Canetas emagrecedoras mudam perfil do lifting facial no Brasil
Perda de peso acelerada por medicamentos como Ozempic e Wegovy provoca flacidez na face antes do tempo; cirurgiões alertam para avaliação individual antes de qualquer procedimento
A popularização das canetas emagrecedoras criou uma nova demanda nos consultórios de cirurgia plástica. Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro aceleram a perda de peso, mas produzem um efeito colateral estético que chegou com nome próprio ao vocabulário da medicina: o rosto de Ozempic.
O fenômeno se manifesta com aparência cansada, mandíbula caída e falta de volume, queixas que antes eram associadas ao envelhecimento natural e que agora aparecem em pacientes na casa dos 30 anos.
A explicação está nos coxins adiposos, estruturas de gordura que sustentam bochechas, têmporas, mandíbula e região abaixo dos olhos. Quando o emagrecimento é muito rápido, esses compartimentos diminuem, mas a pele não retrai no mesmo ritmo.
“O rosto tem compartimentos de gordura que funcionam como sustentação natural. Quando o paciente emagrece muito rápido, esses coxins adiposos diminuem e a pele perde apoio. O resultado pode ser uma face mais caída, com aspecto cansado, sulcos marcados e envelhecimento precoce, mesmo em pessoas mais jovens”, explica o cirurgião plástico David Di Sessa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Uma cirurgia que deixou de ser exclusividade dos 50 anos
O lifting facial, procedimento historicamente associado a pacientes mais maduros, aparece com frequência crescente entre pessoas com menos de 40 anos. O movimento combina a pressão estética das redes sociais, o emagrecimento medicamentoso e a busca por resultados mais naturais.
“Existe uma diferença importante entre emagrecer o corpo e preservar a harmonia do rosto. Aos 30 anos, o colágeno já começa a diminuir e a pele responde com menos elasticidade. Quando a perda de peso é muito rápida, a face pode envelhecer antes do tempo, porque volume, pele e sustentação deixam de acompanhar o mesmo processo”, enfatiza Di Sessa.
Esse comportamento explica o crescimento da procura por minilifting, lifting facial e técnicas que tratam planos profundos da face. O objetivo não é alterar traços, mas reposicionar tecidos, recuperar o contorno e corrigir o excesso de pele. Em muitos casos, procedimentos dermatológicos isolados não conseguem compensar a perda estrutural provocada pelo emagrecimento acelerado.
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Quando a cirurgia é necessária
Nem todo emagrecimento provoca flacidez intensa, e nem toda flacidez exige intervenção cirúrgica. A indicação depende de avaliação individual, estabilidade do peso, qualidade da pele e grau de perda dos coxins adiposos.
“Bioestimuladores, lasers e preenchedores ajudam em quadros leves, mas eles não substituem a cirurgia quando existe queda real dos tecidos. O lifting facial reposiciona estruturas profundas e trata a flacidez de maneira mais efetiva”, diz o cirurgião.
Di Sessa alerta também para a leitura equivocada que casos de celebridades podem provocar no público. Fotos, ângulos, maquiagem, idade, histórico de procedimentos e grau de emagrecimento mudam a percepção sobre um rosto. “O ponto central é entender que nem todo paciente terá flacidez intensa, e nem toda flacidez precisa de lifting facial”, reforça.
Planejamento antes de qualquer decisão
O avanço das canetas emagrecedoras amplia a conversa sobre o impacto do emagrecimento para além do corpo. A face, o pescoço e a identidade visual do paciente passam a integrar o planejamento, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico desde o início do uso dos medicamentos.
“O paciente precisa ser avaliado de forma individual. Algumas pessoas recuperam bem a pele depois do emagrecimento, outras apresentam sobra cutânea e queda importante. O mais seguro é esperar o peso estabilizar, estudar a anatomia da face e indicar o tratamento adequado, sem transformar o lifting facial em uma solução automática”, conclui David Di Sessa.
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