Astrônomos detectam sinal rádio vindo de planeta a 63 anos-luz da Terra
Observação do Beta Pictoris b permitiu identificar uma emissão associada ao campo magnético do gigante gasoso
Astrônomos detectaram, pela primeira vez, uma emissão de rádio localizada diretamente em um planeta fora do Sistema Solar. O sinal foi identificado no exoplaneta Beta Pictoris b, um gigante gasoso situado a cerca de 63 anos-luz da Terra.
A observação foi realizada com o conjunto de radiotelescópios MeerKAT, na África do Sul. O equipamento permitiu separar a emissão associada ao planeta daquela proveniente da estrela Beta Pictoris, que abriga o sistema.
O estudo foi elaborado por pesquisadores do Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian e da Universidade do Oregon. O trabalho foi disponibilizado em setembro de 2026 no repositório científico arXiv e ainda aguarda revisão por pares.
Sinal está relacionado a fenômeno semelhante às auroras
As ondas de rádio foram registradas em frequências entre 0,85 e 3,5 gigahertz. Segundo os pesquisadores, as características da emissão são compatíveis com a chamada instabilidade maser de ciclotron de elétrons, um processo físico associado à produção de emissões de rádio aurorais.
O mecanismo também ocorre no Sistema Solar. Na Terra, por exemplo, as auroras estão relacionadas à interação entre partículas energéticas e o campo magnético do planeta. Em Júpiter, fenômenos semelhantes também produzem emissões de rádio.
No caso do Beta Pictoris b, a emissão permitiu investigar uma propriedade do planeta que não havia sido medida diretamente em um exoplaneta: a intensidade de seu campo magnético.
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Campo magnético é pelo menos 1.250 vezes maior que o da Terra
A partir das frequências observadas, a equipe estimou que o Beta Pictoris b possui um campo magnético de pelo menos 1.250 gauss. O campo magnético terrestre, em comparação, apresenta cerca de 0,5 gauss.
O exoplaneta tem massa estimada em aproximadamente dez vezes a de Júpiter e completa uma rotação em torno do próprio eixo a cada oito horas. A velocidade de rotação está entre as características consideradas na análise das emissões registradas.
A localização do sinal também foi um ponto importante da pesquisa. Os cientistas utilizaram referências astronômicas para determinar a posição da fonte de rádio e diferenciá-la da estrela hospedeira.
De acordo com o estudo, a posição da emissão é incompatível com a estrela Beta Pictoris em 4,4 sigmas e com o outro planeta conhecido no sistema, Beta Pictoris c, em 4,8 sigmas. Os testes realizados com diferentes referências mantiveram a associação do sinal com o Beta Pictoris b.
Descoberta ainda precisa passar por revisão científica
O estudo foi publicado como preprint, formato que permite a divulgação de uma pesquisa antes da avaliação formal por outros especialistas. Por isso, os resultados ainda dependem da revisão por pares para validação em uma publicação científica.
A equipe também pretende ampliar a investigação para outros exoplanetas. Conforme o trabalho, sete candidatos poderão ser analisados em pesquisas futuras, com o objetivo de verificar se apresentam emissões semelhantes.
A presença de um campo magnético intenso também é relevante para os estudos sobre atmosferas planetárias. Campos magnéticos podem atuar na proteção da atmosfera contra partículas provenientes da estrela, embora a existência de um campo forte, por si só, não determine se um planeta é habitável.
O resultado, portanto, fornece uma nova forma de investigar propriedades físicas de mundos localizados fora do Sistema Solar, a partir das emissões de rádio captadas por radiotelescópios.
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