Deputada do PL defende proposta que pode fazer brasileiro trabalhar até 52 horas por semana
Júlia Zanatta assinou emenda apoiada por aliados bolsonaristas, como Flávio Bolsonaro, que flexibiliza regras trabalhistas, reduz FGTS e abre caminho para aumento da carga horária no Brasil
O debate sobre o fim da escala 6×1 terminou em tumulto e protestos na Câmara dos Deputados, na terça-feira (19), após a deputada federal Júlia Zanatta (PL) defender a proposta que pode ampliar a jornada de trabalho dos brasileiros para até 52 horas semanais.
A reação veio imediatamente. Trabalhadores presentes na audiência vaiaram a parlamentar enquanto ela defendia a emenda apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP), texto que altera a PEC da jornada de trabalho e cria mecanismos de flexibilização das regras trabalhistas.
A proposta ganhou força entre parlamentares da direita e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro chegou a defender publicamente modelos alternativos baseados em pagamento por hora trabalhada como resposta às discussões sobre o fim da escala 6×1.
Na prática, a emenda muda completamente o sentido original da PEC. Em vez de reduzir a carga horária dos trabalhadores, o texto autoriza que acordos coletivos e individuais ampliem a jornada em até 30% acima do limite estabelecido. Isso abre caminho para semanas de até 52 horas de trabalho.
Além disso, a proposta prevê corte no depósito do FGTS pago pelas empresas, reduzindo de 8% para 4%, e também cria isenção temporária do INSS para novas contratações.
A defesa da medida gerou indignação entre trabalhadores e movimentos ligados aos direitos trabalhistas, que acusam os parlamentares de tentar enfraquecer garantias históricas enquanto cresce no país a pressão popular por mais descanso, qualidade de vida e redução da exaustão profissional.
Do outro lado, defensores da proposta alegam que a flexibilização pode reduzir custos para empresas e estimular contratações em setores como comércio, indústria e agronegócio.
O episódio aumentou ainda mais a tensão em torno da PEC e transformou a discussão sobre jornada de trabalho em um dos temas mais explosivos do Congresso Nacional em 2026.