quinta-feira, 22 de outubro de 2026
SABATINA

Caiado critica Lula, cobra responsabilidade fiscal e promete resgatar liturgia da Presidência

Durante sabatina, presidenciável do PSD também comentou atritos diplomáticos, defendeu fortalecimento do Itamaraty e falou sobre inovação, inteligência artificial e equilíbrio das contas públicas

Thais Munizpor em
Caiado
Ronaldo Caiado (PSD) durante sabatina do Correio Braziliense - crédito: Marcelo Ferreira / CB

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, nesta terça-feira (28). O ex-governador de Goiás afirmou que medidas adotadas pela atual gestão podem comprometer o Orçamento de 2027, defendeu maior responsabilidade fiscal e afirmou que pretende resgatar a “liturgia do cargo” caso seja eleito. As declarações ocorreram durante o evento que reuniu presidenciáveis para discutir temas como economia, política externa, inovação e administração pública.

Ao abordar a situação fiscal, Caiado classificou ações do governo federal como “brincadeiras populistas” e disse que benefícios autorizados pelo Executivo não possuem previsão orçamentária suficiente para serem pagos.

“Esse populismo do Lula está além da capacidade de arrecadar do Brasil. Ele está com R$ 180 bilhões a mais com benefícios que autorizou e que não têm rubrica para pagar”, afirmou.

Segundo o presidenciável, uma eventual gestão sob seu comando teria participação ativa de auditores fiscais e valorizaria carreiras do serviço público.

“Não existe governo que dê certo sem valorizar aqueles que estão à frente. Como é que eu vou trabalhar sem os auditores, professores, médicos, policiais militares e servidores de todas as partes?”, declarou.

Caiado defende postura institucional nas relações internacionais

Outro tema abordado na sabatina foi a política externa. Caiado afirmou que pretende recuperar a “liturgia da Presidência” e criticou episódios recentes envolvendo o presidente da Argentina, Javier Milei, e integrantes do governo brasileiro.

O candidato comentou a participação de Milei na convenção que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e disse que o presidente argentino promoveu um “escândalo” ao atacar autoridades brasileiras.

“Não se governa na esculhambação. Não se pode ridicularizar conversas, baixando o patamar da discussão”, afirmou.

Na mesma fala, Caiado também criticou declarações recentes do presidente Lula e defendeu maior equilíbrio institucional.

“Aí o outro vem aqui, faz escândalo e se acha no direito de xingar presidente, xingar ministro. O outro se acha no direito de vir aqui saber como vai auditar as eleições. Calma lá. Devagar com o andor que o santo é de barro”, disse.

Os comentários ocorreram após uma sequência de episódios diplomáticos envolvendo Brasil, Argentina e Estados Unidos. Entre eles, a visita de Javier Milei ao evento político de Flávio Bolsonaro e a divulgação de informações sobre uma tentativa de envio de representantes do Departamento de Estado norte-americano ao Brasil para tratar do processo eleitoral. O governo brasileiro negou autorização para a entrada da missão, enquanto autoridades americanas afirmaram que não havia intenção de interferir nas eleições.

Ainda sobre relações internacionais, Caiado afirmou que a Presidência da República exige responsabilidade institucional.

“O presidente representa mais de 215 milhões de brasileiros e deve preservar o respeito entre os países, independentemente das diferenças ideológicas.”

O presidenciável também avaliou que o Itamaraty perdeu protagonismo nos últimos anos e defendeu que negociações internacionais sejam conduzidas por diplomatas e técnicos especializados.

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Economia, comércio exterior e inovação

Durante a entrevista, Caiado relacionou os conflitos diplomáticos aos desafios enfrentados pelo comércio exterior brasileiro. Segundo ele, tensões com parceiros como Estados Unidos, União Europeia, China, México e Paraguai acabam produzindo reflexos sobre setores da economia nacional.

Na avaliação do candidato, o Brasil reúne condições para ampliar sua presença internacional por meio de ativos estratégicos, como disponibilidade de água doce, produção de energia renovável e reservas de minerais críticos e terras raras.

O ex-governador também defendeu investimentos em inovação e inteligência artificial. Ao citar a experiência de Goiás, afirmou que o estado criou um centro de excelência na área e já possui um marco regulatório para inteligência artificial.

Segundo Caiado, o país precisa ampliar investimentos em tecnologia e agregar valor à produção nacional, reduzindo a dependência da exportação de commodities.

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Brasil eleições 2026 Presidenciável Ronaldo Caiado

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