pressão por cotas mais elevadas dentro da organização. O país busca ampliar sua capacidade de produção e vinha defendendo ajustes nos limites estabelecidos pelo grupo. Em março, os Emirados eram o terceiro maior produtor entre os integrantes da Opep, com cerca de 2,4 milhões de barris por dia, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

A decisão também atinge a Opep+, que foi criada em 2026 e inclui países não membros da organização, como a Rússia, e atua de forma coordenada para definir níveis de produção. A saída dos Emirados reduz o peso do grupo e pode afetar futuras negociações internas.

Anúncio dos Emirados Árabes Unidos reflete no mercado

O anúncio teve reflexos imediatos no mercado. Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira e atingiram o maior nível em um mês após a divulgação da saída. O movimento ocorre em um contexto de tensão internacional, marcado pela crise causada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e seus impactos sobre a economia global.

Nos Estados Unidos, a decisão foi interpretada como um movimento favorável ao presidente Donald Trump, que tem feito críticas à atuação da Opep. O republicano já afirmou que o grupo “explora o resto do mundo”, ao apontar que a coordenação entre os países produtores contribui para manter os preços elevados.

A saída dos Emirados, integrante da organização há quase seis décadas, ocorre em um momento sensível para o mercado de energia, com o conflito no Oriente Médio ainda em andamento e o Estreito de Ormuz bloqueado.

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