Rei Charles III defende relação “inquebrável” do Reino Unido com EUA
Discurso do monarca marca o 1° pronunciamento da realeza britânica nos Congresso dos EUA no século XXI
O rei Charles III defendeu a união entre Reino Unido e Estados Unidos em discurso no Congresso norte-americano nesta terça-feira (28), em meio a tensões recentes entre os dois aliados históricos. Ao classificar a relação como “insubstituível e inquebrável”, o monarca buscou reforçar laços políticos e militares em um momento de divergências sobre temas internacionais e de segurança.
A fala marca o primeiro pronunciamento de um monarca britânico ao Congresso dos EUA no século XXI e ocorreu durante uma visita de Estado de quatro dias a Washington. Diante de parlamentares, Charles fez referências à história comum entre os países e destacou a proximidade institucional construída ao longo dos séculos.
“A nossa é uma parceria que nasceu da disputa, mas nem por isso é menos forte. Portanto, podemos discernir que as nossas nações são, na verdade, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade – um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns em que a nossa governança está enraizada até hoje”, afirmou.
Visita de Charles III ocorre em meio desgaste diplomático entre as nações
O discurso teve como eixo a defesa dos valores democráticos e do equilíbrio entre os Poderes, com menções diretas aos mecanismos constitucionais que limitam a atuação do Executivo. Charles também abordou a cooperação internacional, especialmente no campo militar. Ao lembrar a resposta conjunta após os ataques de 11 de setembro, fez um paralelo com o cenário atual da guerra na Ucrânia.
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“Imediatamente após o 11 de setembro, quando a Otan invocou o Artigo 5 pela primeira vez e o Conselho de Segurança das Nações Unidas se uniu diante do terror, respondemos juntos ao chamado”, disse Charles. Em seguida, completou: “Hoje, Senhor Presidente, essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo corajoso”.
A visita ocorre em um contexto de desgaste diplomático entre Londres e Washington desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. As divergências envolvem a condução da guerra na Ucrânia, a defesa coletiva europeia e a atuação dos EUA no Oriente Médio.