sexta-feira, 23 de outubro de 2026
DIVERGÊNCIAS

Brics se divide e reunião termina sem declaração conjunta

O encontro entre chanceleres do bloco foi finalizado apenas com um documento presidencial após divergências internas

Lalice Fernandespor em
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Chanceleres do bloco reunidos durante encontro (Foto: Reprodução/ @narendramodi)

A reunião de chanceleres do Brics terminou nesta sexta-feira (15), em Nova Déli, sem a divulgação de uma declaração conjunta e expôs dificuldades do bloco para alcançar consenso em temas centrais da política internacional. Após dois dias de encontros na capital indiana, os integrantes divulgaram apenas uma nota da presidência da Índia, documento que reconheceu divergências internas sobre conflitos no Oriente Médio e sobre a situação na Faixa de Gaza.

O encontro reuniu representantes de Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Etiópia, Egito, Irã e Emirados Árabes Unidos em um momento de ampliação das tensões geopolíticas e de tentativa do grupo de fortalecer a atuação no Sul Global. Ao longo das discussões, os chanceleres abordaram temas ligados à guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, segurança marítima, soberania territorial, conflitos regionais e desafios econômicos internacionais.

As negociações para uma declaração conjunta esbarraram principalmente nas divergências sobre o conflito no Oriente Médio. O Irã defendia que o Brics condenasse diretamente as ações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel contra o país. Ao mesmo tempo, autoridades iranianas acusaram os Emirados Árabes Unidos, integrante do bloco e aliado de Washington, de participação em operações militares contra Teerã.

A ausência de acordo levou a Índia, anfitriã da reunião, a publicar apenas uma nota presidencial. No documento, o governo indiano reconheceu a existência de posições distintas entre os países integrantes. “Houve opiniões divergentes entre alguns integrantes em relação à situação na região do Oriente Médio e da Ásia Ocidental”, informou o comunicado.

Durante entrevista coletiva após o encerramento da reunião, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que um integrante do Brics vetou partes do texto negociado pelos chanceleres. Sem citar diretamente os Emirados Árabes Unidos, ele relacionou o impasse ao atual conflito regional.

“Não temos dificuldades com esse país em particular; eles não foram nosso alvo na guerra atual. Atacamos apenas bases e instalações militares americanas que, infelizmente, estão em território deles”, declarou o chanceler iraniano.

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Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante reunião do Brics (Foto: Reprodução/ @Iran_GOV)

 

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Araghchi também afirmou esperar avanço nas negociações até a próxima cúpula de líderes do Brics, prevista para este ano. “Espero que, quando chegarmos à cúpula, eles cheguem a um bom entendimento de que o Irã é um vizinho, que temos que conviver, que convivemos há séculos e que continuaremos a conviver pelos séculos que virão”, disse.

Brics debatem situação da Faixa de Gaza

Além das discussões sobre o Oriente Médio, os chanceleres também debateram a situação palestina. A nota da presidência afirmou que os ministros recordaram que a Faixa de Gaza é “parte inseparável do Território Palestino Ocupado”. O texto ainda defendeu a unificação da Cisjordânia e de Gaza sob a Autoridade Palestina e reafirmou o direito dos palestinos à autodeterminação e à criação de um Estado independente.

A reunião também tratou de temas ligados ao comércio internacional e à estabilidade global. Os integrantes discutiram a necessidade de garantir segurança às rotas marítimas internacionais, proteger infraestruturas civis e preservar o funcionamento das cadeias comerciais em meio aos conflitos.

No documento final, a Índia destacou que os países defenderam maior articulação entre as nações em desenvolvimento diante do cenário internacional. A nota afirmou que o Sul Global pode atuar como “motor de mudanças positivas” em um contexto marcado por tensões geopolíticas.

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