quarta-feira, 24 de junho de 2026
Cultura

Bárbara Paz leva “Rua do Pescador, nº6” para um dos maiores festivais de cinema ambiental do mundo, na Itália

Premiado em festivais nacionais e internacionais, documentário sobre as enchentes no Rio Grande do Sul será exibido no CinemAmbiente, em Turim

Luana Avelarpor Luana Avelar em 2 de junho de 2026
cinema
A diretora, atriz e artista visual Bárbara Paz segue a trajetória internacional de seu documentário “Rua do Pescador, nº6”, que será exibido na 29ª edição do CinemAmbiente, um dos principais festivais de cinema ambiental do mundo, realizado entre os dias 3 e 7 de junho, em Turim, na Itália. Fundado em 1998 e sediado pelo Museu Nacional do Cinema, o evento reúne anualmente cerca de 100 produções voltadas às questões ambientais e climáticas, além de integrar o Green Film Network, associação internacional dos maiores festivais dedicados ao tema. O longa acompanha as consequências das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, registrando o impacto humano da maior catástrofe climática da história do estado a partir do cotidiano de moradores da Ilha da Pintada, em Porto Alegre.
Após sua estreia mundial na Mostra Competitiva de Documentários Brasileiros da 30ª edição do É Tudo Verdade, sendo um dos sete filmes nacionais selecionados, “Rua do Pescador, nº6” construiu uma trajetória de destaque em festivais nacionais e internacionais. O documentário integrou a programação do Festival do Rio 2025, na mostra Première Brasil: Estado das Coisas | Especial COP 30, e garantiu para Bárbara Paz o prêmio de Melhor Direção de Documentário no Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF 2025). O filme também conquistou os prêmios de Melhor Trilha Musical, assinada por Renato Borghetti, e Melhor Desenho de Som, de Rodrigo Ferrante e André Tadeu, no Festival de Gramado, além do prêmio de Melhor Longa-Metragem Ambiental no Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (Cinesur).
Gravado em junho de 2024, no interior e na região metropolitana de Porto Alegre, o documentário acompanha um delicado momento vivido após as enchentes que atingiram cerca de 95% do território gaúcho, afetando centenas de cidades e deixando mais de 600 mil pessoas desabrigadas. “É um retrato de uma ilha de pescadores devastada pela enchente”, afirma Bárbara Paz, que optou por uma equipe formada majoritariamente por profissionais gaúchos, muitos deles também impactados pela tragédia. “Nossa pequena equipe foi formada por 90% de profissionais do audiovisual gaúcho, a maioria também afetados pela enchente”, conta a diretora.
Logo após as águas baixarem, a equipe percorreu algumas das regiões mais atingidas pela tragédia climática, especialmente a Ilha da Pintada. O cenário encontrado lembrava uma zona de guerra: ruas tomadas por areia, lixo espalhado, casas destruídas e famílias tentando reconstruir suas vidas. Em meio à devastação, o filme encontrou uma comunidade lutando por pertencimento, memória e reconstrução. O documentário se transforma, assim, em um registro histórico e humano sobre o “depois do fim”, criando uma memória audiovisual autoral sobre a maior tragédia climática já vivida no Brasil.
Paralelamente à circulação internacional do documentário, Bárbara Paz também segue desenvolvendo novos projetos. A cineasta prepara “Cuddle”, seu primeiro longa de ficção estrelado por Willem Dafoe e Fernanda Torres e rodado no Brasil, além de ter adquirido os direitos de adaptação do best-seller “O Perigo de Estar Lúcida”, da escritora Rosa Montero, obra que reflete sobre os limites entre criação artística e loucura. Após as filmagens, Bárbara também retornará aos palcos em um novo projeto teatral.
“Rua do Pescador, nº6” é uma produção da BP Filmes, em coprodução com Morena Filmes, Canal Brasil e GloboNews, com distribuição da Lança Filmes.

Sinopse:

Em maio de 2024, uma enchente devastadora atingiu o Rio Grande do Sul/Brasil, deixando marcas irreparáveis na vida de milhões de pessoas. A catástrofe desnudou a dimensão da crise climática e do aquecimento global. Mais de 600 mil pessoas foram desalojadas, milhares perderam suas casas, e bairros inteiros permaneceram submersos durante semanas.

A enchente transformou a Capital, Porto Alegre, em cenário de guerra: ruas viraram rios, o Centro Histórico engolido pelas águas, e no bairro Arquipélago da cidade — conhecido como as Ilhas — o impacto assumiu contornos ainda mais brutais. Ali, quase quatro mil pessoas viram suas casas tomadas, não pela lama, mas pela areia em altura descomunal, enquanto as pontes que ligam o continente submergiam.

É nesse contexto que surge Rua do Pescador, nº 6, um documento histórico e um retrato íntimo da tragédia. Assim que as águas cederam, uma pequena equipe de cineastas gaúchos registrou o que restava: ruas soterradas e casas destruídas.  Também encontrou algo maior do que a devastação — a força de uma comunidade que, mesmo ferida, luta por sua terra, sua memória e seu pertencimento.

Prêmios e Festivais:

Rua do Pescador teve sua primeira exibição na Mostra Competitiva de Documentários Brasileiros do 30º É Tudo Verdade, sendo um dos 7 filmes brasileiros selecionados desta edição.

O filme também participou do Festival do Rio 2025, na mostra Première Brasil: Estado das Coisas | Especial COP 30.

O filme também foi exibido e premiado nos seguintes festivais:

Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF 2025) – Bárbara Paz venceu o prêmio de Melhor Direção de Documentário com Rua do Pescador, nº 6.

Festival de Cinema de Gramado (53º Festival de Gramado, 2025) – O filme conquistou dois prêmios na mostra de longas-metragens gaúchos: Melhor Trilha Musical e Melhor Desenho de Som (edição de som)

Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (Cinesur) – Prêmio de Melhor Longa-Metragem Ambiental (Prêmio do Júri Oficial)
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