sexta-feira, 8 de maio de 2026
EUA X IRÃ

Ormuz é palco de ataques, mas ‘o cessar-fogo continua’

Washington aguarda resposta de Teerã sobre acordo enquanto novos confrontos elevam tensão durante trégua temporária

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 8 de maio de 2026
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Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (Foto: Molly Riley/ Casa Branca)

Tiros e explosões foram registrados no Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (8), em mais um capítulo da escalada militar entre Estados Unidos e Irã, apesar das declarações de Washington de que o cessar-fogo firmado entre os dois países segue em vigor. O confronto ocorreu após forças norte-americanas atacarem dois navios ligados ao governo iraniano que tentavam romper o bloqueio imposto pelos EUA na região do Golfo de Omã.

A agência semioficial iraniana Tasnim informou que houve uma “troca limitada de tiros” entre militares dos dois países nas proximidades do estreito, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo. Segundo a publicação, os disparos puderam ser ouvidos por cerca de duas horas em áreas próximas à passagem marítima.

Mais cedo, o Comando Central dos EUA afirmou ter interceptado dois petroleiros com bandeira iraniana que tentavam acessar um porto no Golfo de Omã em meio às restrições impostas por Washington. Na quinta-feira (7), os dois lados já haviam trocado ataques na região de Ormuz, com acusações mútuas de disparos contra embarcações.

A nova tensão ocorre dias após intensas negociações diplomáticas para preservar o cessar-fogo iniciado em 7 de abril. Mesmo diante dos confrontos, o presidente, Donald Trump, insistiu que a trégua permanece válida. Ao comentar os ataques norte-americanos contra instalações militares iranianas, o republicano minimizou as ações: “foi só um tapinha de leve”. Questionado se a ofensiva representava o fim da trégua, respondeu que “o cessar-fogo continua”.

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Estreito de Ormuz (Foto: Reprodução/ Google Maps)

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Horas depois, Trump endureceu o discurso ao ameaçar novas ações militares caso não haja avanço nas negociações com Teerã. “Eles nos provocaram hoje. Nós os pulverizamos… Se não houver trégua, você não vai precisar saber. Você só vai ter que olhar para um grande brilho saindo do Irã. E é melhor eles assinarem o acordo rápido”, declarou a jornalistas.

Washington espera resposta iraniana sobre proposta de paz

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou na sexta-feira, que Washington ainda aguardava uma resposta oficial do Irã sobre a proposta norte-americana para encerrar as hostilidades. “Podemos saber algo hoje [sexta-feira]. Estamos aguardando uma resposta deles e veremos o que ela implica”, afirmou Rubio.

Ainda, o secretário reiterou que os EUA não aceitarão que Teerã desenvolva armas nucleares, um dos principais pontos de impasse entre os dois países. Rubio também criticou informações de que o Irã estaria tentando criar uma agência para controlar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Para ele, uma eventual supervisão iraniana sobre águas internacionais seria “inaceitável” e ilegal. Até a última atualização desta reportagem, Teerã não havia dado retorno a Washington.

Lula entrega cópia do acordo firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã

A tensão no Oriente Médio também entrou na pauta da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca. Lula afirmou ter entregue ao republicano uma cópia do acordo firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã sobre o enriquecimento de urânio para fins pacíficos.

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Foto: Ricardo Stuckert/ PR

“Entreguei para ele o acordo que nós fizemos em 2010. É muito melhor do que o que eles fizeram um tempo atrás”, declarou o presidente brasileiro. O petista também defendeu o desarmamento nuclear e afirmou que as potências atômicas deveriam liderar esse processo. “Ninguém desativou nada. De lá pra cá, a China criou, a Índia criou, a Coreia do Norte criou, o Paquistão criou”, disse.

Lula afirmou ainda que está disposto a atuar como mediador em futuras negociações envolvendo o governo iraniano. “Se precisar conversar, outra vez eu conversarei. É possível convencer”, declarou.

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