CRISE INTERNACIONAL

Irã volta a anunciar fechamento do Estreito de Ormuz e amplia tensão no Oriente Médio

Anúncio iraniano ocorre em meio a negociações diplomáticas e novos confrontos no Líbano

Thais Munizpor Thais Muniz em 21 de junho de 2026
Irã volta a anunciar fechamento do Estreito de Ormuz e amplia tensão no Oriente Médio
Estreito de Ormuz, no Irã — Foto: JH/Globo

O governo do Irã voltou a anunciar neste sábado (20) o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. A medida foi justificada por Teerã como resposta a supostas violações de compromissos assumidos por Estados Unidos e Israel em um memorando de entendimento firmado nesta semana. Apesar da declaração iraniana, autoridades americanas afirmaram que o tráfego marítimo segue operando normalmente.

Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), embarcações que se aproximassem da região poderiam enfrentar riscos. Relatos vindos do Golfo também apontaram interrupções na travessia de alguns navios. Em contrapartida, o Comando Central dos Estados Unidos informou que, somente neste sábado, 55 navios mercantes atravessaram o estreito transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo para diferentes mercados.

Em entrevista à Fox News, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, contestou a versão iraniana. Segundo ele, não existem evidências de que a passagem tenha sido efetivamente bloqueada.

“Não há evidências de que a navegação tenha sido interrompida”, afirmou.

O anúncio iraniano coloca em dúvida os efeitos do acordo provisório firmado entre Washington e Teerã, que previa a suspensão do bloqueio naval americano em troca da reabertura do estreito. A passagem havia sido fechada pelo Irã após o início do conflito regional em fevereiro, provocando impactos imediatos nos preços internacionais da energia.

Negociações seguem para a Suíça

Apesar da nova tensão, representantes iranianos confirmaram que uma delegação embarcou para a Suíça com o objetivo de participar de novas rodadas de negociação. Entre os integrantes da comitiva estão o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, além de integrantes do Banco Central e do setor petrolífero do país.

O governo do Paquistão, que atua como mediador das conversas, informou que os encontros terão início neste domingo (21). Do lado americano, além de J.D. Vance, participam o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Bagahei, declarou que o principal objetivo da viagem é cobrar o cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos.

“Todo o memorando de entendimento estará em risco”, afirmou o diplomata ao comentar a possibilidade de descumprimento do pacto provisório.

As discussões também envolvem a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano. Segundo o governo de Teerã, avanços dependerão do cumprimento integral das condições previstas no acordo firmado nesta semana.

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Cessar-fogo no Líbano enfrenta dificuldades

Enquanto diplomatas se preparam para as negociações na Europa, a situação no Líbano voltou a se deteriorar. Menos de 24 horas após a entrada em vigor de um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, novos confrontos foram registrados no sul do país.

Ataques israelenses deixaram pelo menos 27 mortos entre a noite de sexta-feira (19) e a manhã deste sábado (20), segundo autoridades locais. Entre as vítimas estão moradores de diferentes cidades do sul libanês.

As Forças Armadas de Israel afirmaram que os bombardeios ocorreram após o lançamento de foguetes contra posições israelenses. Segundo o Exército, um militar morreu e outros 13 ficaram feridos nos ataques atribuídos ao Hezbollah.

Na sexta-feira, o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, declarou que o país está disposto a manter um cessar-fogo imediato caso o grupo libanês interrompa suas ofensivas. Já o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu informou que cerca de 150 alvos ligados ao Hezbollah foram atingidos recentemente e declarou que as operações militares continuarão enquanto houver ameaças à segurança israelense.

Por sua vez, o Hezbollah afirmou aceitar a trégua, mas acusou Israel de realizar sucessivas violações do acordo. O grupo também voltou a exigir a retirada completa das tropas israelenses do território libanês.

O Irã sustenta que a estabilização da situação no Líbano faz parte dos entendimentos negociados com os Estados Unidos. No entanto, como nem Israel nem o Hezbollah participam formalmente do memorando assinado entre Washington e Teerã, a manutenção do cessar-fogo permanece incerta.

Uma nova rodada de negociações envolvendo representantes israelenses e libaneses, com apoio dos Estados Unidos, está prevista para ocorrer em Washington na próxima semana.

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