domingo, 18 de outubro de 2026
UNIVERSO

Astrônomos detectam sinal rádio vindo de planeta a 63 anos-luz da Terra

Observação do Beta Pictoris b permitiu identificar uma emissão associada ao campo magnético do gigante gasoso

Thais Munizpor em
rádio
Imagem gerada por Inteligência Artificial

Astrônomos detectaram, pela primeira vez, uma emissão de rádio localizada diretamente em um planeta fora do Sistema Solar. O sinal foi identificado no exoplaneta Beta Pictoris b, um gigante gasoso situado a cerca de 63 anos-luz da Terra.

A observação foi realizada com o conjunto de radiotelescópios MeerKAT, na África do Sul. O equipamento permitiu separar a emissão associada ao planeta daquela proveniente da estrela Beta Pictoris, que abriga o sistema.

O estudo foi elaborado por pesquisadores do Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian e da Universidade do Oregon. O trabalho foi disponibilizado em setembro de 2026 no repositório científico arXiv e ainda aguarda revisão por pares.

Sinal está relacionado a fenômeno semelhante às auroras

As ondas de rádio foram registradas em frequências entre 0,85 e 3,5 gigahertz. Segundo os pesquisadores, as características da emissão são compatíveis com a chamada instabilidade maser de ciclotron de elétrons, um processo físico associado à produção de emissões de rádio aurorais.

O mecanismo também ocorre no Sistema Solar. Na Terra, por exemplo, as auroras estão relacionadas à interação entre partículas energéticas e o campo magnético do planeta. Em Júpiter, fenômenos semelhantes também produzem emissões de rádio.

No caso do Beta Pictoris b, a emissão permitiu investigar uma propriedade do planeta que não havia sido medida diretamente em um exoplaneta: a intensidade de seu campo magnético.

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Campo magnético é pelo menos 1.250 vezes maior que o da Terra

A partir das frequências observadas, a equipe estimou que o Beta Pictoris b possui um campo magnético de pelo menos 1.250 gauss. O campo magnético terrestre, em comparação, apresenta cerca de 0,5 gauss.

O exoplaneta tem massa estimada em aproximadamente dez vezes a de Júpiter e completa uma rotação em torno do próprio eixo a cada oito horas. A velocidade de rotação está entre as características consideradas na análise das emissões registradas.

A localização do sinal também foi um ponto importante da pesquisa. Os cientistas utilizaram referências astronômicas para determinar a posição da fonte de rádio e diferenciá-la da estrela hospedeira.

De acordo com o estudo, a posição da emissão é incompatível com a estrela Beta Pictoris em 4,4 sigmas e com o outro planeta conhecido no sistema, Beta Pictoris c, em 4,8 sigmas. Os testes realizados com diferentes referências mantiveram a associação do sinal com o Beta Pictoris b.

Descoberta ainda precisa passar por revisão científica

O estudo foi publicado como preprint, formato que permite a divulgação de uma pesquisa antes da avaliação formal por outros especialistas. Por isso, os resultados ainda dependem da revisão por pares para validação em uma publicação científica.

A equipe também pretende ampliar a investigação para outros exoplanetas. Conforme o trabalho, sete candidatos poderão ser analisados em pesquisas futuras, com o objetivo de verificar se apresentam emissões semelhantes.

A presença de um campo magnético intenso também é relevante para os estudos sobre atmosferas planetárias. Campos magnéticos podem atuar na proteção da atmosfera contra partículas provenientes da estrela, embora a existência de um campo forte, por si só, não determine se um planeta é habitável.

O resultado, portanto, fornece uma nova forma de investigar propriedades físicas de mundos localizados fora do Sistema Solar, a partir das emissões de rádio captadas por radiotelescópios.

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