sábado, 17 de outubro de 2026
OPINIÃO

Daniel não tem tempo, cargo nem paciência para políticos

Provável chusma de nanicos vai testar os nervos e a verba do governador, que substituiu Caiado e trocou metade do secretariado sem atender aos partidos, que têm gula por estrutura e cada um dispõe de até 60 candidatos à Assembleia e Câmara loucos para trair

Nilson Gomespor em
daniel
Pela primeira vez desde Henrique Santillo (1987-1990), Goiás está com um governador sem paciência para ouvir cantilena de político. Pela primeira vez desde Alcides Rodrigues (2006-2010), o governador é inexperiente em articulações regionais - Foto: Jota Eurípedes e Hegon Corrêa

Junho é o mês das quadrilhas e julho, o da traição. Começa hoje a corrida pelas grandes convenções, como as quatro que interessam, as de Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT). É agora que a porca torce o rabo de foguete em que os comitês são formados. Pela primeira vez desde Henrique Santillo (1987-1990), Goiás está com um governador sem paciência para ouvir cantilena de político. Pela primeira vez desde Alcides Rodrigues (2006-2010), o governador é inexperiente em articulações regionais. Pela primeira vez em 300 anos, o governador é alguém que nunca teve um chefe – até Marconi Perillo (1999-2006, 2011-2018) havia tido um trabalho, o de assessor de Santillo. Essa salada mista é indigesta, pois cobra caro de quem não engole o que aliados e opositores têm a dizer a quem comanda.

Iris Rezende, Marconi Perillo e Ronaldo Caiado sempre demonstraram apetite voraz para o exercício dos cargos. Daniel foi deputado estadual como Iris e Marconi e federal como Marconi e Caiado. Mas nunca passou pelos apuros de quem governa. Iris tirou o poder da direita em 1982. Marconi tirou o poder do irismo em 1998. Caiado tirou o poder do marconismo em 2018. Daniel faz uma gestão de continuidade com perfil completamente distinto de quem sucede e o apadrinha. Ele e Ronaldo Caiado têm exatamente nada em comum.

A falta desse acolhimento o torna único entre os governadores

Caiado senta-se à mesa com os partidos, joga a cabeleira para trás e as pernas finas para frente e é todo ouvidos, escuta até ficar rouco. Daniel não consegue se dedicar pessoalmente com tamanha fleugma. E será fundamental, pois está com provável chusma de partidos nanicos para atender. E não atende. Tem fila de gente para agendar. E não agenda. A falta desse acolhimento o torna único entre os governadores, talvez à exceção de Santillo. Seu pai, Maguito Vilela, levava todo mundo para jogar futebol no campinho do engenheiro Luiz Bittencourt e saíam todos numa boa. Daniel não tem essa pachorra.

Além de testar os nervos do jovem governador, os presidentes de partidos e suas centenas de candidatos a deputado aplicam na prática a teoria dos jogos, mesmo nunca tendo estudado algo do gênero. Atualmente, essa multidão inteira fala mal de Daniel. A verba de que o governador dispõe está esquálida para investimentos, porém ainda suficiente para bancar os 30 programas sociais. Mesmo assim, a grita é imensa por gastos, que o governador está segurando. No fim de março, quando assumiu no lugar de Ronaldo Caiado, Daniel pôs a mão na massa e na caneta, demitiu metade do time de quem saiu, parte dela por questões eleitorais, como os responsáveis pela infraestrutura, o secretário Adib Elias (que vai se candidatar a deputado estadual) e Pedro Sales (a federal). E não ouviu os aliados de pequenos partidos antes de nomear a nova equipe.

Líderes partidários esperavam tudo, Daniel lhes deu nada

É conhecida a voracidade dos líderes partidários por colocar gente em governo. Eles esperavam tudo, Daniel lhes deu nada. A partir de agora, o governador não terá mais sequer os cargos, pois todo dia se extingue um prazo eleitoral. Em resumo, dirigentes das siglas e os pretendentes ao Congresso e à Assembleia vão trair. Talvez não todos, certamente alguns, a verdade é que essa gente não aguenta sem cargo, dinheiro e oportunidade. Quem Daniel perder vai direto para a oposição. Ninguém fica com governo sem receber e vai de graça para os adversários. O que custa o inferno para Daniel, quando chega em Wilder, Marconi e Luis Cesar já se exige somente santinho.

Cada partido que Daniel perder, e ele pode se livrar de dez dos 18 que seus áulicos dizem ter, dispõe de até 60 candidatos à Assembleia e Câmara loucos para pular no barco de quem oferece ao menos um sorriso. Não é o caso de Daniel. Não tem cargo. Não tem tempo. Não tem disposição. Não tem paciência. Não tem expertise. E não há sequer a menor possibilidade de conseguir tudo isso até a eleição. Muito menos neste mês que está começando. (Especial para O HOJE)

 

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