“Colegas e o Herdeiro” estreia nos cinemas brasileiros com goiano João Vitor de Paiva no elenco
Sequência do filme premiado no Festival de Gramado chega a mais de 250 salas no Brasil com ator goiano João Vitor de Paiva no elenco; Cinemark oferece sessão especial para pessoas com autismo no dia 15
Doze anos depois de “Colegas” conquistar o Kikito de Melhor Filme no Festival de Gramado e se tornar referência do cinema inclusivo, a sequência chega hoje aos cinemas brasileiros em mais de 250 salas. “Colegas e o Herdeiro”, dirigido por Marcelo Galvão, amplia o universo do original com um elenco ainda mais diverso: mais de 70 atores com síndrome de Down, autismo, síndrome de Williams e outras deficiências intelectuais participam da produção.
Na nova trama, um grupo de amigos foge do instituto para reencontrar Stallone, que vive no Uruguai em meio a uma disputa pela herança de um hotel. A bordo de um avião de carga rumo a Punta del Este, a visita se transforma em aventura quando cruzam o caminho de contrabandistas de pedras preciosas. O filme foi rodado no Rio Grande do Sul e no Uruguai.
Entre os protagonistas está o goiano João Vitor de Paiva, que interpreta Duda. Influenciador digital com mais de 1 milhão de seguidores, ele foi o primeiro estudante com síndrome de Down a se graduar em Educação Física pela PUC Goiás e integra o grupo de 100 lideranças jovens globais do UNICEF. No filme, vive um romance com Fernanda, personagem de Rafaela Fontanetti. Retornam ao elenco Ariel Goldenberg, Breno Viola e Rita Pokk, protagonistas do longa original, ao lado de Luiza Godoi, Deto Montenegro e Fafy Siqueira.
O casting e a missão de revelar novos talentos
Para Galvão, a sequência nasceu de uma convicção: o sucesso do elenco original não foi sorte. “Meu objetivo com ‘Colegas e o Herdeiro’ foi mostrar que encontrar Breno, Rita e Ariel não foi apenas sorte. Existem muitos atores e atrizes com deficiência intelectual extremamente talentosos, que merecem espaço e oportunidades na arte”, afirma o diretor.
O casting foi aberto em todo o Brasil, com testes presenciais em São Paulo e online para candidatos de outras cidades. “Desde o início, deixei claro que, mesmo aqueles que não fossem escolhidos para os papéis principais, poderiam participar do filme, caso tivessem interesse. Foi assim que construímos um elenco tão diverso, com mais de 70 jovens com diferentes deficiências intelectuais em papéis coadjuvantes. Fiz questão de dirigir pessoalmente cada um deles”, conta Galvão.
Sobre o método de trabalho com atores com deficiência intelectual, o diretor é direto. “O tratamento sempre foi o mesmo que tenho com qualquer ator: respeito, disposição para ouvir, clareza ao explicar os objetivos de cada cena e responsabilidade ao estabelecer os deveres e compromissos de todos. Talvez essa seja a principal lição: tratar cada pessoa com o mesmo respeito e profissionalismo, independentemente de suas deficiências ou limitações.”
Os desafios de fazer uma sequência premiada
Fazer a continuação de um filme tão simbólico exigiu uma escolha. “Em vez de tentar superar ‘Colegas’ artisticamente ou repetir sua trajetória nos festivais, preferi concentrar meus esforços em valorizar a diversidade desse elenco extraordinário de jovens com deficiência. Buscamos construir uma narrativa que envolvesse o público e revelasse o talento de cada um deles, justamente em suas diferenças e particularidades. O que falta não é talento, mas oportunidade”, afirma.
A produção também enfrentou restrições orçamentárias. “O maior desafio foi preservar toda a grandiosidade do universo de Colegas com um orçamento ainda menor do que o do longa original, rodado há mais de 14 anos”, revela. A solução foi adotar uma linguagem visual inspirada nos filmes de Wes Anderson. “Planos grandiosos e bem compostos, lentes abertas e poucos movimentos de câmera. Essa escolha também contribuiu para uma narrativa mais clara e objetiva.”
O hotel do Uruguai foi uma das locações mais desafiadoras. “Precisávamos transmitir a sensação de um lugar grandioso, único e surpreendente. Para construir esse universo, combinamos diferentes locações: filmamos as cenas externas em Punta del Este, utilizamos locações e estúdios em Porto Alegre para os interiores e também rodamos em um parque aquático gaúcho. A união desses espaços tão distintos nos permitiu criar o hotel que o público vê no filme como se fosse um único lugar”, detalha.
A homenagem a Marçal Souza
O filme carrega também uma homenagem ao produtor executivo Marçal Souza, com deficiência visual, que faleceu pouco antes do início das filmagens. Na abertura, uma tela completamente preta faz referência à cegueira de Marçal enquanto sua voz conduz uma breve apresentação de sua trajetória.
Antes de chegar ao Brasil, “Colegas e o Herdeiro” circulou por festivais internacionais. Venceu o Prêmio Especial do Júri no Los Angeles Brazilian Film Festival, o prêmio de Melhor Fotografia no LABRFF-Orlando e o de Melhor Longa-Metragem para Crianças e Jovens no Hero International Film Festival, na Sibéria.
LEIA MAIS:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.