Aliados de Lula veem risco de interferência externa na eleição e reforçam alerta sobre redes sociais
Integrantes do governo temem aumento de manifestações de Donald Trump e Javier Milei nos dias que antecedem a votação e acompanham uso de inteligência artificial na campanha
Integrantes do governo federal e da coordenação da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que as recentes declarações dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) representam uma tentativa de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. Nos bastidores, a principal preocupação é que essas manifestações se intensifiquem nos últimos dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, especialmente por meio das redes sociais.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, há receio de que plataformas digitais sejam utilizadas para ampliar conteúdos políticos, sobretudo diante da influência de Trump sobre empresas de tecnologia e do uso crescente de ferramentas de inteligência artificial durante a campanha. A expectativa de aliados de Lula é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adote medidas preventivas para coibir eventuais irregularidades envolvendo IA, embora reconheçam a dificuldade de impedir uma ação coordenada no ambiente digital.
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O clima de tensão aumentou após a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25), quando Javier Milei declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e fez ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. No evento, o partido também exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentando o senador como seu sucessor político. Integrantes do governo interpretaram a iniciativa como um teste aos limites das normas eleitorais, já que Bolsonaro está impedido de utilizar redes sociais por decisão judicial.
As manifestações internacionais provocaram reações diplomáticas do governo brasileiro. Após as declarações de Milei, Lula determinou o retorno do embaixador do Brasil na Argentina para consultas, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com o embaixador argentino em Brasília para manifestar repúdio às falas do presidente vizinho. Paralelamente, o governo também acompanha a aproximação entre integrantes da família Bolsonaro e a administração de Donald Trump, em meio a um cenário de crescente preocupação com possíveis impactos externos sobre o processo eleitoral brasileiro.
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