EUA rejeitam nova resposta iraniana para acordo de paz
Negociações entre EUA e Irã travam após Washington rejeitar nova proposta enviada por Teerã por mediação do Paquistão
Os Estados Unidos rejeitaram novamente nesta segunda-feira (18) uma nova proposta apresentada pelo Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio, ampliando o clima de tensão e alimentando o temor de uma nova escalada militar na região. A resposta iraniana havia sido enviada por meio do Paquistão, que atua como mediador das negociações, mas integrantes do governo dos EUA avaliaram que o texto não trouxe avanços suficientes para viabilizar um acordo definitivo.
Segundo fontes da Casa Branca ouvidas pelo site Axios, o governo do presidente Donald Trump considerou a proposta “insuficiente” e sem mudanças significativas em relação às versões anteriores. Ainda de acordo com o portal norte-americano, Trump discutiu com auxiliares a possibilidade de abandonar as negociações caso Teerã mantenha posições consideradas inaceitáveis pelos EUA.
O endurecimento do discurso norte-americano já havia sido sinalizado no domingo (17), quando Trump afirmou que “o tempo está se esgotando” para um entendimento entre os dois países. O presidente ainda publicou mensagens provocativas na rede Truth Social, incluindo imagens do território iraniano cercado por setas apontadas a partir de países vizinhos.
Ainda, em entrevista publicada nesta segunda-feira pela revista Fortune, Trump afirmou que o Irã está “ansioso para assinar” um acordo de cessar-fogo, mas acusou Teerã de mudar constantemente os termos negociados. “Eles gritam o tempo todo. Posso afirmar uma coisa: eles estão loucos para fechar um acordo. Mas eles fecham o acordo e depois enviam um documento que não tem nada a ver com o acordo feito. Eu digo: ‘Vocês estão malucos?’”, afirmou o republicano.
Do lado iraniano, o discurso também subiu de tom. O porta-voz da chancelaria do país, Esmaeil Baghaei, afirmou que o governo está preparado “para todos os cenários” diante da deterioração das conversas. Em entrevista coletiva televisionada, ele declarou: “Quanto às ameaças, podem ter certeza de que sabemos exatamente como responder adequadamente até mesmo ao menor erro da parte contrária”.
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EUA ampliam isenção de sanções ao petróleo russo
A rejeição da proposta ocorre em meio a sinais contraditórios sobre possíveis flexibilizações econômicas. A agência iraniana Tasnim informou, citando uma fonte próxima à equipe negociadora do país, que os Estados Unidos aceitaram suspender temporariamente restrições sobre exportações de petróleo iraniano durante o período das negociações.
Também nesta segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou a ampliação por mais 30 dias de uma licença temporária para permitir a venda de parte do petróleo russo sancionado que permanece retido no mar. Segundo ele, a medida busca evitar desabastecimento energético em países vulneráveis e reduzir impactos sobre o mercado internacional de petróleo.

Em publicação no X, Bessent afirmou que a licença dará “flexibilidade adicional” aos países afetados pela crise energética. O secretário também declarou que a medida ajudará a reduzir a capacidade da China de ampliar estoques de petróleo com descontos obtidos durante a guerra.
O conflito também avançou para outras frentes no Oriente Médio. Nesta segunda-feira, Israel realizou novos bombardeios no sul libanês, segundo fontes de segurança locais e a agência estatal do país. O Ministério da Saúde do Líbano informou que o número de mortos no país chegou a 2.988 desde o início da guerra, em 2 de março. Entre as vítimas estão 613 mulheres, crianças e profissionais de saúde.