Parada cardiorrespiratória

Gêmeos siameses morrem dias antes de cirurgia de separação em Goiânia

Bebês nasceram unidos pelo abdômen e apresentaram quadro infeccioso grave; cirurgia estava marcada para a próxima quarta-feira (10)

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 7 de junho de 2026
siameses
Profissionais tentaram reanimar as crianças por cerca de 50 minutos. Foto: Hemu

Os gêmeos siameses Bernardo e Eduardo, nascidos unidos pelo abdômen no Hospital Estadual da Mulher (Hemu), em Goiânia, morreram após complicações causadas por uma infecção grave. A informação foi confirmada neste domingo (7) pelo médico Zacharias Calil, que acompanhava o caso. Os irmãos passariam por uma cirurgia de separação na próxima quarta-feira (10), considerada uma das mais complexas da medicina pediátrica.

Segundo Calil, Bernardo apresentou um quadro de enterocolite necrotizante intestinal no sábado (6) e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Como os irmãos compartilhavam estruturas e possuíam forte interação biológica, a infecção se espalhou rapidamente para Eduardo. “Existe uma grande interação entre os gêmeos siameses. Esse quadro passa imediatamente para o outro gêmeo, ocorrendo também um quadro infeccioso”, explicou o médico.

Diante da situação, a equipe médica decidiu realizar uma cirurgia de emergência no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) para tentar salvar Eduardo. A separação dos irmãos chegou a ser realizada, mas o bebê não resistiu às complicações. De acordo com Calil, os profissionais tentaram reanimar as crianças por cerca de 50 minutos. “Estávamos todos preparados para fazer essa cirurgia eletivamente. Mas, infelizmente, na medicina não existe ciência exata e situações como essa podem acontecer”, lamentou.

Família veio para Goiânia realizar o tratamento

Filhos de Aline Silva Santos Gomes e Gleibson Gomes, moradores de Palmas (TO), os bebês eram acompanhados por equipes especializadas desde a gestação. A família havia se mudado para Goiânia para garantir o tratamento. O caso era considerado raro e de alta complexidade, já que os irmãos compartilhavam o fígado. Na época do nascimento, Calil destacou que a condição tem incidência de aproximadamente um caso para cada 150 mil nascimentos. Após a morte dos bebês, o médico afirmou que os pais agradeceram o atendimento recebido e pediu orações para que a família encontre conforto neste momento de luto.

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