quinta-feira, 22 de outubro de 2026
POLÍTICA

“Quero devolver o orgulho de morar em Brasília”, afirma Arruda em entrevista exclusiva ao O Hoje

Ex-governador afirma estar elegível para disputar o Palácio do Buriti, promete cortar gastos, reorganizar a saúde, ampliar a malha metroviária e retomar investimentos no Entorno

Jéssica Nascimentopor em
“Quero devolver o orgulho de morar em Brasília”, afirma Arruda em entrevista exclusiva ao O Hoje
Ex-governador do DF José Roberto Arruda. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Após mais de uma década afastado da disputa pelo Palácio do Buriti, o ex-governador José Roberto Arruda volta a se colocar como um dos nomes na corrida pelo Governo do Distrito Federal em 2026. Em entrevista exclusiva ao O HOJE, ele detalhou as prioridades de um eventual novo mandato, defendeu uma gestão baseada em austeridade fiscal, prometeu mudanças estruturais na saúde, mobilidade, segurança e educação e afirmou que pretende “devolver o orgulho” aos moradores de Brasília.

Durante a conversa, Arruda também comentou os desafios de reconquistar o eleitorado mais jovem, falou sobre sua situação jurídica após o período em que ficou inelegível pela Lei da Ficha Limpa, reafirmou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, na disputa presidencial e garantiu que pretende retomar a integração entre o Distrito Federal e os municípios do Entorno.

Confira a entrevista:

O HOJE – O senhor governou o Distrito Federal em um contexto muito diferente do atual. Se voltar ao Palácio do Buriti, quais serão as três prioridades do seu governo nos primeiros 100 dias e por quê?

José Roberto Arruda – A primeira medida será colocar as contas públicas em dia. Vamos cortar gastos, reduzir o número de secretarias e de cargos comissionados, revisar contratos e reorganizar as finanças do governo. A segunda prioridade será a saúde. Quero contratar médicos e enfermeiros aprovados em concurso, iniciar a construção dos hospitais do Recanto das Emas, São Sebastião, Sol Nascente, Ceilândia e do Hospital do Câncer, além de mudar radicalmente o modelo de gestão do IGES. A terceira prioridade será salvar o BRB, em entendimento com o Governo Federal, fechando agências fora de Brasília e reduzindo despesas que considero desnecessárias, como patrocínios a clubes de futebol.

O HOJE – O DF enfrenta desafios históricos nas áreas de saúde, mobilidade e segurança. Em qual dessas áreas o senhor acredita que será mais cobrado pela população e quais medidas pretende adotar para apresentar resultados?

José Roberto Arruda – Brasília ficou 16 anos sem os investimentos necessários nessas áreas. Na saúde, vamos construir novos hospitais, convocar servidores concursados e reorganizar completamente o IGES. Na mobilidade, vamos ampliar o metrô, estendendo a linha de Ceilândia até o Setor O, levando o sistema ao Sol Nascente e Águas Lindas, criando a linha para Gama e Santa Maria, com extensão até Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental e Jardim Ingá. Também queremos construir a Quarta Ponte, integrada ao BRT, ligando São Sebastião, Jardim Botânico, Itapoã, Paranoá, Sobradinho e Planaltina. Na segurança pública, vamos retomar os postos policiais, agora com tecnologia, câmeras de reconhecimento facial e policiais da reserva atuando no policiamento comunitário. É muito investimento para recuperar o tempo perdido, mas acredito que é possível.

O HOJE – Muitos eleitores mais jovens não acompanharam sua gestão e conhecem sua trajetória principalmente pelos episódios mais controversos da sua carreira política. Como pretende reconquistar esse eleitorado?

José Roberto Arruda – Muitos jovens conhecem o trabalho que fiz por meio dos relatos dos pais e dos avós, principalmente nas cidades satélites. Mas reconheço que o mundo mudou e precisamos falar a linguagem dessa nova geração. Não tenho nada a esconder sobre os episódios que vivi. Sempre disse que fui vítima de uma armação e provei isso na Justiça. Quero mostrar propostas para o futuro, principalmente para os jovens. No meu governo havia dez mil bolsas universitárias, levei a UnB para o Gama, Ceilândia e Planaltina, implantei escolas técnicas e programas que abriram oportunidades. Precisamos voltar a investir na juventude.

O HOJE – Caso seja eleito, que legado gostaria de deixar ao Distrito Federal? Existe algum projeto estruturante que considere indispensável para transformar a capital?

José Roberto Arruda – Se eu puder escolher um legado, quero fazer Brasília voltar a ter a melhor educação pública do Brasil, como já aconteceu no meu governo. Quero retomar as escolas de educação integral, inspiradas no projeto original de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro. A criança entra às sete da manhã, sai às cinco da tarde, com esporte, inglês, reforço escolar e atividades no contraturno. Esse é o investimento que reduz desigualdades e transforma vidas. Vou construir hospitais, ampliar o metrô e investir na segurança, mas a educação será novamente a meta síntese do meu governo.

O HOJE – O cenário político do Distrito Federal está bastante polarizado e a disputa pelo Palácio do Buriti promete ser acirrada. Qual será o principal diferencial da sua candidatura?

José Roberto Arruda – Meu foco será apresentar projetos. Não me interessa discutir se construir hospital ou escola é pauta de direita ou de esquerda. Quero fazer Brasília voltar a ser organizada e devolver às pessoas o orgulho de morar aqui. Quero combater a criminalidade e fazer os bandidos recuarem. Sou um político de centro-direita, mas sempre fui um político do diálogo. Trabalhei com governos de diferentes correntes políticas porque meu compromisso sempre foi com Brasília. Como senador, ajudei o governo Cristovam Buarque. Como governador, tive boa relação com o presidente Lula e conseguimos recursos importantes para obras como o metrô de Ceilândia e melhorias para a cidade. Independentemente das diferenças ideológicas, meu interesse sempre será trabalhar por Brasília.

O HOJE – Depois de Joaquim Roriz, o senhor costuma ser apontado como um dos governadores que mais investiram na integração entre o Distrito Federal e os municípios do Entorno. Caso seja eleito novamente, como pretende conduzir essa relação?

José Roberto Arruda – Quero governar de mãos dadas com as cidades do Entorno, como fiz no meu primeiro governo. Brasília e o Entorno precisam caminhar juntos. Não existe desenvolvimento para o Distrito Federal sem integração com essa região.

O HOJE – O senhor ficou impedido de disputar eleições em razão da Lei da Ficha Limpa. Hoje, afirma estar apto a concorrer. Como responde aos questionamentos sobre sua elegibilidade? E qual será seu posicionamento na eleição presidencial? O senhor apoiará Ronaldo Caiado?

José Roberto Arruda – A Lei Complementar nº 219, de 2025, está vigente e eu estou elegível. Agora cabe aos eleitores decidir se querem manter o atual governo ou escolher uma mudança. Em relação à eleição presidencial, Ronaldo Caiado é o candidato do meu partido e estarei ao lado dele.

A entrevista marca o retorno de Arruda ao debate eleitoral do Distrito Federal com um discurso centrado na experiência administrativa e na retomada de projetos que marcaram suas gestões anteriores. Ao longo da conversa, o ex-governador buscou destacar propostas para áreas estratégicas, como saúde, educação, mobilidade, segurança pública e equilíbrio fiscal, além de defender uma maior integração entre Brasília e os municípios do Entorno.

Com a definição das candidaturas prevista para as convenções partidárias, o cenário eleitoral do DF começa a ganhar contornos mais claros. Arruda aposta na experiência acumulada à frente do governo, enquanto tenta reconstruir sua imagem junto ao eleitorado após anos afastado das disputas eleitorais. O resultado dessa estratégia será testado nas urnas, em uma eleição que promete ser uma das mais disputadas da história recente da capital federal.

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