quarta-feira, 29 de julho de 2026
"ATIVIDADES TERRORISTAS"

Fundador do Telegram entra na mira da Rússia e pode ser preso a qualquer momento

Pavel Durov é acusado de facilitar atividades terroristas ao não retirar conteúdos supostamente usados por agentes ucranianos

Bia Salespor Bia Sales em 29 de julho de 2026 às 16:30
Rússia manda para prisão fundador do Telegram
(Imagem: Natee Meepian/Shutterstock)

O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou, nesta quarta-feira (29), a abertura de uma acusação formal contra o fundador e CEO do Telegram, Pavel Durov. O empresário é acusado de facilitar atividades terroristas, e as autoridades russas emitiram um mandado internacional de prisão contra ele.

Segundo o FSB, o processo está relacionado à suposta omissão do Telegram na retirada de conteúdos utilizados por serviços de inteligência da Ucrânia e por organizações classificadas pela Rússia como terroristas e extremistas.

As publicações teriam sido empregadas, de acordo com o governo russo, na preparação e coordenação de atos de sabotagem, ataques terroristas, massacres e operações de fraude cibernética dentro do território do país.

Pouco depois do anúncio, a conta oficial do Telegram na rede social X publicou uma fotografia de Durov fazendo um gesto obsceno com o dedo médio. Até a última atualização, nem o empresário nem a plataforma haviam divulgado uma manifestação formal sobre as acusações. O paradeiro atual do fundador do aplicativo é desconhecido.

Pressão sobre o Telegram

Fundado em 2013, o Telegram afirma possuir mais de 1 bilhão de usuários. O aplicativo de mensagens criptografadas é amplamente utilizado pelos dois lados da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Nos últimos anos, o governo do presidente Vladimir Putin intensificou as tentativas de restringir o funcionamento da plataforma no território russo. Ao mesmo tempo, passou a promover o Max, aplicativo estatal de mensagens apresentado como uma alternativa ao Telegram.

Apesar da pressão, instituições do próprio governo russo continuam usando o aplicativo. O Kremlin e o Ministério da Defesa, por exemplo, mantêm canais ativos e fazem publicações diárias na plataforma.

Durov nasceu na Rússia, mas possui atualmente passaportes dos Emirados Árabes Unidos e da França. Antes de criar o Telegram, ele fundou a VKontakte, rede social conhecida como a versão russa do Facebook. O empresário vendeu sua participação restante na companhia em 2014, após enfrentar pressão das autoridades russas.

Investigação na França

O empresário também responde a uma investigação na França. As autoridades francesas apuram se o Telegram deixou de combater adequadamente atividades criminosas e se falhou na cooperação com pedidos feitos pelas forças de segurança.

Durov foi preso na França em agosto de 2024, mas acabou libertado poucos dias depois. Ele nega as irregularidades atribuídas a ele.

Em abril, Durov afirmou que uma intimação destinada ao “Suspeito P.V. Durov” havia sido entregue em um apartamento na Rússia onde ele morou há cerca de 20 anos.

“Eles devem estar suspeitando que eu defendo os artigos 29 e 23 da Constituição russa — que garantem a liberdade de expressão e o direito à correspondência privada. Orgulhoso de ser culpado!”, escreveu.

Uma publicação feita em 16 de maio indicava que o empresário estava em Dubai. Já no dia 23 de julho, Durov afirmou estar “muito impressionado com a Geórgia” e disse esperar retornar ao país “muito em breve”.

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