quarta-feira, 9 de setembro de 2026
DIVERGÊNCIAS

Brics se divide e reunião termina sem declaração conjunta

O encontro entre chanceleres do bloco foi finalizado apenas com um documento presidencial após divergências internas

Lalice Fernandespor em
brics
Chanceleres do bloco reunidos durante encontro (Foto: Reprodução/ @narendramodi)

A reunião de chanceleres do Brics terminou nesta sexta-feira (15), em Nova Déli, sem a divulgação de uma declaração conjunta e expôs dificuldades do bloco para alcançar consenso em temas centrais da política internacional. Após dois dias de encontros na capital indiana, os integrantes divulgaram apenas uma nota da presidência da Índia, documento que reconheceu divergências internas sobre conflitos no Oriente Médio e sobre a situação na Faixa de Gaza.

O encontro reuniu representantes de Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Etiópia, Egito, Irã e Emirados Árabes Unidos em um momento de ampliação das tensões geopolíticas e de tentativa do grupo de fortalecer a atuação no Sul Global. Ao longo das discussões, os chanceleres abordaram temas ligados à guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, segurança marítima, soberania territorial, conflitos regionais e desafios econômicos internacionais.

As negociações para uma declaração conjunta esbarraram principalmente nas divergências sobre o conflito no Oriente Médio. O Irã defendia que o Brics condenasse diretamente as ações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel contra o país. Ao mesmo tempo, autoridades iranianas acusaram os Emirados Árabes Unidos, integrante do bloco e aliado de Washington, de participação em operações militares contra Teerã.

A ausência de acordo levou a Índia, anfitriã da reunião, a publicar apenas uma nota presidencial. No documento, o governo indiano reconheceu a existência de posições distintas entre os países integrantes. “Houve opiniões divergentes entre alguns integrantes em relação à situação na região do Oriente Médio e da Ásia Ocidental”, informou o comunicado.

Durante entrevista coletiva após o encerramento da reunião, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que um integrante do Brics vetou partes do texto negociado pelos chanceleres. Sem citar diretamente os Emirados Árabes Unidos, ele relacionou o impasse ao atual conflito regional.

“Não temos dificuldades com esse país em particular; eles não foram nosso alvo na guerra atual. Atacamos apenas bases e instalações militares americanas que, infelizmente, estão em território deles”, declarou o chanceler iraniano.

brics
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante reunião do Brics (Foto: Reprodução/ @Iran_GOV)

 

Leia mais: Trégua no Irã está ‘por um fio’ após Trump rejeitar acordo

Leia mais: “Isso não significa rendição”: Irã envia resposta para proposta dos EUA

Leia mais: Ormuz é palco de ataques, mas ‘o cessar-fogo continua’

 

Araghchi também afirmou esperar avanço nas negociações até a próxima cúpula de líderes do Brics, prevista para este ano. “Espero que, quando chegarmos à cúpula, eles cheguem a um bom entendimento de que o Irã é um vizinho, que temos que conviver, que convivemos há séculos e que continuaremos a conviver pelos séculos que virão”, disse.

Brics debatem situação da Faixa de Gaza

Além das discussões sobre o Oriente Médio, os chanceleres também debateram a situação palestina. A nota da presidência afirmou que os ministros recordaram que a Faixa de Gaza é “parte inseparável do Território Palestino Ocupado”. O texto ainda defendeu a unificação da Cisjordânia e de Gaza sob a Autoridade Palestina e reafirmou o direito dos palestinos à autodeterminação e à criação de um Estado independente.

A reunião também tratou de temas ligados ao comércio internacional e à estabilidade global. Os integrantes discutiram a necessidade de garantir segurança às rotas marítimas internacionais, proteger infraestruturas civis e preservar o funcionamento das cadeias comerciais em meio aos conflitos.

No documento final, a Índia destacou que os países defenderam maior articulação entre as nações em desenvolvimento diante do cenário internacional. A nota afirmou que o Sul Global pode atuar como “motor de mudanças positivas” em um contexto marcado por tensões geopolíticas.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Brics faixa de gaza Oriente Médio

Veja também

Austrália quer dar ao usuário controle sobre o algoritmo das redes sociais

MAIS CONTROLE

Austrália quer dar ao usuário controle sobre o algoritmo das redes sociais

Proposta permite escolher entre recomendações personalizadas ou apenas publicações de perfis seg...
Rússia e Coreia do Norte colocam em operação nova ligação rodoviária

APROXIMAÇÃO

Rússia e Coreia do Norte colocam em operação nova ligação rodoviária

Ponte sobre o rio Tumen terá uso inicial para cargas e deve receber passageiros até o fim do ano
Barcos afundados transformaram fundo arenoso em recife artificial próximo a Gibraltar

Recife artificial

Barcos afundados transformaram fundo arenoso em recife artificial próximo a Gibraltar

Iniciativa iniciada pelo mergulhador Eric Shaw, em 1973, resultou em uma rede com mais de 30 embarca...
Ilha Cabo Verde

acidente

Acidente de ônibus deixa ao menos 25 mortos em Cabo Verde

Maioria das vítimas era formada por crianças e adolescentes que retornavam de uma excursão
Alemanha extremanha

extrema direita

Extrema direita lidera eleições na Alemanha, aponta boca de urna

AfD alcança 44% dos votos em Saxônia-Anhalt e pode conquistar a maior bancada do Parlamento estadu...
voo

CONFUSÃO EM VOO

Idoso é imobilizado com fita adesiva após ofensas em voo nos EUA

Passageiro de 67 anos teria proferido ofensas racistas e homofóbicas e precisou ser contido por out...
Megaterremoto de 2025 pode ter reativado vulcão adormecido há 475 anos na Rússia

tremor de magnitude 8,8

Megaterremoto de 2025 pode ter reativado vulcão adormecido há 475 anos na Rússia

Pesquisadores da Universidade de Exeter analisaram relação entre o tremor de 2025 em Kamchatka e a...
Trump

NEGOCIAÇÕES

Enviados de Trump chegam à Rússia para discutir fim da guerra

Witkoff e Kushner pousam em Moscou com proposta de paz enquanto mísseis russos atingem Kiev