Análise

Hoje o MDB goiano flerta com o caiadismo, aliança de altos e baixos

“A aproximação do MDB com Caiado se deu em 2014, o que deixou muitas pessoas surpresas por duvidarem que isso pudesse acontecer”, destaca mestre em História

Marina Moreirapor Marina Moreira em 17 de maio de 2026
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A configuração do partido do governador Daniel Vilela nem sempre apresentou a harmonia que tem hoje, sobretudo com Caiado - Créditos: Divulgação Secom

Tem recebido destaque o partido do governador de Goiás, Daniel Vilela, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), tida como a maior legenda do Estado, após uma série de filiações oficializadas na última sexta-feira (15). 

O número de adeptos à sigla tem um propósito, assim como ocorre em todos os partidos que é o interesse pelo aumento da bancada nas casas legislativas e, no caso de Goiás, reeleger o chefe do Executivo goiano. 

Daniel é o primeiro nome do MDB a assumir o comando do Palácio das Esmeraldas após vinte anos da legenda fora do poder e, atualmente, é inegável que o partido tem somado forças para estimular seu crescimento o que tem como consequência a perda de membros de outros partidos que optam por integrar a sigla de Daniel que tem maior chance de eleger candidatos. 

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Governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB) – Foto: Divulgação

Na conjuntura política atual do partido, cabe reiterar que a sigla apoia a reeleição de Daniel para o governo de Goiás, o nome da ex-primeira-dama do Estado Gracinha Caiado (UB) é uma das alternativas mais defendidas pela legenda para o Senado e, para a Presidência da República, o ex-governador de Goiás e padrinho de Daniel, Ronaldo Caiado (PSD), é o preferido do MDB para disputar o comando Planalto. 

Porém, a configuração do partido no Estado nem sempre apresentou a harmonia que tem hoje, sobretudo com Caiado, uma vez que apenas em 2014 é que o partido de Daniel demonstra proximidade com o Democratas (DEM), atual União Brasil (UB), que tinha Caiado como uma de suas principais lideranças. 

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Daniel e Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência da República – Créditos: Hegon Corrêa

“A aliança do MDB com o DEM acontece em 2014 quando Ronaldo Caiado precisava de ajuda para disputar o Senado e foi eleito com a ajuda do partido. A partir daí, ambos os partidos se aproximaram, o que deixou muitas pessoas surpresas por duvidarem que isso pudesse acontecer”, analisa o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé. 

Acordo em Íris e Caiado

É possível constatar que a chegada de Daniel ao cargo de vice-governador na última gestão de Caiado à frente do governo de Goiás se deu devido a um acordo costurado pelo líder histórico do MDB, o ex-governador Íris Rezende, com o pré-candidato ao Planalto pelo PSD. 

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Ex-governador de Goiás, Íris Rezende (MDB) – Créditos: Carlos Costa

Tal parceria é vista como um dos principais motivos que colaboraram para o êxito expressivo de Caiado durante as duas disputas pela chefia do Executivo estadual. “Íris foi o responsável por essa aproximação entre o MDB com Caiado. É preciso destacar que quando surge o tempo novo, em 1998, quando o então Paulo Roberto da Costa desiste de disputar o governo do Estado e Marconi Perillo (PSDB) é escolhido como candidato, nomes que andaram com Perillo pelo interior do Estado foram Ronaldo Caiado, Jovair Arantes (PTB) entre outros. Então, durante muito tempo, Caiado foi da base aliada, o que permitiu que Marconi tivesse uma boa governabilidade”, pontua Zancopé. 

Influência da ditadura na política goiana

Íris Rezende sofreu perseguição pela Ditadura Militar em 1969 e teve seu cargo como prefeito de Goiânia ocupado por Leonino Caiado, primo de Ronaldo Caiado. Esse ocorrido, assim como várias outras rixas históricas entre Caiado e o MDB são vistos como motivo de Daniel fazer oposição ao Caiado na eleição de 2018. 

“É difícil saber quem foi a Brasília pedir a cabeça do Íris, mas podemos arriscar um palpite e dizer que foi o grupo do Otávio Lage [ex-governador de Goiás] que é o grupo que, naquele momento, encarava o Íris como maior ameaça. Não acho que o Leonino Caiado, nesse sentido, tenha sido um dos algozes do Íris. Pelo contrário, Leonino Caiado tem uma presença na política goiana que foi marcante, mas que não foi duradoura, pois foi eleito prefeito, depois governador e, após esse período, sai da política”, ressalta o mestre em História. 

Zancopé avalia como a política goiana é observada nos dias atuais. “Em 2014, quando há a saída do DEM e depois a eleição do Caiado, o chamado Tempo Novo na política goiana perdeu o sentido e não reflete mais a realidade dos partidos. Agora, a política é vista como vertentes, pois de um lado há o caiadismo com o emedebismo, do outro o bolsonarismo com o Wilder, além do marconismo e o petismo”, salienta Zancopé em entrevista ao O HOJE.  

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