Agosto Dourado: quando a amamentação é contraindicada e o que fazer em cada caso
Pediatra explica que HIV e HTLV impedem o aleitamento de forma permanente, enquanto tuberculose ativa e herpes na mama exigem apenas pausa temporária; decisão deve ser tomada com acompanhamento médico
Incentivar a amamentação não significa mantê-la a qualquer custo. Embora sejam poucas as situações em que o aleitamento é contraindicado, existem condições em que oferecer o leite materno pode representar risco para o bebê e exige uma mudança de conduta. Saber distinguir quando a interrupção é definitiva e quando pode durar apenas um período também faz parte dos cuidados discutidos no Agosto Dourado.
A pediatra Laura Netto explica que os impedimentos permanentes estão relacionados, principalmente, a algumas infecções maternas. “As principais e que causam impedimento permanente de amamentar são infecções pelo HIV, HTLV-1 e HTLV-2 (vírus da mesma família do HIV, mas que originam doenças diferentes)”.
Quando a pausa é temporária
Nem toda contraindicação significa, porém, que a amamentação terminou. Há situações em que a suspensão ocorre apenas até que o risco seja controlado e a mãe possa ser novamente avaliada.
“Algumas situações específicas de tuberculose ativa sem tratamento, até que a mãe deixe de transmitir a doença e lesões herpéticas na mama, quando presentes na região que o bebê mama. Além disso, alguns tratamentos, como quimioterapia ou uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação, também exigem a suspensão temporária ou definitiva”, pontua a especialista. Protocolos de manejo do aleitamento também incluem entre as situações temporárias a tuberculose não tratada e lesões de herpes na mama.
Parte dessas condições pode ser descoberta antes mesmo de o bebê nascer. “Exames laboratoriais, avaliação clínica e o acompanhamento obstétrico permitem diagnosticar a maioria das doenças antes mesmo do nascimento”, afirma Laura.
O cuidado continua após o parto. “Após o parto, se surgirem sintomas ou alguma suspeita clínica, a mãe deve procurar atendimento médico para uma avaliação individual”, completa.
Decisão não deve ser tomada sozinha
A conduta depende da causa, do tratamento necessário e da condição clínica de mãe e bebê. Isso significa que um diagnóstico ou o uso de um medicamento não deve levar automaticamente à interrupção definitiva. Em parte dos casos, é possível retomar o aleitamento depois que a condição que motivou a suspensão for controlada.
A avaliação também evita o movimento contrário, de manter a amamentação diante de uma contraindicação que ainda não foi identificada. Algumas infecções podem ser transmitidas ao bebê e provocar complicações, especialmente no período neonatal. “Por isso, na suspeita clínica, o acompanhamento médico é indispensável”, salienta Laura.
No Agosto Dourado, falar sobre amamentação também passa por reconhecer suas exceções. Identificar corretamente quando existe um risco permite evitar interrupções desnecessárias e, ao mesmo tempo, proteger mãe e bebê quando uma pausa ou suspensão é realmente indicada.
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