quarta-feira, 17 de junho de 2026
ACABOU O AMOR?

Trump endurece críticas a Netanyahu e sugere Síria contra Hezbollah

Presidente dos Estados Unidos volta a cobrar mudanças na atuação de Israel no Líbano e amplia sinais de desgaste na relação com o premiê israelense

Thais Munizpor Thais Muniz em 17 de junho de 2026
trump
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (à esq.), e presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, resort de Trump na Flórida | Foto: Reprodução/X/@netanyahu - 29.12.2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou, nesta terça-feira (16), o tom das críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ao defender uma postura mais cautelosa de Israel no Líbano e sugerir que a Síria poderia atuar contra o Hezbollah. As declarações foram feitas durante a cúpula do G7, na França, e ampliam os sinais de desgaste entre dois líderes que, até recentemente, mantinham uma relação marcada pela proximidade política.

Ao comentar os ataques israelenses contra alvos ligados ao Hezbollah em território libanês, Trump afirmou que Netanyahu precisa ser “mais responsável em relação ao Líbano”. O presidente americano também criticou operações que atingem áreas residenciais e provocam mortes de civis.

“Você não precisa demolir um prédio de apartamentos toda vez que estiver procurando por alguém”, declarou Trump. Em seguida, acrescentou que, caso Israel não consiga combater o Hezbollah sem atingir a população civil, o governo sírio poderia desempenhar esse papel.

Relação entre Trump e Netanyahu enfrenta novo momento de desgaste

As declarações ocorrem em meio às negociações conduzidas por Washington para consolidar um acordo com o Irã e reduzir as tensões no Oriente Médio. Segundo Trump, as ações militares israelenses no Líbano têm dificultado os esforços diplomáticos da Casa Branca.

Em outra fala aos jornalistas, o presidente americano afirmou que mantém uma boa relação com Netanyahu, conhecido pelo apelido de “Bibi”, mas reforçou que o premiê israelense precisa agir de forma mais responsável. “Sem mim, não haveria Israel, porque nenhum outro presidente estaria disposto a fazer o que eu fiz”, disse Trump ao comentar a parceria histórica entre os dois governos.

Netanyahu, por sua vez, tem evitado confrontos públicos com o líder americano. Na segunda-feira (15), ao comentar o acordo entre Estados Unidos e Irã, afirmou que existem momentos em que ambos divergem, mas ressaltou que sua prioridade continua sendo a segurança de Israel.

De acordo com informações divulgadas por veículos internacionais, o governo israelense busca uma reunião com Trump após o retorno do presidente americano da Europa para discutir as negociações em andamento e apresentar as preocupações de Israel sobre o futuro do Hezbollah e da influência iraniana na região.

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A possibilidade levantada por Trump de uma atuação síria contra o Hezbollah chamou atenção por representar uma mudança no discurso de Washington sobre o equilíbrio de forças na região.

Segundo a agência Reuters, Trump confirmou ter conversado com o presidente sírio Ahmed al-Sharaa sobre o tema. O líder americano afirmou acreditar que o governo sírio poderia lidar com o grupo apoiado pelo Irã de maneira mais eficiente do que as atuais operações israelenses.

A proposta, entretanto, não encontra respaldo imediato. O próprio governo sírio já havia indicado anteriormente que não pretende enviar tropas ao Líbano por considerar que isso poderia ampliar a instabilidade regional.

O episódio ocorre em um momento delicado para Netanyahu. Conforme apurou a jornalista Sandra Cohen, do g1, o primeiro-ministro israelense enfrenta críticas internas após o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã e vê sua margem de influência sobre Trump diminuir. A colunista destaca que o líder israelense ficou fora das negociações finais e sequer teve acesso aos detalhes do entendimento entre Washington e Teerã.

Além disso, analistas políticos e militares em Israel avaliam que o atual cenário aumentou o isolamento do premiê tanto no campo diplomático quanto no ambiente político interno.

Apesar das divergências públicas, Estados Unidos e Israel continuam aliados estratégicos. No entanto, as declarações recentes indicam uma fase de maior tensão entre Trump e Netanyahu, especialmente em torno da condução da guerra no Líbano, do papel do Hezbollah e das negociações envolvendo o Irã.

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