Corpus Christi: a história por trás dos tapetes, da procissão e do dia que para o Brasil
Solenidade católica que comemora a eucaristia tem origem no século XIII e chegou ao Brasil com a colonização portuguesa; veja o que está por trás da tradição
Todo ano a mesma cena se repete em cidades pelo Brasil: ruas cobertas de tapetes coloridos feitos de flores, serragem e areia tingida, procissões, missas e um dia que parece feriado mas tecnicamente não é. O Corpus Christi chegou, e muita gente ainda não sabe bem o que está comemorando.
A data celebra a eucaristia, o sacramento católico em que os fiéis recebem uma hóstia durante a missa acreditando ser o corpo de Jesus Cristo. A origem do costume está num episódio bíblico da Quinta-Feira Santa, véspera da crucificação, quando Jesus ceou com seus discípulos, partiu o pão e partilhou o vinho dizendo: “Tomai e comei, isto é o meu corpo. Tomai e bebei, isto é o meu sangue.” Desde então, os padres repetem esse gesto no altar em toda missa do mundo.
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O milagre que virou feriado
A história do Corpus Christi como data comemorativa começa na Bélgica do século XIII. Uma jovem chamada Juliana de Cornillon teria recebido, aos 16 anos, uma revelação sobre o desejo de Jesus de ter uma festa dedicada ao seu corpo. A visão foi levada adiante por ela e por outros religiosos até chegar ao papa.
O empurrão definitivo veio em 1264, com o chamado Milagre de Bolsena: um padre que duvidava da transubstanciação, o processo pelo qual o pão e o vinho se tornam corpo e sangue de Cristo durante a missa, presenciou uma hóstia derramar sangue enquanto celebrava. O episódio chegou ao papa Urbano IV, que oficializou a data. A promulgação final veio em 1317.
Feriado ou não?
No Brasil, o Corpus Christi é ponto facultativo federal, não feriado nacional. A diferença é simples: no feriado, o descanso é obrigatório. No ponto facultativo, cada estado ou município decide se concede o dia livre ou não. Por isso, em algumas cidades o comércio fecha, em outras não.
A data é sempre numa quinta-feira, 60 dias após o Domingo de Páscoa.
E os tapetes?
A tradição dos tapetes chegou ao Brasil pelos portugueses após a colonização. Os fiéis se preparam meses antes para confeccionar os desenhos no chão usando flores, serragem, areia colorida, farinha tingida, borra de café e materiais reciclados. Os motivos mais comuns são cálices, pão, vinho, pombos e a cruz.
Durante a procissão, o padre caminha sobre os tapetes carregando o ostensório, um objeto litúrgico onde a hóstia consagrada é exposta para adoração. É o momento central da celebração: Jesus, na crença católica, passando pelas ruas da cidade.