segunda-feira, 17 de agosto de 2026
eleições 2026

Prioridade à Gracinha Caiado exige equilíbrio da base governista

Especialistas avaliam que concentração de forças no projeto da ex-primeira-dama ao Senado é estratégica, mas exige articulação em relação aos interesses dos demais candidatos aliados ao grupo palaciano

Thiago Borgespor Thiago Borges em
Prioridade à Gracinha Caiado exige equilíbrio da base governista
Mesmo com as candidaturas avulsas, o primeiro ato de campanha reforçou a preferência da base pela candidatura de Gracinha | Foto: Divulgação

Apesar das quatro candidaturas da base governista ao Senado, o primeiro dia de campanha eleitoral serviu como amostra de que a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil) será tratada como prioridade pelo grupo que chefia o Palácio das Esmeraldas. 

Ao lado do governador de Goiás Daniel Vilela (MDB) e do candidato à presidência e ex-governador, Ronaldo Caiado (PSD), Gracinha participou de todos os atos políticos inaugurais da campanha no Entorno do Distrito Federal, no último domingo (16). 

Dos demais candidatos da base à Casa Alta, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD), e o deputado federal Zacharias Calil (MDB) participaram parcialmente dos atos. Mendanha esteve em Luziânia e Novo Gama, enquanto Calil participou da carreata em Águas Lindas. Já o senador Vanderlan Cardoso (PSD) deu o pontapé de sua campanha na região Sudoeste, em Rio Verde e Acreúna.  

O cientista político Josimar Gonçalves afirma que a concentração da estrutura governista em torno de Gracinha mostra que a ex-primeira-dama é a prioridade, mas ressalta que uma coalizão “precisa administrar interesses individuais”. 

“Do ponto de vista eleitoral, faz sentido concentrar energia na candidatura considerada mais competitiva. O problema é que uma coalizão não funciona apenas pela lógica da candidatura majoritária; ela também precisa administrar interesses individuais. Se Calil, Mendanha e Vanderlan entenderem que estão sendo apenas coadjuvantes, a estratégia pode produzir exatamente o efeito contrário: ao invés de somar forças, pode fragmentar a própria base. A estratégia é inteligente, mas exige uma gestão política muito cuidadosa”, diz Josimar em entrevista ao O HOJE. 

“O desafio da base governista é transformar a preferência por Gracinha em uma estratégia de soma, e não em uma estratégia de exclusão. Porque eleição se ganha com um candidato competitivo, mas também com uma coalizão motivada”, ressalta o cientista político. 

Aliás, as conversas sobre uma possível fragmentação da base governista não são novidade. Durante a convenção da base aliada no último dia 5, Mendanha não subiu ao palco do evento e nem discursou, diferente dos outros senatoriáveis. A razão para o ex-prefeito de Aparecida se manter discreto na convenção seria um descontentamento de Vanderlan com a candidatura do presidente da federação PRD-Solidariedade. 

Isso porque, além de Gracinha, Vanderlan também defendia que o grupo palaciano tivesse apenas duas candidaturas à Casa Alta. As candidaturas avulsas foram a resposta que o grupo chefiado por Caiado e Daniel obteve para evitar possíveis dissidências de aliados para projetos de rivais eleitorais do emedebista na disputa pelo governo do Estado. 

Apesar do risco de divisão de votos beneficiar candidaturas ao Senado de outras chapas, sobretudo as do senador Wilder Morais (PL) e a do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que estão no mesmo espectro político de Daniel, o entendimento sobre várias candidaturas se manteve. Porém, com Gracinha no topo da hierarquia de prioridades. 

O cientista político Jones Matos destaca que a movimentação em prol da ex-primeira-dama acontece em razão dos demais candidatos possuírem “base consolidada”. “Nessa fase da campanha é natural. Zacharias é deputado federal, o Mendanha é ex-prefeito de Aparecida e o Vanderlan é senador e caminha sozinho no processo”, afirma Matos em conversa com a reportagem do O HOJE.

De acordo com o cientista, Gracinha é também quem mais necessita do respaldo da base aliada. “A Gracinha não é de Goiás e nunca disputou eleição, ela sim precisa de respaldo e do apoio da estrutura da chapa governista”, diz. Matos ainda aposta: “Certamente lá na frente será priorizado um segundo nome, e o que vai determinar isso será o desempenho de cada um nas pesquisas”. 

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