BBB 26 – Possível envolvimento em escândalo não elimina candidatos
Fala-se em trocar os principais concorrentes à Presidência, mas acusações em véspera de eleição raramente se sustentam politicamente. Lula, em 2006, e Marconi Perillo e Dilma Rousseff, em 2014, conseguiram se reeleger apesar do Mensalão, do Caso Cachoeira e do Petrolão, até porque nada foi provado diretamente contra os três.
O ex-governador do Ceará, Camilo Santana, deixou o Ministério da Educação para eventualmente substituir dois companheiros petistas: seu sucessor no Estado, Elmano de Freitas, e até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por enquanto, Elmano continua no banco de reservas, já que os motivos que poderiam levar à troca historicamente se mostram frágeis.
As acusações de corrupção, como nos recentes escândalos envolvendo o Banco Master e o INSS, normalmente não derrubam candidaturas. Todos os partidos já enfrentaram situações semelhantes e nenhum perdeu eleição apenas por causa disso. Para muitos eleitores, político já é visto como alguém sujeito a esse tipo de prática, e a campanha eleitoral não funciona como um reality show, como o BBB, em que toda semana alguém precisa ser eliminado.
Polarização e desgaste equilibrado
Da mesma forma que se cogitou substituir Lula por Camilo Santana, também se comenta sobre uma eventual troca no PL: o senador Flávio Bolsonaro poderia dar lugar à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O motivo seria o áudio em que Flávio pede ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que cumpra uma promessa de financiamento para um filme sobre Jair Bolsonaro. O mesmo Banco Master também aparece no desgaste petista, já que dois ex-ministros do PT, Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, receberam milhões de Vorcaro.
Até aqui, os dois lados da polarização estão empatados politicamente, já que, até o momento, nada ilegal foi comprovado.
O caso INSS e os familiares de Lula
Outro episódio que gerou repercussão envolve descontos feitos por entidades supostamente representativas de trabalhadores em aposentadorias de idosos, em possível conluio com o INSS.
Dois familiares de Lula apareceram no noticiário: o filho Fábio Lulinha e o irmão Frei Chico. As investigações continuam, mas, até agora, não surgiram elementos que liguem diretamente o presidente ao caso. O próprio Lula afirmou que não pretende proteger familiares envolvidos.
Diante disso, se as razões para substituir Lula fossem apenas essas, a tendência seria de manutenção da candidatura petista. Michelle Bolsonaro, por sua vez, deve continuar como candidata ao Senado pelo Distrito Federal, como deseja Jair Bolsonaro.
Escândalos que não impediram reeleições
Em vez de enfraquecer candidaturas, escândalos muitas vezes acabam fortalecendo os envolvidos. O Mensalão, por exemplo, explodiu em 2005 e levou à cassação de mandatos e condenações. Mesmo assim, Lula foi reeleito em 2006 e deixou o governo com popularidade suficiente para eleger Dilma Rousseff como sucessora.
Mais tarde, Lula seria preso e Dilma sofreria impeachment, mas ambos os episódios ocorreram por razões diferentes das denúncias do Mensalão.
Dilma também enfrentou forte desgaste em 2013, com manifestações nas ruas e o avanço da Operação Lava Jato em 2014. Ainda assim, venceu Aécio Neves na disputa presidencial daquele ano.
No mesmo período, Marconi Perillo também foi reeleito governador de Goiás, apesar de ter sido citado no Caso Cachoeira, investigado pela Operação Monte Carlo. Já a Operação Miqueias expôs os então políticos Daniel Vilela e Leandro Vilela, sem impedir que ambos seguissem trajetórias políticas bem-sucedidas.
Acusados seguem fortalecidos politicamente
Outro ponto em comum entre os casos citados é que nenhum dos principais nomes foi condenado, e muitos acabaram fortalecidos politicamente.
Dilma Rousseff hoje preside o banco dos Brics, enquanto Lula voltou à Presidência da República. Leandro Vilela é prefeito de Aparecida de Goiânia, e Daniel Vilela ocupa o cargo de governador de Goiás.
Até mesmo nomes ligados à Lava Jato seguem ativos politicamente. Aécio Neves e Sergio Moro são pré-candidatos, respectivamente, ao Senado em Minas Gerais e ao governo do Paraná.
Lava Jato perdeu força ao longo do tempo
A Operação Lava Jato começou com grande apoio popular e imagem de eficiência, mas terminou cercada de críticas e sem punições definitivas para muitos envolvidos.
Entre os nomes citados nas investigações esteve o empresário Sandro Mabel, então homem forte do governo Michel Temer. Ligado ao setor alimentício, Mabel recebeu o apelido de “Biscoito” em planilhas de empreiteiras.
A acusação, porém, não teve consequências judiciais. Posteriormente, Mabel ganhou força como representante do empresariado na Federação das Indústrias de Goiás (Fieg) e hoje é prefeito de Goiânia.
O histórico recente mostra que, mais do que perdoar, o eleitor costuma reagir à falta de provas concretas contra os acusados.(Especial para O HOJE)