sexta-feira, 16 de outubro de 2026
NEGOCIAÇÕES NO ORIENTE MÉDIO

“Isso não significa rendição”: Irã envia resposta para proposta dos EUA

Governo iraniano envia resposta por meio do Paquistão com foco no fim do conflito e na segurança marítima em Ormuz

Lalice Fernandespor em
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Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi (Foto: Reprodução/ @araghchi)

O governo do Irã enviou neste domingo (10) uma resposta oficial à proposta apresentada pelos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio, mas o movimento diplomático veio acompanhado de novas ameaças de autoridades iranianas sobre o controle do Estreito de Ormuz e possíveis retaliações contra interesses norte-americanos na região.

Segundo a agência estatal Irna, a mensagem foi entregue aos norte-americanos por meio de um mediador do Paquistão. O conteúdo da resposta não foi divulgado integralmente, mas, de acordo com a imprensa iraniana, o foco das negociações está concentrado no fim do conflito e na segurança marítima no Golfo Pérsico.

O memorando apresentado pelos EUA, citado pelo The Wall Street Journal, teria uma página e 14 tópicos voltados à criação de parâmetros para um mês de negociações entre os dois países. Mesmo com a troca de mensagens, integrantes do governo iraniano adotaram um tom duro ao longo do domingo.

Governo iraniano afirma que não recuará

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a abertura para diálogo não representa recuo diante dos adversários. Em publicação nas redes sociais, declarou que “jamais nos curvaremos diante do inimigo, e se surgir a conversa sobre diálogo ou negociação, isso não significa rendição ou recuo”.

Já o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, advertiu os EUA contra qualquer ação militar contra embarcações iranianas no Golfo. “Nossa moderação terminou a partir de hoje. Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas”, afirmou.

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Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian (Foto: Reprodução/ @drpezeshkian)

 

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As ameaças se intensificaram em torno do Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o transporte global de petróleo e gás natural. Desde o início da guerra, o Teerã mantém restrições severas à navegação na área. O governo dos EUA anunciou em maio novas sanções contra interesses iranianos e advertiu embarcações comerciais sobre possíveis punições caso realizem pagamentos às autoridades de Teerã para atravessar o estreito.

Neste domingo, o militar iraniano Mohammad Akraminia afirmou que o país criou um novo sistema jurídico e de segurança para controlar a passagem marítima. Segundo ele, qualquer embarcação que deseje cruzar a região deverá coordenar previamente a travessia com o Irã. O oficial também ameaçou países que aderirem às sanções, afirmando que essas nações enfrentarão dificuldades para utilizar a rota marítima.

No sábado (9), o presidente da comissão parlamentar de Segurança Nacional do Irã, Ebrahim Azizi, já havia direcionado críticas ao Bahrein e a outros aliados dos Estados Unidos por apoiarem uma proposta levada ao Conselho de Segurança da ONU para pressionar Teerã a interromper restrições à navegação no estreito.

“Aos governos como o país microscópico de Bahrein, que está acompanhando a resolução americana, alertamos sobre as graves consequências desta ação. Não fechem para sempre as portas do Estreito de Ormuz para si mesmos!”, escreveu.

Estados Unidos e Bahrein apresentaram uma resolução cobrando o fim das barreiras impostas pelo país persa, mas a Rússia indicou que pode vetar o texto no Conselho de Segurança. Moscou tem mantido apoio diplomático ao governo de Teerã desde o início da guerra.

O conflito começou em 28 de fevereiro, após uma ofensiva coordenada entre Estados Unidos e Israel atingir Teerã e matar o líder supremo, Ali Khamenei. Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos EUA, mais de 1,9 mil civis morreram no Irã desde o início da guerra.

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