terça-feira, 13 de outubro de 2026
Esquerda

Mesmo após década no poder, PT ainda depende do capital político de Lula

Presidente deve disputar a reeleição em 2026 e, segundo especialista, segue como principal nome eleitoral do partido diante das dificuldades de construir um sucessor

Bruno Goulartpor em
Lula
Ao final do atual mandato, Lula terá governado o Brasil por 12 anos, somando os dois mandatos entre 2003 e 2010 e o período iniciado em 2023. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Bruno Goulart

A candidatura do presidente Lula à reeleição em 2026 reforça uma realidade que acompanha o Partido dos Trabalhadores (PT) há mais de duas décadas: a dificuldade de substituir sua principal liderança política. Aos 80 anos, o presidente continua sendo apontado como o nome mais forte do campo governista, cenário que, para especialistas, demonstra tanto sua força eleitoral quanto os desafios do PT para promover uma renovação interna.

Segundo o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, a eventual candidatura de Lula pode ser analisada sob duas perspectivas. A primeira é a permanência de uma liderança que atravessou diferentes momentos da democracia brasileira e segue influente no debate nacional. A segunda é a dificuldade do partido em consolidar um sucessor capaz de reunir o mesmo apoio político e eleitoral.

“Lula continua sendo visto, dentro e fora do PT, como o nome com maior capacidade de mobilização eleitoral”, afirma Zancopé. Na avaliação dele, outros quadros da legenda ainda não conseguiram demonstrar a mesma força nas urnas. Por isso, mesmo após anos no poder e após ter governado o país em três mandatos diferentes, o partido continua recorrendo ao presidente como principal ativo político para as disputas nacionais.

O especialista lembra que o PT já tentou construir alternativas ao protagonismo de Lula. O exemplo mais conhecido foi o da ex-presidente Dilma Rousseff, que chegou ao Palácio do Planalto com o apoio direto do petista. Antes disso, nomes como José Dirceu eram apontados como possíveis herdeiros políticos, mas perderam espaço ao longo dos anos. Mais recentemente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, passou a ser visto como uma das principais lideranças da legenda.

Sucessão de Lula

Apesar disso, Zancopé avalia que a sucessão continua indefinida. “Ainda não é possível afirmar com segurança se Haddad é, de fato, o sucessor escolhido por Lula ou apenas um dos nomes mais fortes dentro do partido neste momento”, observa. Segundo ele, a relação entre os dois já passou por momentos de grande proximidade, mas também por divergências e críticas públicas.

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Além da discussão sobre a sucessão petista, a presença de Lula na disputa de 2026 também chama atenção por representar uma geração política formada durante a redemocratização do país. O especialista avalia que a próxima eleição pode ser uma das últimas em que lideranças diretamente ligadas à transição democrática ocupem posições centrais na corrida presidencial.

Ao final do atual mandato, Lula terá governado o Brasil por 12 anos, somando os dois mandatos entre 2003 e 2010 e o período iniciado em 2023. A marca o coloca entre os presidentes mais longevos da história republicana brasileira e reforça sua posição como uma das figuras mais influentes da política nacional desde os anos 1980.

Mesmo assim, Zancopé acredita que a idade não será um fator decisivo para os eleitores. Na avaliação dele, questões como economia, emprego, inflação e avaliação do governo devem ter muito mais peso na definição do voto. “Eu não acho que a idade vá pesar de forma decisiva na escolha do eleitor”, afirma.

Para o especialista, a possível candidatura de Lula em 2026 acaba revelando uma contradição. Ao mesmo tempo em que demonstra a força política de uma liderança capaz de permanecer competitiva após décadas na vida pública, também evidencia a dificuldade do PT em preparar uma nova geração de dirigentes com alcance semelhante.

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