quinta-feira, 3 de setembro de 2026
NEGOCIAÇÕES NO ORIENTE MÉDIO

“Isso não significa rendição”: Irã envia resposta para proposta dos EUA

Governo iraniano envia resposta por meio do Paquistão com foco no fim do conflito e na segurança marítima em Ormuz

Lalice Fernandespor em
ira
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi (Foto: Reprodução/ @araghchi)

O governo do Irã enviou neste domingo (10) uma resposta oficial à proposta apresentada pelos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio, mas o movimento diplomático veio acompanhado de novas ameaças de autoridades iranianas sobre o controle do Estreito de Ormuz e possíveis retaliações contra interesses norte-americanos na região.

Segundo a agência estatal Irna, a mensagem foi entregue aos norte-americanos por meio de um mediador do Paquistão. O conteúdo da resposta não foi divulgado integralmente, mas, de acordo com a imprensa iraniana, o foco das negociações está concentrado no fim do conflito e na segurança marítima no Golfo Pérsico.

O memorando apresentado pelos EUA, citado pelo The Wall Street Journal, teria uma página e 14 tópicos voltados à criação de parâmetros para um mês de negociações entre os dois países. Mesmo com a troca de mensagens, integrantes do governo iraniano adotaram um tom duro ao longo do domingo.

Governo iraniano afirma que não recuará

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a abertura para diálogo não representa recuo diante dos adversários. Em publicação nas redes sociais, declarou que “jamais nos curvaremos diante do inimigo, e se surgir a conversa sobre diálogo ou negociação, isso não significa rendição ou recuo”.

Já o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, advertiu os EUA contra qualquer ação militar contra embarcações iranianas no Golfo. “Nossa moderação terminou a partir de hoje. Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas”, afirmou.

ira
Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian (Foto: Reprodução/ @drpezeshkian)

 

Leia mais: Ormuz é palco de ataques, mas ‘o cessar-fogo continua’

Leia mais: Lula propõe prazo de 30 dias para Brasil e EUA negociarem tarifas com governo Trump

Leia mais: Lula saiu da reunião com Trump falando em “amor à primeira vista”

 

As ameaças se intensificaram em torno do Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o transporte global de petróleo e gás natural. Desde o início da guerra, o Teerã mantém restrições severas à navegação na área. O governo dos EUA anunciou em maio novas sanções contra interesses iranianos e advertiu embarcações comerciais sobre possíveis punições caso realizem pagamentos às autoridades de Teerã para atravessar o estreito.

Neste domingo, o militar iraniano Mohammad Akraminia afirmou que o país criou um novo sistema jurídico e de segurança para controlar a passagem marítima. Segundo ele, qualquer embarcação que deseje cruzar a região deverá coordenar previamente a travessia com o Irã. O oficial também ameaçou países que aderirem às sanções, afirmando que essas nações enfrentarão dificuldades para utilizar a rota marítima.

No sábado (9), o presidente da comissão parlamentar de Segurança Nacional do Irã, Ebrahim Azizi, já havia direcionado críticas ao Bahrein e a outros aliados dos Estados Unidos por apoiarem uma proposta levada ao Conselho de Segurança da ONU para pressionar Teerã a interromper restrições à navegação no estreito.

“Aos governos como o país microscópico de Bahrein, que está acompanhando a resolução americana, alertamos sobre as graves consequências desta ação. Não fechem para sempre as portas do Estreito de Ormuz para si mesmos!”, escreveu.

Estados Unidos e Bahrein apresentaram uma resolução cobrando o fim das barreiras impostas pelo país persa, mas a Rússia indicou que pode vetar o texto no Conselho de Segurança. Moscou tem mantido apoio diplomático ao governo de Teerã desde o início da guerra.

O conflito começou em 28 de fevereiro, após uma ofensiva coordenada entre Estados Unidos e Israel atingir Teerã e matar o líder supremo, Ali Khamenei. Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos EUA, mais de 1,9 mil civis morreram no Irã desde o início da guerra.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Estados Unidos Ira!

Veja também

eua

Estreito de Trump

Trump sugere renomear Estreito de Ormuz como “Estreito de Trump”

Trump fez a declaração em publicação nas redes sociais, em meio à disputa com o Irã pela estra...
petróleo

INTERNACIONAL

Acordo entre EUA e Venezuela prevê direitos sobre petróleo por 100 anos

Acordo envolve 17 campos de petróleo e prevê participação dos Estados Unidos na produção venez...
robô aspirador

prisão e multa

Homem usa robô aspirador para flagrar traição da esposa e acaba preso; entenda o caso

Imagens capturadas pelo equipamento foram aceitas inicialmente pela Justiça de Taiwan, mas coleta f...
Cheia no Grand Canyon (EUA) deixa mais de 20 pessoas desaparecidas

ESTADOS UNIDOS

Cheia no Grand Canyon (EUA) deixa mais de 20 pessoas desaparecidas

Buscas foram iniciadas após uma forte chuva provocar uma inundação repentina e atingir áreas vis...
Trump diz que petróleo da Venezuela será usado para reabastecer reserva estratégica dos EUA

EUA x Venezuela

Trump diz que petróleo da Venezuela será usado para reabastecer reserva estratégica dos EUA

Acordo energético prevê ampliar produção venezuelana e pode render US$ 209 bilhões ao Estado do...
venez

Nicolás Maduro

Perfil de Maduro divulga fotos do ex-presidente em prisão de Nova York

Imagens mostram líder chavista uniformizado dentro da unidade onde está detido nos Estados Unidos ...
Fortuna de Elon Musk chega a US$ 870 bilhões e supera PIB de quase toda a América do Sul

Elon Musk

Fortuna de Elon Musk chega a US$ 870 bilhões e supera PIB de quase toda a América do Sul

Patrimônio do empresário só fica abaixo da economia brasileira entre os países sul-americanos, s...
Cascas de laranja transformam área degradada em floresta na Costa Rica

resultado inesperado

Cascas de laranja transformam área degradada em floresta na Costa Rica

Experimento iniciado nos anos 1990 mostrou que resíduos agrícolas podem recuperar solos e aumentar...