Deputados esvaziam sessões da Alego em meio à corrida eleitoral
Com todos os 41 parlamentares candidatos, presença de deputados no plenário da Assembleia despenca
Desde o fim do recesso parlamentar, a ausência de deputados estaduais nas sessões ordinárias da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) tornou-se corriqueira. Parte dos legisladores tem intensificado suas agendas no interior do Estado em razão das eleições de outubro e o trabalho parlamentar tem ficado em segundo plano.
Após a sessão da última terça-feira (11), o presidente da Alego, Bruno Peixoto (União Brasil), afirmou que os deputados que faltarem às sessões “serão punidos com o corte no salário”. “É evidente que temos que respeitar o período eleitoral, mas jamais deixarmos de trabalhar. O deputado ou deputada que não participar das sessões terá o corte no salário”, disse Peixoto em entrevista coletiva.
A declaração do presidente da Casa aconteceu em meio à baixa adesão de parlamentares às sessões. Desde o retorno dos trabalhos na Assembleia na semana passada com o fim do recesso parlamentar, poucos deputados têm comparecido presencialmente aos trabalhos do Legislativo. Todos os 41 deputados estaduais são candidatos. 36 irão disputar a reeleição, enquanto Bruno Peixoto, Lucas Calil (Solidariedade), Lucas do Vale (PSD), Dra. Zeli (PSD) e Ricardo Quirino (Republicanos) são candidatos a deputado federal.
Na sessão da última terça, o número de deputados presentes no plenário continuou menor do que os presentes via internet. A pouca presença dos deputados na Casa tem, inclusive, esvaziado os debates durante as sessões. Apenas dois parlamentares, Clécio Alves (PSDB) e Bia de Lima (PT), utilizaram a tribuna durante o pequeno expediente, momento reservado para que os legisladores debatam temas à sua escolha.
Votações em bloco
Além disso, as votações em bloco têm acelerado as votações e, na prática, inviabilizado as discussões dos projetos. Também na terça, os parlamentares aprovaram 100 dispositivos, entre projetos aptos à segunda e definitiva votação, votação preliminar, pareceres favoráveis da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e requerimentos, em pouco menos de uma hora.
Na última quarta-feira (5), os parlamentares aprovaram o requerimento de Karlos Cabral (PSB) que mantém o regime híbrido até o primeiro turno das eleições. Antônio Gomide (PT) e Clécio foram contrários à medida.
Aliás, Clécio, que é o 2º vice-presidente da Casa, tem presidido parte das sessões ordinárias. O tucano, que tem regido os trabalhos no parlamento na ausência de Bruno Peixoto, presidiu três das quatro sessões da Alego desde o retorno dos trabalhos, revezou o comando dos trabalhos com Bruno em duas sessões e presidiu uma por completo, que foi encerrada precocemente em razão da falta de quórum. O deputado Issy Quinan (MDB), 1º vice-presidente da Casa, tem participado de maneira remota das sessões.
Críticas à sessão híbrida
Clécio, inclusive, criticou o dispositivo no dia da votação e cobrou maior empenho dos parlamentares para estarem presentes no Legislativo estadual durante as sessões. “Todo mundo aqui quer ser reeleito. Eu também quero, mas vamos ficar aqui, dois ou três deputados, segurando cabra para os outros mamarem? Eu também quero ir para o interior e fazer meu trabalho, mas assim não dá”, reclamou.
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