segunda-feira, 29 de junho de 2026
Caso Master

Delação de Vorcaro enfrenta resistência da PF após avanço das investigações

Autoridades avaliam que proposta apresentada pelo ex-banqueiro deixou de fora informações consideradas centrais no Caso Master

Thiago Borgespor Thiago Borges em 18 de maio de 2026
Delação de Vorcaro enfrenta resistência da PF após avanço das investigações
Foto: Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, busca um acordo de delação premiada, mas tem encontrado resistência da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). A avaliação entre as autoridades é de que a primeira proposta apresentada pela defesa de Vorcaro, em 5 de maio, foi considerada insuficiente diante do volume de provas já reunidas pelas investigações.

Segundo informação do jornal O GLOBO, integrantes da PF apontam que o conteúdo extraído de celulares de Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do ex-operador Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, contém informações mais relevantes do que as apresentadas até agora na minuta de colaboração do ex-banqueiro. Entre os pontos ausentes estariam relatos sobre supostos pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que poderiam chegar a R$ 500 mil.

Outro episódio que ficou fora da proposta inicial envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O site The Intercept Brasil revelou que o parlamentar teria buscado apoio financeiro de Vorcaro para o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O acordo de repasses de Vorcaro a Flávio seria de R$ 134 milhões. 

Com o avanço das apurações, investigadores avaliam que Vorcaro perdeu margem de negociação. A colaboração premiada prevê confissão, entrega de provas e pagamento de multas em troca de benefícios penais. O banqueiro chegou a obter transferência temporária para uma cela da PF em Brasília durante as tratativas, mas agora pode retornar ao sistema penitenciário federal, em regime mais rígido, caso o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorize o pedido da corporação.

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A pressão aumentou após a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, apontado como operador financeiro da organização investigada. A PF suspeita que ele tenha participado da ocultação de R$ 2,2 bilhões por meio de contas usadas para esconder recursos de credores e vítimas de fraudes.

Além disso, outros investigados passaram a negociar acordos de delação, criando uma corrida entre defesas para fechar colaboração antes que informações semelhantes sejam entregues. Entre os casos mais avançados está o do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso sob suspeita de envolvimento em um esquema de propina de R$ 146 milhões relacionado ao Banco Master.

As investigações apontam para um suposto esquema de fabricação e venda de carteiras de crédito fictícias entre o Master e o BRB, em operações que somariam R$ 12,2 bilhões. A expectativa da PF é que futuras delações revelem o fluxo de dinheiro no Brasil e no exterior, além da participação de autoridades e operadores financeiros ligados ao caso.

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