domingo, 8 de novembro de 2026
OPINIÃO

Daniel não tem tempo, cargo nem paciência para políticos

Provável chusma de nanicos vai testar os nervos e a verba do governador, que substituiu Caiado e trocou metade do secretariado sem atender aos partidos, que têm gula por estrutura e cada um dispõe de até 60 candidatos à Assembleia e Câmara loucos para trair

Nilson Gomespor em
daniel
Pela primeira vez desde Henrique Santillo (1987-1990), Goiás está com um governador sem paciência para ouvir cantilena de político. Pela primeira vez desde Alcides Rodrigues (2006-2010), o governador é inexperiente em articulações regionais - Foto: Jota Eurípedes e Hegon Corrêa

Junho é o mês das quadrilhas e julho, o da traição. Começa hoje a corrida pelas grandes convenções, como as quatro que interessam, as de Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT). É agora que a porca torce o rabo de foguete em que os comitês são formados. Pela primeira vez desde Henrique Santillo (1987-1990), Goiás está com um governador sem paciência para ouvir cantilena de político. Pela primeira vez desde Alcides Rodrigues (2006-2010), o governador é inexperiente em articulações regionais. Pela primeira vez em 300 anos, o governador é alguém que nunca teve um chefe – até Marconi Perillo (1999-2006, 2011-2018) havia tido um trabalho, o de assessor de Santillo. Essa salada mista é indigesta, pois cobra caro de quem não engole o que aliados e opositores têm a dizer a quem comanda.

Iris Rezende, Marconi Perillo e Ronaldo Caiado sempre demonstraram apetite voraz para o exercício dos cargos. Daniel foi deputado estadual como Iris e Marconi e federal como Marconi e Caiado. Mas nunca passou pelos apuros de quem governa. Iris tirou o poder da direita em 1982. Marconi tirou o poder do irismo em 1998. Caiado tirou o poder do marconismo em 2018. Daniel faz uma gestão de continuidade com perfil completamente distinto de quem sucede e o apadrinha. Ele e Ronaldo Caiado têm exatamente nada em comum.

A falta desse acolhimento o torna único entre os governadores

Caiado senta-se à mesa com os partidos, joga a cabeleira para trás e as pernas finas para frente e é todo ouvidos, escuta até ficar rouco. Daniel não consegue se dedicar pessoalmente com tamanha fleugma. E será fundamental, pois está com provável chusma de partidos nanicos para atender. E não atende. Tem fila de gente para agendar. E não agenda. A falta desse acolhimento o torna único entre os governadores, talvez à exceção de Santillo. Seu pai, Maguito Vilela, levava todo mundo para jogar futebol no campinho do engenheiro Luiz Bittencourt e saíam todos numa boa. Daniel não tem essa pachorra.

Além de testar os nervos do jovem governador, os presidentes de partidos e suas centenas de candidatos a deputado aplicam na prática a teoria dos jogos, mesmo nunca tendo estudado algo do gênero. Atualmente, essa multidão inteira fala mal de Daniel. A verba de que o governador dispõe está esquálida para investimentos, porém ainda suficiente para bancar os 30 programas sociais. Mesmo assim, a grita é imensa por gastos, que o governador está segurando. No fim de março, quando assumiu no lugar de Ronaldo Caiado, Daniel pôs a mão na massa e na caneta, demitiu metade do time de quem saiu, parte dela por questões eleitorais, como os responsáveis pela infraestrutura, o secretário Adib Elias (que vai se candidatar a deputado estadual) e Pedro Sales (a federal). E não ouviu os aliados de pequenos partidos antes de nomear a nova equipe.

Líderes partidários esperavam tudo, Daniel lhes deu nada

É conhecida a voracidade dos líderes partidários por colocar gente em governo. Eles esperavam tudo, Daniel lhes deu nada. A partir de agora, o governador não terá mais sequer os cargos, pois todo dia se extingue um prazo eleitoral. Em resumo, dirigentes das siglas e os pretendentes ao Congresso e à Assembleia vão trair. Talvez não todos, certamente alguns, a verdade é que essa gente não aguenta sem cargo, dinheiro e oportunidade. Quem Daniel perder vai direto para a oposição. Ninguém fica com governo sem receber e vai de graça para os adversários. O que custa o inferno para Daniel, quando chega em Wilder, Marconi e Luis Cesar já se exige somente santinho.

Cada partido que Daniel perder, e ele pode se livrar de dez dos 18 que seus áulicos dizem ter, dispõe de até 60 candidatos à Assembleia e Câmara loucos para pular no barco de quem oferece ao menos um sorriso. Não é o caso de Daniel. Não tem cargo. Não tem tempo. Não tem disposição. Não tem paciência. Não tem expertise. E não há sequer a menor possibilidade de conseguir tudo isso até a eleição. Muito menos neste mês que está começando. (Especial para O HOJE)

 

Leia também: 

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Quaest: pesquisa mostra que 62% consideram erro a ida de Flávio Bolsonaro aos EUA

ELEIÇÕES 2026

Quaest: pesquisa mostra que 62% consideram erro a ida de Flávio Bolsonaro aos EUA

Entre lulistas, 96% veem pleito limpo e justo; entre bolsonaristas, 93% dizem que houve fraude
Lula

Presidente do Brasil

Lula tenta recuperar voz antes de viagem à Turquia

Presidente reservou este sábado (7) para cuidar da rouquidão. Na segunda-feira (9), embarca para p...
Celina Leão

Distrito Federal

Celina autoriza concurso com 57 vagas para médicos da atenção básica no DF

Governadora Celina Leão também anunciou 100 novas vagas para médicos de urgência e emergência; ...
Bancada goiana terá maioria de oposição e de independentes ao governo Lula

Câmara dos Deputados

Bancada goiana terá maioria de oposição e de independentes ao governo Lula

Petistas devem ser os únicos aliados declarados do presidente entre os 17 deputados federais eleito...
Presidências de Câmara e Senado só se decidem após posse de Lula

OPINIÃO

Presidências de Câmara e Senado só se decidem após posse de Lula

Novo ministério vai definir reeleição de Alcolumbre e Motta, além do impeachment de integrantes ...
Caiado

Debandada

Com Caiado no PSD, União Brasil terá que evitar perda de aliados

Saída do ex-governador pode ampliar a migração de prefeitos da antiga sigla para o novo partido d...
Lula sanciona lei que torna exame nacional obrigatório para exercício da medicina no Brasil

SAÚDE

Lula sanciona lei que torna exame nacional obrigatório para exercício da medicina no Brasil

Enamed será aplicado ao final do 2º, 4º e 6º anos da graduação; formandos que não atingirem p...
“Não tenho provas”: Flávio questiona eleições e admite disputar Presidência em 2030

eleições presidenciais

“Não tenho provas”: Flávio questiona eleições e admite disputar Presidência em 2030

Flávio questiona resultado das eleições, anuncia ação contra Lula e fala em disputar 2030