quinta-feira, 18 de junho de 2026
NEGOCIAÇÕES

Prazo de 60 dias começa, e JD Vance cobra negociação “de boa fé” do Irã

Vice-presidente dos Estados Unidos afirma que período previsto no memorando será decisivo para definir os detalhes do entendimento entre Washington e Teerã

Thais Munizpor Thais Muniz em 18 de junho de 2026
irã
Vice-presidente norte-americano, JD Vance - Foto: Sarah Rice

Os Estados Unidos e o Irã deram início nesta quinta-feira (18) a uma nova etapa das negociações que busca consolidar um acordo de paz e encerrar tensões acumuladas nos últimos meses no Oriente Médio. O prazo de 60 dias previsto no memorando de entendimento firmado entre os dois países começou oficialmente hoje, segundo anunciou o vice-presidente norte-americano, JD Vance, durante coletiva na Casa Branca.

O período será utilizado para discutir temas considerados centrais para a relação entre Washington e Teerã, incluindo o programa nuclear iraniano, a suspensão de sanções econômicas, a liberação de ativos congelados e mecanismos de fiscalização internacional.

Ao comentar o início da nova fase, Vance afirmou que “o período de 60 dias começou oficialmente hoje” e destacou que as negociações finais serão responsáveis por definir os próximos passos do entendimento firmado entre os dois governos.

Críticas ao acordo e dúvidas sobre sua execução

Apesar do avanço diplomático, o memorando enfrenta resistência dentro dos próprios Estados Unidos. Entre as principais críticas está a avaliação de que o entendimento concede benefícios econômicos ao Irã sem apresentar, neste momento, garantias detalhadas sobre mudanças em seu programa nuclear.

O acordo prevê, entre outros pontos, a retomada gradual da exportação de petróleo iraniano e a criação de um fundo bilionário voltado à reconstrução e ao desenvolvimento econômico do país. Entretanto, o governo norte-americano ainda não detalhou quem financiará esse mecanismo nem como ocorrerá sua implementação.

Durante a coletiva, Vance afirmou que Washington pretende monitorar os recursos obtidos pelo Irã para verificar se os valores não serão direcionados ao financiamento de grupos classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas.

O vice-presidente também declarou que o governo está confiante de que poderá suspender temporariamente determinadas sanções sem necessidade de aprovação imediata do Congresso norte-americano, embora os detalhes do acordo ainda devam ser apresentados aos parlamentares.

Israel entra no centro das discussões

Outro ponto sensível envolve Israel. O memorando estabelece o encerramento de confrontos em diferentes frentes da região, incluindo o Líbano. Entre as previsões está a retirada das tropas israelenses do território libanês, medida que já enfrenta resistência por parte do governo israelense.

Ao abordar o tema, Vance afirmou que todos os envolvidos no processo devem cumprir os termos acordados. Ele também declarou que ataques realizados por Israel em território libanês prejudicaram, em diferentes momentos, os esforços diplomáticos relacionados às negociações.

O vice-presidente classificou como “inaceitáveis” ataques que resultem na morte de civis e afirmou que o acordo pode trazer benefícios para a estabilidade regional, incluindo para a própria população israelense.

Além das questões militares, outro tema que deve dominar as negociações é o futuro do Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte mundial de petróleo e gás. Os Estados Unidos defendem que a rota permaneça aberta e sem cobranças para embarcações internacionais. Durante a guerra, o Irã chegou a restringir a navegação na região.

Os próximos dois meses serão dedicados à tentativa de transformar os compromissos gerais estabelecidos no memorando em medidas concretas. Entre os assuntos pendentes estão o destino do estoque iraniano de urânio enriquecido, a fiscalização internacional do programa nuclear e o cronograma para o alívio das sanções econômicas.

Embora o acordo tenha aberto uma nova frente de diálogo entre Washington e Teerã, analistas e integrantes dos dois países ainda levantam dúvidas sobre a possibilidade de todas as questões serem resolvidas dentro do prazo de 60 dias estabelecido no memorando.

 

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