terça-feira, 21 de julho de 2026
SAÚDE MENTAL

Psicóloga explica os sintomas do TDAH na vida adulta

Empresas podem tomar atitudes simples para que o ambiente de trabalho seja mais produtivo para um colaborador diagnosticado

Luana Avelarpor Luana Avelar em 20 de julho de 2026 às 20:00
TDAH

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ainda é frequentemente associado apenas à infância, embora também acompanhe milhões de pessoas ao longo da vida adulta. A dificuldade para manter a atenção, organizar tarefas, controlar impulsos e administrar o tempo pode interferir na rotina pessoal e profissional, especialmente quando o diagnóstico demora a ser realizado. Dados da Federação Mundial de TDAH indicam que 5,9% dos jovens e 2,5% dos adultos no mundo convivem com o transtorno, que é de origem neurobiológica e exige acompanhamento especializado.

Na vida adulta, os sinais costumam se apresentar de forma diferente dos observados na infância. Em vez da hiperatividade evidente, muitos pacientes passam a experimentar inquietação mental constante, procrastinação, dificuldade para concluir atividades, desorganização e problemas para cumprir prazos. Como essas características podem ser confundidas com falta de comprometimento, o diagnóstico costuma ocorrer apenas depois de anos de sofrimento.

“Identificar o TDAH exige do adulto uma investigação profunda e busca por especialistas, como psiquiatras e neuropsicólogos, para chegar ao diagnóstico, mesmo que tardio. E entre os sintomas mais comuns do TDAH nesta faixa etária estão também a procrastinação severa, grande dificuldade de gerenciar o tempo e cumprir prazos, a desorganização e uma impulsividade que podem afetar tanto as conversas quanto as decisões do dia a dia, afetando a vida social e o ambiente de trabalho”, explica a psicóloga Marciléa Dias.

Segundo a especialista, muitos adultos desenvolvem mecanismos para mascarar as dificuldades na tentativa de atender às expectativas sociais e profissionais. Ainda assim, o ambiente de trabalho costuma ser um dos locais onde os impactos do transtorno se tornam mais evidentes.

“Muitas empresas ainda não estão prontas para lidarem com a neurodivergência e acabam rotulando essas pessoas que apresentam quadro de TDAH como pessoas desatentas, preguiçosas e desinteressadas. Mas as empresas podem tomar atitudes simples para lidar com isso, como flexibilização de horário, instruções passadas por escrito em vez de só falada, evitar que essas pessoas fiquem expostas a poluições sonora e visual, e formalizar essas instruções de maneira que todos os colaboradores possam contribuir para que a produtividade desse profissional se torne cada vez maior”, destaca.

A psicóloga ressalta que a hiperatividade física tende a diminuir com a idade, mas isso não significa que o transtorno desapareça. “Aquela agitação da infância vai diminuindo e na vida adulta se transforma numa grande inquietação mental, podendo levar a quadros de depressão e de ansiedade”.

O tratamento combina psicoterapia e, quando necessário, medicamentos. “Quando uma pessoa com TDAH não busca ajuda, ela traz prejuízos para si mesma, para sua vida profissional, familiar, amorosa e em todas as suas relações, pois ela poderá ser sempre mal interpretada. Por isso a importância de adultos procurarem ajuda para terem o quanto antes esse diagnóstico e melhorarem sua qualidade de vida”, finaliza Marciléa Dias.

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