sexta-feira, 10 de julho de 2026
ANIMAIS DO CERRADO GOIANO

7 animais mais surpreendentes que habitam o Cerrado goiano

Conheça histórias curiosas de espécies raras que moram no Cerrado goiano e enfrentam desafios diários para sobreviver

Rodrigo Souzapor Rodrigo Souza em 10 de julho de 2026 às 13:45
Alguns animais vivem no Cerrado goiano.
Alguns animais vivem no Cerrado goiano. (Foto: Tripadvisor)

O Cerrado goiano guarda segredos que poucas pessoas conhecem, mesmo vivendo perto dele todos os dias. Ali moram animais com corpos adaptados, hábitos raros e histórias que fogem do que a maioria imagina sobre a fauna brasileira.

Por exemplo, alguns desses bichos comem milhares de insetos todos os dias e outros preferem correr a voar. A seguir, sete espécies mostram por que esse bioma pede atenção, cuidado e respeito da população. Confira.

Lobo-guará

O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo selvagem da América do Sul. Suas pernas compridas ajudam o animal a enxergar acima da vegetação rasteira do Cerrado goiano. Em primeiro lugar, a cor alaranjada do pelo funciona como camuflagem entre os campos secos. Em segundo lugar, o bicho também come frutos, como a lobeira, além de pequenos animais.

Como resultado, ele ajuda a espalhar sementes pelo território onde vive. A lista de fauna ameaçada do Brasil classifica o lobo-guará como vulnerável. Portanto, proteger áreas de campo aberto no Cerrado goiano faz diferença direta para a sobrevivência do lobo-guará.

(Foto: pantanaloficial.com.br)

Tamanduá-bandeira

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) não tem nenhum dente na boca. Em outras palavras, ele depende só da língua para se alimentar. Essa língua chega a 60 centímetros e recolhe até 30 mil formigas e cupins por dia. Além disso, o animal pode pesar 45 quilos e medir 2,20 metros, contando a cauda.

A pelagem escura, com uma faixa clara no peito, funciona como camuflagem nos campos do Cerrado goiano. Então, esse hábito alimentar vira um dos mais curiosos entre os mamíferos do bioma. Certamente, o Brasil classifica a espécie como vulnerável à extinção.

(Foto: ruraltectv.com.br)

Tatu-canastra

O tatu-canastra (Priodontes maximus) é o maior tatu do planeta. Pode pesar mais de 50 quilos e cavar tocas profundas para se esconder durante o dia. Ou seja, o animal cria abrigos que outras espécies também usam depois. Durante a noite, ele sai para procurar formigas, cupins e pequenos invertebrados no solo.

A caça ilegal e a perda de áreas nativas ameaçam a espécie no Cerrado goiano. Para esclarecer, o ICMBio classifica o tatu-canastra entre os mamíferos mais ameaçados do país. Um estudo sobre atropelamentos em rodovias do Cerrado goiano registrou 63 animais silvestres mortos em apenas quatro dias de pesquisa.

(Foto: pensamentoverde.com.br)

Onça-pintada

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas. No Cerrado, o Livro Vermelho da Fauna Brasileira, do ICMBio, classifica a espécie como “Em Perigo”. Entretanto, uma descoberta recente surpreendeu pesquisadores da região de Trijunção, na divisa com Goiás.

Lá, as onças-pretas, com pelagem escura por causa de uma mutação genética, chegam a formar cerca de 9% da população total de onças da área. Acima de tudo, esse número é considerado alto para o padrão observado em outros biomas do país.

Cada animal monitorado ocupa um território de quase 500 quilômetros quadrados. Posteriormente, pesquisas com câmeras escondidas e rádio-colar ajudam a entender os deslocamentos da espécie pelo Cerrado goiano.

(Foto: infoescola.com)

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Anta

A anta (Tapirus terrestris) é o maior mamífero terrestre da América do Sul. A fêmea carrega o filhote por um período longo de gestação e gera apenas uma cria por vez. Depois disso, o filhote fica sob os cuidados da mãe por cerca de nove meses. Da mesma forma que outros herbívoros do bioma, a anta também espalha sementes ao se alimentar de frutos.

O animal circula por matas de galeria e áreas úmidas dentro do Cerrado goiano. Na mesma linha de outras espécies citadas aqui, ela também aparece entre os animais mais atropelados em rodovias da região, segundo estudo sobre fauna silvestre no Cerrado goiano.

(Foto: Divulgação)

Jaguatirica

A jaguatirica (Leopardus pardalis) é um felino de porte médio, ativo sobretudo à noite. Ela caça roedores, aves e répteis pelos campos e matas do Cerrado goiano. E o mais importante, o animal atua no controle natural da população de pequenos mamíferos da região.

Estudos sobre fauna silvestre em rodovias do Cerrado goiano já registraram a espécie entre os animais atropelados. Além do mais, a perda de vegetação nativa reduz o espaço de caça da jaguatirica. Ainda mais, isso empurra o animal para perto de estradas e propriedades rurais.

(Foto: blog.pescagerais.com.br)

Seriema

A seriema (Cariama cristata) tem pernas compridas e um canto alto, quase como um alarme. Mas o comportamento mais curioso da ave é outro: mesmo sabendo voar, ela prefere correr pelos campos abertos. Por outro lado, esse hábito faz da seriema uma presença fácil de reconhecer no Cerrado goiano.

A ave se alimenta de cobras, insetos e pequenos roedores, e ajuda a controlar esses animais no ambiente. Consequentemente, a seriema ocupa um papel importante na cadeia alimentar do bioma. Outras regiões do Brasil também abrigam a espécie, mas o Cerrado goiano segue como um dos seus principais territórios.

(Foto: blog.pescagerais.com.br)

Esses sete animais mostram como o Cerrado goiano guarda histórias raras e pouco contadas. Em conclusão, cada espécie enfrenta desafios próprios, como perda de habitat, atropelamentos e caça ilegal. Hoje, menos de 10% do território do Cerrado está dentro de unidades de conservação.

Reservas particulares, como o Legado Verdes do Cerrado, em Niquelândia, já catalogaram mais de 80 espécies de fauna na região. Conhecer esses bichos de perto ajuda a entender por que o Cerrado goiano precisa de cuidado contínuo.

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