segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Nova pesquisa

Escândalo com Flávio ainda não aparece em pesquisa e Lula pode crescer, avalia especialista

Levantamento do Datafolha mostra empate entre o presidente e o senador em eventual segundo turno, mas analista apontam que efeitos do caso envolvendo Daniel Vorcaro ainda não foram absorvidos pelo eleitorado

Bruno Goulartpor em
Flávio Bolsonaro
“Enquanto Lula está gastando tempo anunciando medidas positivas, Flávio está tendo que lidar com problemas e desgastes”. Foto: Divulgação

Bruno Goulart

A mais recente pesquisa Datafolha sobre a disputa presidencial de 2026 indica um cenário ainda apertado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No entanto, para especialista ouvido pelo O HOJE, o levantamento ainda não captou os efeitos políticos do escândalo envolvendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O caso, revelado pelo site Intercept Brasil, interrompeu uma sequência de boas notícias para o campo bolsonarista e pode alterar o quadro nas próximas semanas.

Segundo o Datafolha, Lula e Flávio aparecem empatados em um eventual segundo turno, ambos com 45% das intenções de voto. A pesquisa foi realizada nos dias 12 e 13 de maio, mas a maior parte das entrevistas ocorreu antes da divulgação das conversas entre o senador e Vorcaro. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros e possui margem de erro de dois pontos percentuais.

Ainda é cedo

Para o especialista em marketing político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, ainda é cedo para medir o impacto real do episódio na corrida presidencial. Segundo ele, o desgaste provocado pelas denúncias deve aparecer apenas nas próximas pesquisas.

“Essa pesquisa ainda não refletiu o desgaste que o caso Volcaro envolvendo a família Bolsonaro teve nesta última semana, nesses últimos dez dias”, afirmou ao O HOJE. Fulquim avalia que Flávio Bolsonaro entrou em um momento defensivo justamente quando Lula intensificou medidas de forte apelo popular.

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Entre elas, o analista cita programas como o Desenrola Brasil, o Desenrola Fies, a revogação da chamada “taxa das blusinhas” e a campanha em defesa do fim da escala de trabalho 6×1. “Enquanto o Lula está gastando tempo anunciando medidas positivas, o Flávio está tendo que lidar com problemas e desgastes”, observou.

Lula pode ser favorecido

Na avaliação dele, esse movimento pode favorecer o presidente nos próximos levantamentos. “A próxima pesquisa pode mostrar uma perda de pontos para o Flávio. Já o Lula pode manter os índices ou até crescer entre três e cinco pontos percentuais, dependendo do impacto dessas medidas anunciadas”, disse.

Apesar disso, o cenário ainda é considerado aberto. O próprio governo Lula também enfrentou dificuldades recentes, como a rejeição inédita, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda assim, o petista conseguiu recuperar parte do espaço político ao anunciar medidas econômicas voltadas ao consumo e ao alívio financeiro da população.

Pesquisa

No primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) registram 3% cada. Renan Santos, da Missão, soma 2%, enquanto Cabo Daciolo aparece com 1%.

Na modalidade espontânea, em que o eleitor responde sem acesso a uma lista de candidatos, Lula amplia a vantagem. O presidente registra 27% das menções, enquanto Flávio aparece com 18%. Jair Bolsonaro, mesmo inelegível, ainda é citado por 3% dos entrevistados. Caiado soma 1%. O dado que mais chama atenção é o alto índice de indecisos: 39% afirmaram não saber em quem votar.

Zema

Além do impacto sobre Flávio Bolsonaro, Fulquim avalia que o episódio também abriu espaço para outros nomes da direita tentarem se diferenciar do senador. Um dos beneficiados, segundo ele, pode ser Romeu Zema. “Ele conseguiu surfar nessa onda de críticas ao Flávio e tentar descolar ainda mais sua imagem dele”, afirmou.

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