terça-feira, 19 de maio de 2026
PL goiano em comunhão

Após desgastar PL goiano, agora Gayer colabora para união da sigla

“É muito complexo para um político ter que explicar porque não apoia a chapa do próprio partido”, explica especialista ao lembrar de quando Gayer apoiou Daniel ao invés de Wilder

Marina Moreirapor Marina Moreira em 18 de maio de 2026
Gayer
Seis meses após o senador Wilder Morais (PL) confirmar sua pré-candidatura ao comando do Palácio das Esmeraldas, Gayer demonstrou concordância com a decisão de seu partido em apoiar colega de partido - Créditos: Divulgação Facebook e Flickr

Uma nova fase marca a trajetória do Partido Liberal (PL) em Goiás após uma série de problemas internos que a sigla enfrentou no Estado, especialmente em ano eleitoral. Ocorre que apesar da legenda ter um eleitorado fiel, sobretudo em Goiás, seus adeptos certamente ficaram confusos com a decisão de um dos principais líderes bolsonaristas do Estado, o deputado federal Gustavo Gayer (PL), declarar apoio à reeleição do chefe do Executivo goiano, Daniel Vilela (MDB).

O governador torce fortemente para a vitória do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) que concorre à Presidência da República. O desapontamento dos bolsonaristas ferrenhos com Gayer se dá pelo fato do partido ter um pré-candidato próprio tanto para o governo do Estado, quanto para o Planalto. Apesar disso, Gayer demonstrou falta de preocupação com a união de sua sigla em função de interesses em torno da disputa por uma cadeira no Senado com o apoio não tido até agora da chapa de Daniel.

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Deputado Gustavo Gayer durante discussão e votação de propostas legislativas – Créditos: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Mudou de lado

O jogo mudou e, seis meses após o senador Wilder Morais (PL) confirmar sua pré-candidatura ao comando do Palácio das Esmeraldas, Gayer demonstrou concordância com a decisão de seu partido.

Em reunião do partido que ocorreu no último sábado (16), em Nerópolis, na Fazenda Toca da Orca, o deputado, até então reservado quanto ao apoio a Wilder, fez o primeiro gesto público de respaldo à candidatura do colega de Congresso Nacional.

Em discurso aos aliados, o parlamentar federal declarou apoio à chapa liderada por Wilder Morais e projetou uma vitória do grupo nas eleições de 2026. “Nós vamos receber tanto voto que Goiás vai ser o primeiro estado da federação que vai fazer três senadores esse ano”, declarou.

O encontro contou com a participação da deputada federal Magda Mofatto (PRD), dos deputados estaduais Major Araújo (PL), Amauri Ribeiro (UB) e Eduardo Prado (PL), além do vereador de Goiânia, Major Vitor Hugo (PL).

Representantes do Novo também estiveram presentes, entre eles o empresário Leonardo Rizzo, apontado como pré-candidato a suplente de Gustavo Gayer ao Senado, além do delegado Humberto Teófilo.

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Encontro do PL em Nerópolis (GO) no último sábado (16) – Créditos: Divulgação

“PL segue forte”, diz deputado

Em resposta à reportagem sobre a conjuntura do PL em Goiás e unificação do partido, o deputado estadual bolsonarista Eduardo Prado disse que a legenda “segue fortalecida para ganharmos o Governo e fazermos a maior bancada de parlamentares”.

O cientista político Lehninger Mota avalia que em algum momento Gayer teria que assumir um posicionamento mais conciso com o do PL sob o risco de não conseguir se explicar para seus apoiadores.

“Há um desgaste natural quando um político tem a decisão que Gayer teve [de apoiar uma chapa diferente da apoiada pelo PL] que o tempo tende a curar, porque não tem como o deputado estar no PL, que tem um nome para governador e presidente, e apoiar uma outra chapa. É muito complexo para um político ter que explicar isso. Cabe lembrar que o eleitor do Gayer é um eleitor bastante aguerrido e fiél”, ressalta Mota.

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Deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) e apoiadores durante manifestação do PL em Goiânia – Créditos: Marina Moreira/ O HOJE

Partido frente às polêmicas

Ao ser questionado se a negociação de R$ 134 milhões do senador e presidenciável pelo PL, Flávio Bolsonaro, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pode influenciar na busca por união do partido em Goiás com vista a dar forças a Wilder, o estrategista político Marcos Marinho afirma que é um problema para o partido a repercussão desse caso.

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“O caso do Flávio, não sei se faz menção direta na conjuntura do partido em Goiás. Eu penso que é um problema para a legenda o que vai acontecer com o partido nacional a partir de agora e se Flávio Bolsonaro realmente vai levar a sua pré-candidatura até o fim”.

O estrategista político destaca o que avalia ser o objetivo do PL goiano no momento. “Essa comunhão do PL goiano tem como foco a eleição para que cada candidato possa tirar seus votos e conseguir suas respectivas cadeiras nas Casas legislativas e para o Executivo estadual. Entendo que o PL se encontra em um momento em que, ou de fato o partido se abraça para poder eleger o máximo que puderem, ou vão ficar fragilizados”, salienta o estrategista político em entrevista ao O HOJE.

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