terça-feira, 19 de maio de 2026
Caso Master

Delação de Vorcaro enfrenta resistência da PF após avanço das investigações

Autoridades avaliam que proposta apresentada pelo ex-banqueiro deixou de fora informações consideradas centrais no Caso Master

Thiago Borgespor Thiago Borges em 18 de maio de 2026
5 nota Daniel Vorcaro Foto Reproducao 1
Foto: Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, busca um acordo de delação premiada, mas tem encontrado resistência da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). A avaliação entre as autoridades é de que a primeira proposta apresentada pela defesa de Vorcaro, em 5 de maio, foi considerada insuficiente diante do volume de provas já reunidas pelas investigações.

Segundo informação do jornal O GLOBO, integrantes da PF apontam que o conteúdo extraído de celulares de Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do ex-operador Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, contém informações mais relevantes do que as apresentadas até agora na minuta de colaboração do ex-banqueiro. Entre os pontos ausentes estariam relatos sobre supostos pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que poderiam chegar a R$ 500 mil.

Outro episódio que ficou fora da proposta inicial envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O site The Intercept Brasil revelou que o parlamentar teria buscado apoio financeiro de Vorcaro para o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O acordo de repasses de Vorcaro a Flávio seria de R$ 134 milhões. 

Com o avanço das apurações, investigadores avaliam que Vorcaro perdeu margem de negociação. A colaboração premiada prevê confissão, entrega de provas e pagamento de multas em troca de benefícios penais. O banqueiro chegou a obter transferência temporária para uma cela da PF em Brasília durante as tratativas, mas agora pode retornar ao sistema penitenciário federal, em regime mais rígido, caso o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorize o pedido da corporação.

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A pressão aumentou após a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, apontado como operador financeiro da organização investigada. A PF suspeita que ele tenha participado da ocultação de R$ 2,2 bilhões por meio de contas usadas para esconder recursos de credores e vítimas de fraudes.

Além disso, outros investigados passaram a negociar acordos de delação, criando uma corrida entre defesas para fechar colaboração antes que informações semelhantes sejam entregues. Entre os casos mais avançados está o do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso sob suspeita de envolvimento em um esquema de propina de R$ 146 milhões relacionado ao Banco Master.

As investigações apontam para um suposto esquema de fabricação e venda de carteiras de crédito fictícias entre o Master e o BRB, em operações que somariam R$ 12,2 bilhões. A expectativa da PF é que futuras delações revelem o fluxo de dinheiro no Brasil e no exterior, além da participação de autoridades e operadores financeiros ligados ao caso.

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