Flávio intensifica ofensiva e PL aposta em Michelle na busca pelas mulheres
Enquanto o presidenciável segue com acenos na busca pelo voto feminino, partido aposta na entrada da ex-primeira-dama na pré-campanha; especialista vê limitações na estratégia
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou os movimentos para ampliar sua interlocução com o eleitorado feminino em meio à pré-campanha presidencial. A estratégia inclui a possibilidade de uma mulher ocupar a vice na chapa e uma participação mais ativa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), vista pelo bolsonarismo como principal trunfo do campo conservador para ampliar o diálogo com as mulheres.
A busca por aproximação passa pela baixa adesão do eleitorado feminino ao projeto de Flávio. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada na última semana, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece com 24%, 17 pontos percentuais atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem a preferência de 41% do eleitorado feminino.
A tentativa de aproximação acontece, inclusive, em acenos públicos. Em um evento com empresárias na última semana, o senador afirmou que a “preferência” é que a vice em sua chapa seja ocupada por uma mulher. “O que eu posso falar é que o perfil é de alguém que complemente a nossa chapa, uma pessoa preparada. De preferência, uma mulher”, disse Flávio.
Para o professor da PUC-GO e doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UNB), Pedro Pietrafesa, apesar do simbolismo, a escolha de uma vice mulher possui alcance limitado. O professor destaca que a estratégia pode fortalecer o apoio entre eleitoras já alinhadas ao bolsonarismo, mas não garante avanços entre as indecisas.
“Buscar uma vice mulher por si só não é suficiente. O candidato precisa rever discursos, agendas e comportamentos. Uma vice mulher tende a reforçar o voto daquelas mulheres que já votariam nele”, explica o professor à reportagem do O HOJE.
Pietrafesa destaca que o diálogo com o eleitorado feminino é uma necessidade estratégica para o projeto do senador. Segundo o cientista, há uma tendência de maior resistência das mulheres a candidatos identificados com a extrema direita.
“O Flávio Bolsonaro precisa dialogar com esse eleitorado feminino. A gente vê nas pesquisas de opinião pública uma diferença relacionada ao sexo. Mais mulheres tendem a não votar em candidatos com o perfil que o Flávio Bolsonaro se apresenta”, afirma.
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Michelle como trunfo
Além da possibilidade de uma vice mulher, a presença de Michelle na campanha é considerada fundamental para melhorar o desempenho do senador entre as mulheres. Nos bastidores do PL, o esforço nas articulações é conduzido pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
Na avaliação do professor, a presença da ex-primeira-dama pode contribuir para tornar a candidatura mais “palatável” a parte do eleitorado feminino, sobretudo entre mulheres que não possuem rejeição consolidada ao bolsonarismo. “A Michelle Bolsonaro é uma peça política importante para o bolsonarismo nesse contato com o público feminino, mas especialmente com mulheres que já têm propensão a se identificar com pautas conservadoras”, afirma Pietrafesa.
No entanto, Pietrafesa ressalta que ainda há dúvidas sobre a capacidade da estratégia de atrair eleitoras independentes ou que não se identificam nem com o Lula nem com o campo bolsonarista.
Empecilhos na articulação
Além das possíveis limitações de Michelle, há empecilhos na articulação para que Michelle seja incluída no projeto de Flávio. Bolsonaro quer que a esposa esteja empenhada no projeto eleitoral de ser eleita senadora pelo Distrito Federal, além de a ex-primeira-dama se dedicar aos cuidados do ex-presidente, que cumpre os 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado em casa.