Irã diz ter barrado navio de guerra dos EUA no estreito de Ormuz; Washington nega ataque e tensão cresce no Golfo
Teerã relata ação militar após alertas a forças estrangeiras, enquanto os Estados Unidos contestam versão iraniana em meio à crise marítima
O estreito de Ormuz voltou ao centro da crise no Oriente Médio nesta segunda-feira (4) após a Marinha do Irã afirmar que impediu a entrada de navios de guerra ligados aos Estados Unidos e a Israel na rota estratégica. A televisão estatal iraniana divulgou que forças do país interceptaram embarcações após ordens de advertência, enquanto a agência Fars informou que dois mísseis atingiram um navio militar americano perto de Jask, no Golfo de Omã. Pouco depois, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) contestou a informação e declarou: “Nenhum navio da Marinha dos EUA foi atingido”.
A nova troca de acusações ocorre em meio ao agravamento do bloqueio marítimo na região, onde o Irã mantém restrições severas à circulação de embarcações desde o início do conflito envolvendo EUA, Israel e forças iranianas. A Reuters informou que não conseguiu verificar de forma independente os relatos divulgados pelas partes.
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Resposta americana
Horas antes da declaração iraniana, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos conduziriam navios retidos no Golfo para fora da área de conflito. Em publicação na Truth Social, Trump disse: “Dissemos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas hidrovias restritas, para que eles possam continuar livremente e habilmente com seus negócios”.
A declaração ocorreu enquanto embarcações comerciais seguem confinadas na região há mais de dois meses, enfrentando escassez de alimentos e suprimentos. Trump não detalhou como a operação seria executada nem quais países participariam da retirada.
Em resposta direta, o comando unificado das Forças Armadas iranianas reforçou que qualquer movimentação marítima no estreito deve passar por coordenação militar de Teerã. Ali Abdollahi, chefe do comando, afirmou: “Temos afirmado repetidamente que a segurança do Estreito de Ormuz está em nossas mãos”. Ele acrescentou: “Quaisquer forças armadas estrangeiras, especialmente o agressivo Exército dos EUA, serão atacadas se tentarem se aproximar e entrar no Estreito de Ormuz”.
🚫 CLAIM: Iranian state media claims that Iran’s Islamic Revolutionary Guard Corps hit a U.S. warship with two missiles.
✅ TRUTH: No U.S. Navy ships have been struck. U.S. forces are supporting Project Freedom and enforcing the naval blockade on Iranian ports. pic.twitter.com/VFxovxLU6G
— U.S. Central Command (@CENTCOM) May 4, 2026
Bloqueio afeta petróleo e comércio global
O estreito de Ormuz concentra uma das rotas energéticas mais importantes do planeta, por onde passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás. Desde o endurecimento das ações iranianas, quase toda a navegação comercial foi interrompida, com exceção de embarcações iranianas, segundo autoridades envolvidas no conflito.
O impacto no mercado internacional já aparece nos preços da energia, com o petróleo registrando alta superior a 50% desde o início da guerra, em meio ao temor de desabastecimento e pressão sobre cadeias globais de transporte.
Do lado americano, o CENTCOM informou que prepara uma operação de apoio com 15 mil militares, mais de 100 aeronaves, drones e navios de guerra para sustentar missões de escolta e manter pressão sobre os portos iranianos. O almirante Brad Cooper declarou: “Nosso apoio a essa missão defensiva é essencial para a segurança regional e a economia global, enquanto também mantemos o bloqueio naval”.