Trump diz que acompanha as eleições brasileiras “muito de perto”
Presidente dos EUA não cita candidatos e faz declaração em meio a acusações de interferência no pleito
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras, nesta quinta-feira (1º). A declaração ocorreu a três dias do primeiro turno, durante conversa com jornalistas na Casa Branca.
“O Brasil é um país importante, um país muito bom, as pessoas do Brasil são fantásticas. Eleição muito importante”, disse o republicano.
Trump não mencionou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL), os dois candidatos que aparecem à frente na disputa presidencial. Também não declarou apoio a nenhum dos concorrentes.
A manifestação ocorre em um momento de atenção crescente sobre a atuação dos Estados Unidos em relação ao processo eleitoral brasileiro. Nos últimos meses, medidas adotadas pelo governo Trump, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades, ampliaram a tensão entre os países. Parlamentares democratas americanos também passaram a cobrar publicamente que Washington não interfira na eleição e reconheça o resultado das urnas independentemente do vencedor.
Em uma carta enviada nesta semana ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, os senadores Peter Welch, Tim Kaine e Jeanne Shaheen acusaram o governo Trump de promover uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil. O documento cita medidas adotadas pelos Estados Unidos durante o período eleitoral e pede garantias de respeito ao resultado do pleito.
No Brasil, a possibilidade de influência estrangeira também passou a ser tratada como uma preocupação pelas autoridades. A tensão ganhou espaço no discurso de Lula durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York na semana passada. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse o presidente brasileiro durante o evento.
Pressão sobre o Brasil
A relação entre Trump e o cenário eleitoral brasileiro já havia aparecido em agosto, quando o presidente americano conversou por telefone com Lula e questionou o andamento e a preparação do país para o processo eleitoral.
Desde então, o governo brasileiro passou a reagir a medidas tomadas por Washington que considera parte de uma pressão sobre o país. Entre elas estão o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros e medidas relacionadas à representação diplomática brasileira nos Estados Unidos.
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