quinta-feira, 16 de julho de 2026
POLÍTICA

Celina Leão promete rigor em apuração de mortes e diz que não tolerará desumanidade na saúde

Governadora afirma que GDF reforçará medidas de humanização, revisará protocolos de atendimento e convocará novos profissionais após mortes registradas em hospitais da rede pública.

Jéssica Nascimentopor Jéssica Nascimento em 16 de julho de 2026 às 15:47
Celina Leão promete rigor em apuração de mortes e diz que não tolerará desumanidade na saúde
Governadora Celina Leão (Foto: Matheus Borges/ Agência Brasília)

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o Governo do Distrito Federal (GDF) adotará uma postura de tolerância zero diante de falhas no atendimento da rede pública de saúde. A declaração foi dada após as mortes de duas gestantes no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), em um intervalo de quatro dias, e de um homem que passou mal na porta do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF).

Após cumprir agenda no Itapoã, Celina disse que determinou o reforço das investigações conduzidas pela Secretaria de Saúde e garantiu que eventuais responsabilidades serão apuradas.

“Chamamos várias reuniões. O secretário, inclusive ontem, reuniu toda a equipe, porque a gente não vai tolerar esse tipo de atendimento nos nossos hospitais. Estamos reforçando as nossas diretorias, as nossas chefias, trabalhando muito na humanização. Há também uma previsão de mudar o protocolo do atendimento pré-natal”, afirmou.

A governadora reforçou que não aceitará condutas que desrespeitem os pacientes. “Não vamos tolerar a falta de atendimento, a falta de humanidade ou a naturalização do sofrimento das pessoas.”

Segundo Celina, a gestão tem adotado uma postura de transparência diante dos casos e não pretende ocultar problemas na rede pública.

“Precisamos melhorar. Nossa solidariedade às famílias. Sou uma governadora que encara as dificuldades. A diferença da nossa gestão é não esconder o problema e tomar providência.”

Ela também informou que todas as imagens do Hospital Regional de Samambaia foram disponibilizadas às autoridades responsáveis pela investigação e aos familiares das vítimas.

“Hoje, nós estamos com toda a nossa rede monitorada. As imagens estão sendo entregues às famílias e à polícia. Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém.”

A governadora reconheceu ainda a necessidade de reforçar o quadro de servidores da saúde e afirmou que a meta do governo é convocar 508 novos profissionais, entre médicos generalistas e especialistas, como ginecologistas e oncologistas. Segundo ela, a recomposição das equipes enfrenta dificuldades devido ao baixo número de aprovados que assumiram cargos em concursos recentes.

Mortes são investigadas

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga as mortes de duas gestantes atendidas no Hospital Regional de Samambaia.

O primeiro caso é o de Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, que morreu durante o trabalho de parto na última sexta-feira (10). Segundo familiares, ela estava com 41 semanas de gestação e permaneceu por horas em tentativa de parto normal. O bebê sobreviveu e segue internado na UTI neonatal.

O segundo caso envolve Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, que morreu na segunda-feira (13), após dar à luz. De acordo com parentes, ela procurou atendimento no domingo (12) e teria solicitado uma cesariana, procedimento que, segundo a família, não foi realizado.

Também é investigada a morte de Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, que sofreu um mal súbito no domingo (12), enquanto aguardava atendimento na porta do Hospital de Base. O caso repercutiu após relatos de demora no socorro, circunstâncias que também são apuradas pelas autoridades.

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