sexta-feira, 30 de outubro de 2026
MADEIRA NOBRE

Por que produtores brasileiros estão apostando no mogno africano como investimento de longo prazo

Sem as restrições da espécie nativa, o mogno africano atrai produtores em Minas Gerais e Roraima com expectativa de retorno milionário após duas décadas de cultivo

Luana Avelarpor em
mogno africano

Vinte anos de espera para colher. Esse é o prazo que não assusta Ricardo Tavares, um dos pioneiros no cultivo do mogno africano no Brasil. Em sua fazenda no cerrado de Minas Gerais, são 500 hectares dedicados à espécie que chegou ao país como alternativa ao mogno brasileiro, restrito por estar na lista de espécies ameaçadas.

A vantagem competitiva é clara: o mogno africano pode ser cortado sem autorização especial e apresenta desenvolvimento superior ao de outras espécies nobres. Para demonstrar isso, Tavares montou uma coleção com 17 espécies em parte de sua área. “Aqui está claramente demonstrado que o mogno africano teve um desenvolvimento muito maior que as outras espécies de madeira que plantamos aqui”, afirma.

A projeção financeira é o que mais chama atenção. Um projeto de 20 anos custa em torno de R$ 70 mil por hectare. A expectativa de colher 400 metros cúbicos de tora por hectare, ao preço atual de mercado, representaria cerca de R$ 800 mil por hectare ao final do ciclo.

O potencial de retorno não resolve o principal gargalo do setor: o financiamento inicial. “A hora que chega lá no banco e fala, ‘olha, minha cultura precisa de 18 anos de financiamento’, existe um susto”, explica Patrícia Fonseca, diretora da Associação Brasileira de Produtores de Mogno Africano. “A instituição financeira brasileira não está acostumada com isso e não gosta de correr risco.”

Uma saída encontrada por produtores é começar em pequena escala e ampliar gradualmente. Na fazenda Boa Esperança, em Minas Gerais, a estratégia é plantar 25 hectares por ano de forma perpétua, com custo de implantação de R$ 6,5 mil por hectare e sem necessidade de irrigação.

Em Roraima, os irmãos Marcello e Eduardo Guimarães saíram da área de tecnologia para investir em 2 mil hectares de mogno africano, com 1,8 milhão de árvores numa região de savana próxima a Boa Vista. O solo precisou ser construído antes do plantio, com consórcio de leguminosas e capim para aumentar a matéria orgânica.

Para acelerar a produção, desenvolveram uma máquina capaz de plantar 3,6 mil mudas por hora, com monitoramento via satélite e GPS. A venda de créditos de reposição florestal ajuda a financiar o início do investimento, gerando em torno de R$ 1,2 mil por hectare logo após o plantio.

O maior risco da operação em Roraima é o fogo, algumas vezes criminoso. Para reduzir a ameaça, os produtores adotam a agrofloresta, combinando o mogno com mandioca, banana e outras espécies produtivas. A presença constante de trabalhadores na área reduz o risco de incêndio e ainda atrai fauna nativa. “Já encontramos pegadas de onça, encontramos tatu, tamanduá bandeira”, afirma a bióloga Eliza Costa, que estuda a fauna da região há dois anos.

A meta inicial de plantar 40 mil hectares em dez anos está sendo revista para incluir mais diversidade, combinando o mogno com espécies nativas como jatobá, ipê e figueira branca. Para os produtores, a aposta no mogno africano pode contribuir para reduzir a pressão sobre a Amazônia ao suprir parte da demanda por madeira nobre no mercado brasileiro e internacional.

LEIA MAIS:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Aparecida avança com obras de asfalto, parque ecológico e nova unidade de saúde

VILELA FAZ VISTORIA

Aparecida avança com obras de asfalto, parque ecológico e nova unidade de saúde

Prefeitura prevê pavimentar até 20 ruas no Rosa dos Ventos até o fim do ano. Parque Serra Dourada...
Desmatamento cai no Brasil, mas retalhamento da vegetação ameaça biodiversidade

Meio ambiente

Desmatamento cai no Brasil, mas retalhamento da vegetação ameaça biodiversidade

Estudo do MapBiomas aponta que tamanho médio das áreas de mata nativa isoladas diminuiu 43% em 38 ...
Prefeitura orienta ambulantes e anuncia fiscalização nos terminais de Goiânia

Capital

Prefeitura orienta ambulantes e anuncia fiscalização nos terminais de Goiânia

Medida envolve Sefic, Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana; Paço aponta riscos à circula�...
Tribunal do crime: PM prende 4 suspeitos de torturar e matar homem em Goiânia

VÍDEOS CIRCULAVAM NAS REDES

Tribunal do crime: PM prende 4 suspeitos de torturar e matar homem em Goiânia

Vídeos da violência circulavam nas redes sociais e levaram os policiais até um casal. Corpo foi e...
mega-sena

DIA PRA SER MILIONÁRIO

Mega-Sena sorteia R$ 6 milhões nesta sexta (30); apostas vão até as 20h

Concurso 3.079 encerra a Mega Semana, com sorteio às 21h. Aposta simples, de seis números, custa R...
Goiânia aprova reajuste gradual para servidores administrativos da Educação

EDUCAÇÃO

Goiânia aprova reajuste gradual para servidores administrativos da Educação

Projeto estabelece salário inicial de R$ 1.640 para jornada de 30 horas e prevê recomposição das...
Sexta-feira (30) em Goiânia terá chance de chuva desde a manhã e trovoadas à tarde

PREVISÃO DO TEMPO

Sexta-feira (30) em Goiânia terá chance de chuva desde a manhã e trovoadas à tarde

Temperaturas devem variar de 21°C a 30°C nesta sexta-feira (30), com possibilidade de trovoadas à...
Seduc Goiás convoca mais 250 professores aprovados em concurso de 2022

Concurso Público

Seduc Goiás convoca mais 250 professores aprovados em concurso de 2022

As nomeações estão previstas para 28 de dezembro e posse para 7 de janeiro de 2027