Cuba alerta para ‘banho de sangue” em caso de ação militar dos EUA
Presidente cubano afirma que ação militar de Washington em Havana colocaria em risco a paz na região
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta segunda-feira (18) que uma possível ação militar dos Estados Unidos contra a ilha provocaria um “banho de sangue” e colocaria em risco a paz na região. A declaração foi feita após a divulgação de uma reportagem do site Axios que aponta supostos preparativos militares cubanos envolvendo drones de ataque.
Em publicação nas redes sociais, Díaz-Canel disse que a simples ameaça de agressão já configura um “crime internacional”. Segundo ele, Havana não possui intenções ofensivas nem representa perigo para Washington ou qualquer outro país. O líder também acusou os EUA de tentarem justificar uma escalada militar contra a ilha.
“Se materializada, provocará um banho de sangue de consequências incalculáveis, mais o impacto destrutivo para a paz e a estabilidade regional. Cuba não representa uma ameaça, nem tem planos ou intenções agressivas contra qualquer país. Não os tem contra os EUA, nem os teve nunca”, escreveu na rede social.
O clima de tensão aumentou após o Axios informar que o governo cubano teria adquirido mais de 300 drones militares da Rússia e do Irã desde 2023. Segundo a publicação, os equipamentos poderiam ser usados contra a base naval norte-americana em Guantánamo, embarcações dos EUA e a cidade de Key West, na Flórida.
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A escalada de tensão sobre a ilha ocorre em meio ao agravamento da crise econômica. O país enfrenta falta de combustível e apagões frequentes, situação intensificada após medidas adotadas pelos EUA contra a ilha. Em diversas regiões, moradores convivem com fornecimento restrito de energia elétrica.

A relação entre Washington e Havana se deteriorou ainda mais após a operação norte-americana que resultou na captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Na ocasião, o presidente americano, Donald Trump, declarou que Havana seria “o próximo alvo”.
Ainda, a operação na Venezuela também contribuiu para o agravamento da crise energética por causa da interrupção de fornecimento do petróleo vindo de Caracas.