quarta-feira, 23 de setembro de 2026
ETAPA TESTE

Mutirama reabre apenas para estudantes após 16 meses fechado em Goiânia

Parque iniciou fase de testes com estudantes da rede municipal e prevê abertura ao público em geral apenas em outubro

Lalice Fernandespor em
mutirama
Após sucessivas interdições nos últimos anos, parque volta a operar de forma gradual sem contar com o público geral (Foto: Joabe Mendonça)

Após cerca de 16 meses fechado para reformas e adequações, o Parque Mutirama voltou a funcionar na última sexta-feira (17), mas ainda sem receber o público em geral. A Prefeitura de Goiânia iniciou uma etapa de testes com estudantes da rede municipal de ensino e informou que a abertura definitiva está prevista para outubro. Até lá, o parque da Capital seguirá inacessível para a maior parte da população.

O Mutirama foi fechado em março de 2025 para manutenção dos brinquedos, reformas estruturais e adequações às normas de segurança. A prefeitura informou que apenas seis atrações apresentavam condições de funcionamento na época. A paralisação, inicialmente prevista para durar poucos meses, acabou se estendendo por mais de um ano após sucessivos adiamentos.

Segundo a Secretaria Municipal de Gestão de Negócios e Parcerias (Segenp), 22 atrações passaram por reforma e estão aptas para operar. Ainda segundo o consultor da Segenp, Flávio Rassi, a pré-abertura “é uma fase em que o funcionamento do parque será monitorado e assistido”.

Durante o período em que o parque permaneceu fechado, a prefeitura afirma ter implantado um Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (SPDA), com 33 para-raios distribuídos pela área, elaborado um plano de evacuação certificado pelo Corpo de Bombeiros e regularizado a documentação técnica necessária para o funcionamento das atrações. Também foram executadas reformas em pisos, pontes, banheiros, iluminação, sinalização, áreas verdes e quadras esportivas.

Parque acumula fechamentos desde acidente em 2017 

O fechamento iniciado em março de 2025 não foi um caso isolado. Nos últimos anos, o Mutirama acumulou interrupções por diferentes motivos e passou a operar de forma descontínua. A sequência começou após o acidente registrado em julho de 2017. O rompimento do eixo do brinquedo Twister deixou 13 pessoas feridas e levou à interdição do parque. A retomada das atividades ocorreu apenas em junho de 2019, mas durou menos de um ano antes de uma nova paralisação provocada pela pandemia de Covid-19.

Com a flexibilização das restrições sanitárias, o parque voltou a funcionar, porém enfrentou novos questionamentos em 2022. Naquele ano, a Justiça determinou outra interdição após ação do Ministério Público de Goiás (MPGO), que apontou a ausência de comprovação técnica sobre as condições de funcionamento dos brinquedos. A suspensão foi revertida depois da apresentação de laudos pelo município.

Mesmo com a retomada, o Mutirama não voltou à operação integral. Entre 2022 e 2024, parte das atrações permaneceu indisponível em diferentes períodos, enquanto outras dependiam de reformas, avaliações técnicas ou processos licitatórios. Em março de 2025, a prefeitura voltou a fechar completamente o parque para novas intervenções. Agora, cerca de 16 meses depois, a reabertura ainda ocorre de forma parcial, restrita a estudantes da rede municipal.

MUTIRAMA
Parque passou por adequações e manutenção, mas a operação definitiva depende de abertura prevista para outubro
(Foto: Joabe Mendonça)

Cobranças

Para a vereadora Kátia Maria (PT), a retomada ocorre depois de um período prolongado de espera e ainda não devolve o parque à população. “A população de Goiânia esperou um ano e meio para voltar a ter acesso a um dos seus principais equipamentos públicos de lazer, e o resultado ainda é uma abertura parcial”, afirma ao O HOJE.

A parlamentar afirma que a segurança deve ser o principal critério para a abertura definitiva do parque e defende que a prefeitura apresente informações sobre as condições de funcionamento das atrações. Kátia Maria afirma que “a população precisa saber quais brinquedos estão aptos a funcionar, quais foram recuperados e quais protocolos de manutenção serão adotados”.

“Segurança não pode ser usada como justificativa para atrasos indefinidos, mas também não pode ser relativizada por pressa ou marketing.”

Segundo a vereadora, a expectativa dos moradores é que o Mutirama volte a funcionar de forma permanente. “O que os goianienses esperam não é uma inauguração para fotografia ou uma abertura simbólica. Esperam um parque funcionando todos os dias, com segurança, qualidade e acesso garantido para todas as famílias.”

Mutirama deve voltar a cobrar entrada

Enquanto a Prefeitura de Goiânia prepara a abertura definitiva do Mutirama, outro tema também ganha espaço no debate: a possibilidade de cobrança de ingressos. A administração municipal estuda um novo modelo de bilheteria, com valores entre R$ 15 e R$ 20. Estudantes da rede pública e pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) deverão ter direito à gratuidade.

A proposta representa uma mudança em relação ao modelo adotado em junho de 2019. Na ocasião, após a reabertura do parque durante a gestão do então prefeito Iris Rezende (MDB), o acesso passou a ser gratuito. Antes do fechamento provocado pelo acidente com o brinquedo Twister, em 2017, o ingresso inteiro custava, em média, R$ 16.

Para a vereadora Kátia Maria (PT), a cobrança contraria a função social do parque. Segundo a parlamentar, o Mutirama deve ser tratado como um equipamento público voltado à inclusão e ao lazer da população, especialmente das famílias de menor renda. “Transformar o parque em fonte de receita significa excluir justamente quem mais precisa dele”, afirma ao O HOJE.

O vereador Fabrício Rosa (PT) também defende a manutenção da gratuidade. Segundo o parlamentar, o Mutirama é uma das principais opções de lazer para famílias de baixa renda da Capital. “O parque já foi gratuito na época do Iris Rezende, e a gente espera que ele seja gratuito novamente”, afirma ao O HOJE.

O petista afirma ainda que, além do acesso gratuito, o funcionamento do parque deve ser acompanhado de mecanismos de fiscalização. “O parque deve ser gratuito e deve haver uma fiscalização acerca do parque, com o conselho de participação da sociedade.”

Ainda, segundo o vereador Edward Madureira (PT), que defende que “testes têm de ser realizados à exaustão para que não haja nenhum tipo de risco”, o acesso ao parque deveria ser gratuito e, caso não seja possível, “algum critério de renda tem que ser adotado, como, por exemplo, o acesso gratuito às famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e a preços acessíveis por meio de subsídios da prefeitura para as demais pessoas”.

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