terça-feira, 7 de julho de 2026
SEM CORDA

Jovem morre em salto de rope jump: veja o que se sabe até agora

Investigação aponta falha na checagem dos equipamentos, ausência de autorização para a atividade e apura possível responsabilidade dos organizadores pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos

Luma Silveirapor Luma Silveira em 14 de junho de 2026
Corda
Segundos após o salto, testemunhas perceberam que a jovem não estava presa à corda de segurança. Três organizadores foram presos e são investigados por homicídio com dolo eventual | Foto: Reprodução

A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jumping em Limeira (SP), segue cercada por questionamentos que estão sendo investigados pela Polícia Civil. A principal linha de apuração envolve uma falha na conferência dos equipamentos de segurança antes do salto.

Segundo informações reunidas pela investigação, a jovem foi lançada da plataforma sem estar conectada à corda responsável por amortecer a queda. Testemunhas relataram que o procedimento de verificação realizado normalmente antes dos saltos não teria sido seguido naquele momento.

Um participante que faria a atividade logo após Maria Eduarda afirmou que a conferência dos equipamentos foi ignorada. A corda que deveria estar presa à vítima permaneceu na plataforma após o salto.

Instrutores não explicaram falha

Os três homens presos após o acidente prestaram depoimento, mas não conseguiram apontar o que teria provocado o erro. Conforme a delegada responsável pelo caso, eles alegaram não se lembrar de quem deveria fazer a instalação da corda nem por que a checagem final não ocorreu.

Leia mais: Quem era a jovem de 21 anos que morreu após salto de rope jump sem corda em ponte de SP; veja vídeo

A Polícia Civil informou que os envolvidos demonstraram surpresa com a situação e afirmaram nunca ter enfrentado um episódio semelhante ao longo dos anos em que atuam na atividade.

Atividade não tinha autorização

Outro ponto investigado é a realização dos saltos na chamada Ponte do Esqueleto. De acordo com a polícia, os organizadores não possuíam autorização para promover a atividade no local.

Mesmo sem a liberação formal, o evento reuniu cerca de 100 participantes no dia do acidente.

Investigação apura homicídio com dolo eventual

Os três responsáveis foram presos em flagrante e são investigados por homicídio com dolo eventual. Nesse tipo de enquadramento, a acusação entende que a pessoa assume o risco de provocar a morte, mesmo sem intenção direta de matar.

Para a polícia, a ausência da conferência dos equipamentos antes do salto pode caracterizar a assunção desse risco.

A investigação ainda deve ouvir novas testemunhas e aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer todos os detalhes da ocorrência.

Disputa sobre responsabilidade da área

A tragédia também abriu uma discussão sobre a responsabilidade pelo local onde o salto foi realizado. A Ponte do Esqueleto integra uma área vinculada ao patrimônio da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), atualmente sob gestão da União.

A Secretaria do Patrimônio da União informou que está colaborando com as investigações. Já a Prefeitura de Limeira anunciou que pretende acionar judicialmente o Governo Federal, alegando que havia alertado anteriormente sobre a necessidade de medidas de segurança e controle de acesso na estrutura.

Enquanto o inquérito avança, a defesa dos instrutores sustenta que o grupo atua há anos na prática esportiva e classifica o episódio como uma fatalidade.

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