sexta-feira, 9 de outubro de 2026
TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Estreito de Ormuz enfrenta escalada durante cessar-fogo

Impasse na passagem marítima persiste, com ameaças mútuas durante análise de propostas de paz e cessar-fogo em vigor

Lalice Fernandespor em
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Foto: Daniel Torok/ Casa Branca

A escalada de tensões no Estreito de Ormuz voltou ao centro do conflito entre Estados Unidos e Irã, mesmo sob um cessar-fogo que vigora desde o início de abril. A via marítima, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, permanece fechada desde 28 de fevereiro, quando tiveram início os confrontos envolvendo forças norte-americanas, israelenses e iranianas. Desde então, a circulação de navios comerciais na região tem sido mínima, ampliando a pressão internacional por uma solução.

Nesta segunda-feira (4), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novas ameaças ao Irã ao afirmar que o país “será varrido da face da Terra” caso ataque embarcações norte-americanas que atuam no Golfo Pérsico. A declaração foi dada em entrevista à emissora Fox News e divulgada pelo repórter Trey Yingst, que afirmou ter conversado com o presidente por cerca de 20 minutos. No mesmo dia, Washington iniciou a operação “Projeto Liberdade”, com o objetivo de garantir a travessia de navios pela região.

A iniciativa prevê a atuação de destróieres com mísseis guiados, aeronaves e milhares de militares para criar um sistema de proteção à navegação comercial. Segundo o Comando Central dos EUA, duas embarcações com bandeira norte-americana já atravessaram o estreito como parte da missão. A operação ocorre em meio a acusações de que o Irã estaria bloqueando a passagem e exigindo coordenação prévia com Teerã para qualquer trânsito marítimo.

 

Leia mais: Irã diz ter barrado navio de guerra dos EUA no estreito de Ormuz; Washington nega ataque e tensão cresce no Golfo

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Também na segunda, Trump afirmou que forças norte-americanas derrubaram sete embarcações iranianas descritas como barcos “rápidos”. O governo iraniano negou a informação. Mais cedo, autoridades dos Estados Unidos haviam informado a destruição de seis embarcações após ataques com mísseis, drones e aproximação de barcos iranianos contra navios militares e comerciais. As ações teriam sido conduzidas com apoio de helicópteros Apache e SH-60 Seahawk.

Governo iraniano afirma que mantém “controle total” de Ormuz

Do lado iraniano, o tom também se manteve elevado. Um comunicado militar advertiu que qualquer força estrangeira que tente se aproximar do estreito será alvo de ataque. O comandante Abdolrahim Mousavi Abdollahi afirmou que o país mantém “controle total” da região e reiterou que a passagem de navios deve ser coordenada com o governo iraniano. A Guarda Revolucionária reforçou que movimentações contrárias às diretrizes impostas serão consideradas de risco e poderão ser interceptadas.

Ainda, a divulgação de um novo mapa pelo Irã ampliou o clima de tensão. O documento apresenta linhas vermelhas que delimitariam áreas sob controle das forças iranianas, incluindo trechos estratégicos entre a ilha de Qeshm e a costa dos Emirados Árabes Unidos, além da faixa entre Omã e o território iraniano ao sul do estreito.

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Foto: Divulgação/Irib News

Apesar do cessar-fogo, as ações militares indicam um cenário de instabilidade contínua. Os Estados Unidos afirmam atuar de forma defensiva, com o objetivo de garantir a saída segura de navios do Golfo Pérsico. O almirante Bradley Cooper declarou que a estratégia vai além de escoltas diretas, envolvendo múltiplas camadas de proteção, como vigilância aérea e guerra eletrônica. Cooper ainda foi cauteloso sobre o cessar-fogo em vigor: “Não vou entrar em detalhes sobre se o cessar-fogo acabou ou não”.

Paralelamente às movimentações militares, seguem tentativas de negociação. O Irã informou ter recebido uma resposta dos EUA a uma proposta de 14 pontos para encerrar o conflito, enviada por meio do Paquistão. O conteúdo está em análise, sem previsão de avanço imediato.

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Estados Unidos Estreito de Ormuz Ira!

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