sábado, 31 de outubro de 2026
voto feminino

Racha com Michelle e UB-PP amplia dificuldade de Flávio entre as mulheres

Aliados do senador apostavam na ex-primeira-dama e em vice mulher para diminuir rejeição do voto feminino. Especialista aponta para necessidade de pré-campanha voltada para o público feminino

Thiago Borgespor em
Racha com Michelle e UB-PP amplia dificuldade de Flávio entre as mulheres
Pesquisa eleitorais apontam Flávio atrás de Lula por uma margem considerável quando só o voto feminino é levado em consideração | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A rejeição entre o eleitorado feminino é um dos principais entraves na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A situação do presidenciável teve novos agravantes com o racha no partido em razão das rusgas com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o desembarque da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, da pré-candidatura à presidência do senador.

As pesquisas eleitorais têm colocado Flávio atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma margem considerável quando só o voto feminino é levado em consideração. A rodada de junho do Datafolha mostrou o senador com 37% das intenções de voto, 15 pontos atrás de Lula, que apareceu com 52%.

A expectativa dentro do PL era de que Michelle engajasse na campanha de Flávio e auxiliasse na estratégia para diminuir a rejeição entre o público feminino. A estratégia caiu por terra após o vídeo em que a ex-primeira-dama expõe o racha com o senador.

Além disso, o parlamentar cortejava a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ocupar a vice na chapa. Flávio, que trabalha para ter uma mulher na vice, sondava a senadora, já que a parlamentar também seria um aceno ao agronegócio. Tereza foi ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro (PL).

Aposta na neutralidade

Porém, tanto União Brasil quanto o PP devem apostar na neutralidade na disputa presidencial deste ano e caminham para liberar seus diretórios estaduais para apoiar o presidenciável de acordo com os arranjos políticos locais. Com isso, o pré-candidato do PL caminha para perder dois dos principais ativos que poderiam ajudá-lo a reduzir a resistência entre o eleitorado feminino.

Na avaliação do cientista político Lehninger Mota, a dificuldade da direita em conquistar o voto das mulheres não é recente e remonta às eleições presidenciais de 2022.

“A dificuldade da direita de ter os votos femininos já vem desde as eleições de 2022, quando os católicos e mulheres foram os votos decisivos para a eleição do Lula. Então, já havia dificuldade e agora se agravou com essas questões da Michelle, que era um elo com as mulheres e tem uma base forte, e essa possível debandada de partidos também dificulta”, afirma à reportagem do O HOJE.

Para o cientista político, o caminho para tentar reduzir a rejeição passa pela apresentação de propostas voltadas especificamente às mulheres. Na avaliação de Mota, Flávio precisará construir um discurso e um projeto de governo que dialogue com esse público, que representa a maioria do eleitorado brasileiro.

“O que o Flávio tem nessa composição é uma oportunidade única de fazer política pública, apresentar projetos e buscar sua vice baseado no voto feminino. Ele tem que entender que é uma barreira muito forte, porque as mulheres são a maioria dos votos do Brasil. O Flávio precisa de um projeto de governo, uma campanha, muito voltada para o público feminino”, diz.

Declarações de aliados

Para além dos problemas com Michelle e o afastamento da federação, Flávio precisa lidar com declarações de aliados. Recentemente, o senador precisou se retratar pela fala do influenciador Paulo Figueiredo, que afirmou que “mulher vota muito mal”. O senador repudiou a declaração do aliado publicamente em um café da manhã com lideranças conservadoras.

Apesar do cenário desfavorável, o cientista avalia que é possível reverter a rejeição. Segundo Lehninger, o tempo restante até a eleição permite mudanças no quadro eleitoral, desde que o PL consiga reorganizar a estratégia e diminuir o desgaste junto às eleitoras.

“São várias as possibilidades ainda, mesmo com todos esses desgastes que ele vem sofrendo. Muitas pesquisas já voltaram a mostrar um empate técnico entre Flávio e Lula no segundo turno. Muita coisa pode acontecer. Agora, é uma barreira que o PL vai ter que trabalhar, não só no governo federal como nos governos estaduais. O partido precisa mostrar para as mulheres que existe um espaço para elas dentro da direita”, conclui.

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