quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Aliança

Caiado e Zema se aproximam, mas desistência de pré-candidatura não é esperada

Analistas avaliam que união entre os dois pré-candidatos pode atrair partidos do Centrão e parte do eleitorado de direita

Bruno Goulartpor em
Caiado e Zema
Analistas avaliam que união entre os dois pré-candidatos pode atrair partidos do Centrão e parte do eleitorado de direita. Fotos: Divulgação/Ascom e Divulgação/Governo de MG

Bruno Goulart

A aproximação entre o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-chefe do Executivo de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), movimentou os bastidores da corrida presidencial de 2026 nesta semana. Nos últimos dias, Caiado afirmou que existe um sentimento favorável à construção de uma aliança entre os dois como alternativa à polarização política. Apesar disso, especialistas ouvidos pelo O HOJE avaliam que o goiano não deve desistir de sua pré-candidatura à Presidência.

A discussão ganhou força depois que integrantes do PSD defenderam que Zema pudesse integrar uma chapa encabeçada por Caiado. A ideia, no entanto, provocou desconforto dentro do partido. Lideranças da sigla argumentam que a vaga de vice deve ser ocupada por um nome ligado historicamente ao PSD, e não por um político de outra legenda.

Para o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela UFG, Felipe Fulquim, a possibilidade de Caiado abrir mão da disputa é praticamente inexistente. Segundo Fulquim, o ex-governador construiu sua pré-candidatura ao longo dos últimos anos e não teria motivos para recuar. “Não acredito que exista a possibilidade de o Caiado desistir da pré-candidatura. A única exceção seria uma questão de saúde que o impedisse de realizar a campanha”, afirma.

O mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé tem avaliação semelhante. Para Zancopé, o apoio nacional do PSD fortalece o projeto presidencial de Caiado. “Com o apoio do PSD e com a capilaridade que o partido possui em todo o País, não faz sentido que Caiado abra mão da disputa em favor de Zema”, declara.

Leia mais: Kassab não descarta ser vice de Caiado em chapa pura do PSD

Sobre os efeitos de uma possível união entre Caiado e Zema, os dois especialistas avaliam que a aliança pode criar dificuldades para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Fulquim diz acreditar que a chapa poderia atrair eleitores que estejam insatisfeitos com o bolsonarismo. No entanto, o mestre em Comunicação considera que isso não seria suficiente para acabar com a forte polarização que ainda existe no País.

Já Zancopé vê uma ameaça mais direta ao projeto político de Flávio Bolsonaro. Segundo o historiador, o senador enfrenta desgastes causados por polêmicas com o banqueiro Daniel Vorcaro, o que pode abrir espaço para o crescimento de outras lideranças de direita. “Vejo espaço para crescimento de uma eventual chapa formada por Caiado e Zema”, pontua.

Centrão

Outro ponto analisado é a possibilidade de a dupla atrair partidos do Centrão. Para Fulquim, isso dependerá da capacidade de articulação dos dois e da percepção de que a candidatura tem chances reais de chegar ao segundo turno. O especialista em Marketing Político lembra que o Centrão costuma apoiar projetos considerados competitivos.

Zancopé concorda e afirma que parte desse grupo político pode migrar para uma candidatura de Caiado e Zema caso enxergue dificuldades na plataforma de Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o historiador ressalta que os partidos continuam cautelosos e evitam assumir posições antecipadamente. “As articulações acontecem nos bastidores e poucos atores políticos revelam suas estratégias neste momento”, observa.

Como fica a situação de Daniel Vilela

Os especialistas também dizem não acreditar que um desempenho abaixo do esperado de Caiado nas pesquisas presidenciais prejudique a pré-candidatura do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), em busca da reeleição. Segundo Fulquim, o emedebista possui uma trajetória própria e conta com a força política de quem está à frente da administração estadual.

Além disso, o analista destaca que Caiado deixou o governo com altos índices de aprovação popular. Por isso, sua capacidade de transferir votos para Daniel tende a permanecer forte. “Sua capacidade de transferir votos para Daniel não deve ser afetada por sua disputa presidencial”, conclui. (Especial para O HOJE)

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