quarta-feira, 19 de agosto de 2026
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Vacina criada com Inteligência Artificial é testada em humanos

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores britânicos foi aplicada em 39 voluntários e busca ampliar a proteção contra diferentes coronavírus

Thais Munizpor Thais Muniz em
Vacina criada com Inteligência Artificial é testada em humanos
Imagem gerada por IA

Uma vacina contra coronavírus desenvolvida com auxílio de inteligência artificial (IA) foi testada pela primeira vez em humanos. Criada por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, em parceria com a empresa DIOSynVax, a tecnologia foi projetada para oferecer proteção contra diferentes vírus da família Sarbeco, que inclui o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19.

O primeiro ensaio clínico envolveu 39 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 50 anos. Segundo os pesquisadores, a vacina foi bem tolerada e não apresentou problemas significativos de segurança. Os resultados foram publicados no Journal of Infection.

Apesar dos resultados iniciais de segurança, a resposta imunológica observada nos participantes foi considerada modesta. Por isso, ainda são necessários estudos maiores para verificar se a tecnologia consegue produzir uma proteção ampla e duradoura em diferentes grupos da população.

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Como a inteligência artificial foi usada

O principal diferencial da vacina está no chamado “superantígeno”, componente desenvolvido por meio de simulações computacionais e aprendizado de máquina. Em vez de selecionar uma variante específica já identificada, os pesquisadores analisaram dados genéticos de diferentes coronavírus Sarbeco.

A partir dessas informações, o sistema foi usado para identificar características comuns entre os vírus e projetar um antígeno capaz de estimular uma resposta imunológica contra regiões mais conservadas. A estratégia também considera vírus relacionados que ainda não tenham circulado entre humanos.

“Transformamos o desenvolvimento de vacinas, deixando de ser reativo para passar a estar preparado para o futuro”, afirmou Jonathan Heeney, professor da Universidade de Cambridge e responsável científico pela pesquisa.

Segundo o pesquisador, a proposta é reduzir a necessidade de desenvolver novas formulações sempre que surgem variantes capazes de escapar parcialmente da proteção existente.

A estratégia, no entanto, ainda está em fase de desenvolvimento. O estudo publicado avaliou principalmente segurança, tolerabilidade e resposta imunológica inicial. Além disso, os próprios pesquisadores apontaram que os níveis elevados de anticorpos já existentes entre os voluntários dificultaram a interpretação dos resultados de imunogenicidade.

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Vacina é aplicada sem agulha

Outro aspecto da tecnologia está na forma de administração. No ensaio clínico, a vacina de DNA foi aplicada por via intradérmica com um sistema de microjato, utilizando o dispositivo PharmaJet Tropis.

Em vez de uma seringa metálica, o equipamento utiliza um jato de fluido em alta velocidade para levar o conteúdo à pele. A técnica dispensa a agulha convencional e pode facilitar a aplicação em determinados contextos.

Os 39 participantes receberam doses em diferentes concentrações durante o estudo de fase 1, realizado entre dezembro de 2021 e setembro de 2023. Não foram identificados problemas significativos de segurança nas quatro doses avaliadas.

Ainda assim, os resultados não permitem afirmar que a vacina já seja capaz de prevenir futuras pandemias. O estudo teve como objetivo inicial avaliar a segurança da tecnologia, e a resposta imunológica observada foi mais limitada do que a registrada anteriormente em testes com animais.

Os pesquisadores agora avançam para uma etapa com um número maior de participantes. Um ensaio clínico de fase 2 deverá avaliar a resposta imunológica em uma população mais ampla e diversificada e verificar se a vacina consegue produzir uma proteção mais forte e abrangente.

A pesquisa foi conduzida nas instalações de pesquisa clínica do National Institute for Health and Care Research (NIHR), em Southampton e Cambridge, e teve patrocínio do University Hospital Southampton NHS Foundation Trust.

 

Fontes: Universidade de Cambridge e Journal of Infection.

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