Após desgastar PL goiano, agora Gayer colabora para união da sigla
“É muito complexo para um político ter que explicar porque não apoia a chapa do próprio partido”, explica especialista ao lembrar de quando Gayer apoiou Daniel ao invés de Wilder
Uma nova fase marca a trajetória do Partido Liberal (PL) em Goiás após uma série de problemas internos que a sigla enfrentou no Estado, especialmente em ano eleitoral. Ocorre que apesar da legenda ter um eleitorado fiel, sobretudo em Goiás, seus adeptos certamente ficaram confusos com a decisão de um dos principais líderes bolsonaristas do Estado, o deputado federal Gustavo Gayer (PL), declarar apoio à reeleição do chefe do Executivo goiano, Daniel Vilela (MDB).
O governador torce fortemente para a vitória do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) que concorre à Presidência da República. O desapontamento dos bolsonaristas ferrenhos com Gayer se dá pelo fato do partido ter um pré-candidato próprio tanto para o governo do Estado, quanto para o Planalto. Apesar disso, Gayer demonstrou falta de preocupação com a união de sua sigla em função de interesses em torno da disputa por uma cadeira no Senado com o apoio não tido até agora da chapa de Daniel.

Mudou de lado
O jogo mudou e, seis meses após o senador Wilder Morais (PL) confirmar sua pré-candidatura ao comando do Palácio das Esmeraldas, Gayer demonstrou concordância com a decisão de seu partido.
Em reunião do partido que ocorreu no último sábado (16), em Nerópolis, na Fazenda Toca da Orca, o deputado, até então reservado quanto ao apoio a Wilder, fez o primeiro gesto público de respaldo à candidatura do colega de Congresso Nacional.
Em discurso aos aliados, o parlamentar federal declarou apoio à chapa liderada por Wilder Morais e projetou uma vitória do grupo nas eleições de 2026. “Nós vamos receber tanto voto que Goiás vai ser o primeiro estado da federação que vai fazer três senadores esse ano”, declarou.
O encontro contou com a participação da deputada federal Magda Mofatto (PRD), dos deputados estaduais Major Araújo (PL), Amauri Ribeiro (UB) e Eduardo Prado (PL), além do vereador de Goiânia, Major Vitor Hugo (PL).
Representantes do Novo também estiveram presentes, entre eles o empresário Leonardo Rizzo, apontado como pré-candidato a suplente de Gustavo Gayer ao Senado, além do delegado Humberto Teófilo.

“PL segue forte”, diz deputado
Em resposta à reportagem sobre a conjuntura do PL em Goiás e unificação do partido, o deputado estadual bolsonarista Eduardo Prado disse que a legenda “segue fortalecida para ganharmos o Governo e fazermos a maior bancada de parlamentares”.
O cientista político Lehninger Mota avalia que em algum momento Gayer teria que assumir um posicionamento mais conciso com o do PL sob o risco de não conseguir se explicar para seus apoiadores.
“Há um desgaste natural quando um político tem a decisão que Gayer teve [de apoiar uma chapa diferente da apoiada pelo PL] que o tempo tende a curar, porque não tem como o deputado estar no PL, que tem um nome para governador e presidente, e apoiar uma outra chapa. É muito complexo para um político ter que explicar isso. Cabe lembrar que o eleitor do Gayer é um eleitor bastante aguerrido e fiél”, ressalta Mota.

Partido frente às polêmicas
Ao ser questionado se a negociação de R$ 134 milhões do senador e presidenciável pelo PL, Flávio Bolsonaro, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pode influenciar na busca por união do partido em Goiás com vista a dar forças a Wilder, o estrategista político Marcos Marinho afirma que é um problema para o partido a repercussão desse caso.
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“O caso do Flávio, não sei se faz menção direta na conjuntura do partido em Goiás. Eu penso que é um problema para a legenda o que vai acontecer com o partido nacional a partir de agora e se Flávio Bolsonaro realmente vai levar a sua pré-candidatura até o fim”.
O estrategista político destaca o que avalia ser o objetivo do PL goiano no momento. “Essa comunhão do PL goiano tem como foco a eleição para que cada candidato possa tirar seus votos e conseguir suas respectivas cadeiras nas Casas legislativas e para o Executivo estadual. Entendo que o PL se encontra em um momento em que, ou de fato o partido se abraça para poder eleger o máximo que puderem, ou vão ficar fragilizados”, salienta o estrategista político em entrevista ao O HOJE.